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domingo, 1 de fevereiro de 2009

Paixão por... futebol?!



Volta e meia aparece alguém me perguntando se já vi esse filme, ou dizendo que viu e lembrou de mim. Trata-se de "Amor em Jogo" (Fever Pitch), comédia romântica dos irmãos Farrelly - isso mesmo, aqueles escatológicos de "Quem vai ficar com Mary", "Débi & Lóide" e "Ligado em você" - bem mais contidos do que o usual, num água-com-açúcar palatável. No filme, a mocinha interpretada pela Drew Barrymore conhece e se apaixona pelo professor Ben (Jimmy Fallon), um cara boa-praça, do tipo divertido e honesto que de cara conquista amigos e família. Porém, como bem diz a amiga da garota, tem que ter algo errado... alguém legal assim não poderia estar solteiro, dando sopa...
Quando começa a temporada americana de beisebol, Ben se revela um torcedor fanático do Red Sox. Fanático ao ponto da casa do cara parecer uma loja de souvenir de estádio... até o papel higiênico do moço tem a estampa do time!

Como a vida imita a arte, aqui em casa tenho alguém parecido, guardadas as devidas diferenças, afinal não entendemos nada de beisebol. A fissura aqui é por futebol, mais exatamente pelo Botafogo Futebol Clube, ou o Fogão, Pantera da Mogiana, fera negra do esporte bretão e por aí vai.

Entendam, não posso reclamar em nada do meu marido, que como o Ben do filme é dos homens mais doces, amorosos, talentosos, amados (e também não vou ficar aqui enumerando as qualidades dele, pois esse coração botafoguense já é meu!). Mas o fato é que ele simplesmente se transforma, não consegue pensar, nem falar em outra coisa em época de campeonato. E acaba de começar o campeonato paulista. Inclusive, fui informada de que adquirimos os jogos pela Net (e imediatamente imaginei minha cama cheirando cerveja, com cascas de tremoço esparramadas pela colcha nova e impropérios pelo ar...).

No ano passado, cometi a bobagem de perguntar o que ele queria de dia dos pais. A resposta foi uma ida familiar ao estádio, pra assistir Bota versus XV de Piracicaba, em pleno domingo dos pais. Claro que fomos, fotografamos e tudo. Mas o mais maluco foi ver a transformação do ser com quem convivo desde o primeiro ano de faculdade. Foi como se eu tivesse me dado conta de que casei com o Dr. Jekyl e acordei um belo dia com o Mr. Hyde quando, num lance emocionante, ele saiu correndo e subiu no alambrado do campo, gritando que nem doido, pro meu total desespero e espanto!

Nessa loucura toda, meu marido acaba arrebatando nossos amigos e filhos de amigos, que necessariamente acabam se tornando, no mínimo, simpatizantes do time. A loucura é tanta que ele pretende, pra meu horror, tatuar uma pantera negra (a mascote) no braço, além do escudo do time (e, ainda por cima, quer que eu faça o desenho...).

E os souvenirs? Sempre aparecem novas camisetas (todas quase idênticas, mas cada uma com um dado diferente e muito relevante pra história do time), fora os porta-copos, porta-garrafas, bandeiras e um famigerado cinzeiro de vidro fumê (ai!), que mora muito bem camuflado no fundo do armário!
O cúmulo foi quando, numa viagem à Brasília, passamos por Cristalina e ele cismou que tinha que comprar uma pantera negra de pedra, com os olhos vermelhos, de uns 60 cm de altura. Surtei, simplesmente. De todas tranqueiras horrorosas que já vi, aquele ultrapassava todas as barreiras rumo ao total mau gosto. E a pantera ficou por lá mesmo (onde deve estar até hoje...).

Enfim, cada doido com sua mania. Não que eu não tenha as minhas (e, cá entre nós, sei que sou difícil de aguentar!), mas de fato gastei muito tempo tentando entender essa paixão, que parece competir comigo e volta e meia ganha na disputa pela atenção do (meu) ser amado.
Hoje já me rendi. Cada um com as suas idiossincrasias. E, como no filme, o amor de verdade nos faz achar meios de contornar diferenças, achar meios de conviver e inclusive amá-las, porque são elas que tornam a vida a dois interessante (já pensou como seria casar com alguém igualzinho a você? um saco...).

Tudo o que sei é que a cada campeonato vejo meu marido torcendo com uma convicção quase dolorida de tão obstinada. Uma convicção apaixonada que me faz lembrar do garoto que, um dia depois do início do namoro, me avisou que se casaria comigo.

13 comentários:

angela disse...

Ola Ana!!!Acompanho seu blo há muito tempo, mas nunca deixei comentário, até chegar ao de hoje!!!!è que tenho um ser igual ao seu marido aqui em casa!, ou seja, é maluco pelo time de futebol, sei tudo oq vc passa, poi, passo a mesma coisa!!!quando o jogo não é na quarta, com certeza no final de semana teremos algumas tardes de total descontrole emocional dessas figuras que até parecem crianças!!!!Então só nos resta uma coisa,paciência!!!, bjos e boa semana, angela

ana sinhana disse...

Angela, vc falou tudo!!!
Uns baita homens barbados que viram crianças duas vezes por semana!!!
Hehehehehehehehe
Beijo e boa semana pra vc também!

Lu Gastal disse...

heheheheheheh!adorei!
e já vi essa cena lá em casa. só mudou a camiseta!

Babz Lopes disse...

tô achando graça aqui do seu post... o janjão (meu namorado imaginário) faz parte aí dos fanáticos futebol clube. O mais engraçado é que quando começamos a namorar ele estava num momento "tô nem aí" para estes assuntos, mas de uns 3 anos para cá ele revelou sua verdadeira paixão, eu fico em segundo claro. hahahaha

mas enfim, a gente acaba simpatizando com tanto sofrimento alheio! e ganha recompensas por aturar tanta loucura.

abraços para vcs!

ana sinhana disse...

Babz, pois é! Temos que ser compreensivas... é tanto sofrimento, tanta dor... afe!!!!
Lu, fala se não é tudo igual, fala!!!
bjs

HAZEL disse...

Olá, Ana!

Adorei conhecer o teu blog, que vou seguir.

Queria convidar-te a conhecer o meu.

Beijos mágicos.

ana sinhana disse...

Olá Hazel!

já estou seguindo o teu também, que é lindo e mágico!!!
Beijos

Rô disse...

Hahahahahaha...sem comentários amiga, só quero mesmo que vc me mostre, o dia em que iremos na tua casa, o tal cinzeiro fumê...ui !!!

Beijos pra vc e pro doidinho (somente revelado as quartas e findis futebolísticos)..rs
=D !!!

ana sinhana disse...

Hahahahahahahaha...olha que quando vc vier eu embrulho o dito cujo com um papel bem bonito, faço um laço e entrego na mão do Má, hein?
bj

Thalita disse...

Ana!
Adorei seu trabalho
Muito lindo :)

Você ainda está fazendo a bolsa "Flower Power"?

Adoreeei ela.
Pena que descobri seu blog e trabalho agora.

Se sim ,me diiiz que adorei!

Beijos

ana sinhana disse...

Oi Thalita, eu tenho feito dela sim, mas com outros tecidos, pois o estampado com marrom não achei mais!
Bj,
Ana

Grazi disse...

Ana, que liiiiiiiindo! Não resisti de comentar. E aproveito pra dizer que nunca tinha reparado: menina, tu escreve bem, hã?

ana sinhana disse...

ô Grazi... agradeço!!!
Gosto de escrever, de vez em quando!!!
bj