
O CD e o livro da Fernanda Takai chegaram aqui em casa quase juntos. Quero dizer, primeiro veio o CD, pro qual eu olhei um pouco torto porque apesar da simpatia pelo Pato Fu, nunca fui muito de bossa nova e se trata de músicas da Nara Leão.
Na verdade, meu contato mais "íntimo" com a bossa nova foi na adolescência: passei um dia inteiro ouvindo um LP (sim, uma bolacha!) da NL, que encalhava na penúltima música. Confesso que no fim do dia só me vinham à cabeça imagens de violões despeçados e banquinhos partidos com machadinha... enfim, tenho essa lacuna cultural: não gosto muito do estilo barquinho e violão à beira-mar.
Mas, logo na primeira música, o CD da FT me pegou de jeito: aquela voz doce, os arranjos bacanas, as letras velhas conhecidas. Gostei da bossa nova revisitada de Fernanda Takai e tenho ouvido muito o CD enquanto costuro.
Já o livro, comprei num dia em que fiquei à espera do marido (que resolvia alguma chatice relacionada a celular)na Livraria Cultura. Depois de olhar as estantes de crafts, design, revistas, fui para os CDs e dei de cara com a FT. Na hora, pensei no livro (que já tinha ouvido algum amigo falar) e lá fui pra estante de literatura brasileira.
Sentada num daqueles sofazinhos, abri numa das crônicas... terminei uma, dei um meiocsorriso solitário, acompanhado de um pensamento instantâneo: "putz, parece coisa da minha vida, do meu dia-a-dia, da minha família!"
A crônica "meus avós japoneses" tem mesmo gosto de infância da gente, mas com um jeito melancólico de lembrar de coisas de criança já com o olhar de adulto, entendendo e se perguntando sobre as dores da vida.
Já "as misteriosas palavras no papel higiênico" é bem o tipo de coisa que eu faria! Catar um metrinho de papel higiênico num banheiro japonês, porque é desenhadinho e tem historinha.
Claro que comprei o livro e tenho lido em doses pequenas, como se fosse licor de jabuticaba, pra saborear mesmo. Porque é uma delícia. Prosaico como licor de fruta depois do almoço de sábado, mas nada simplório. Afinal, as pequenas coisas da vida podem (e merecem) ter sabor.
Graças à Fernanda, agora gosto de bossa nova (e até pretendo me arriscar de novo em ouvir a NL), e descobri nas crônicas como é bom guardar pequenos e singelos momentos da vida da gente.
E ainda continuo amando licor de jabuticaba!
Onde brilhem os olhos teusNunca subestime uma mulherzinha