Páginas

quinta-feira, 19 de março de 2009

Leonard versus Marisa

Os gostos musicais aqui de casa são assim algo muito eclético (sem incluir axé, pagode, nem breganeja) e, no carro com a família toda, de vez em quando fica difícil escolher. Em geral, Beatles são a conciliação nas viagens. Todos gostam e ficam satisfeitos.

Ontem saí sozinha e quando fui colocar uma musiquinha de fundo, caiu justamente numa das muitas do Leonard Cohen que detesto profundamente (tanto que nem vou me dar ao trabalho de colocar link aqui) e que marido ama profundamente. Me dá uma angústia ouvir as músicas dele, acho as letras, a voz, tudo insuportável. Parece coisa de quem optou por ter uma vida miserável e ainda fica lembrando isso tempo todo.

Sei que o ideal do casamento é equilibrar as coisas, aceitar o que o outro gosta (se possível, gostar um pouco também). Mas nem sempre é possível. E os dois pontos em que isso é impossível são Leonard Cohen e (costumava ser) Marisa Monte...
Costumava porque houve uma época em que eu adorava a Marisa. Ouvia, cantava, assistia. E meu marido ficava enchendo, tirando sarro, fazendo piada até com o nome da diva, mesmo antes da gente casar.

E, há mais ou menos 10 anos atrás, teve show dela aqui, no Ginásio da Unicamp. Eu fiquei exultante, doida pra ir, ainda mais porque estava naquela fase de crianças bem pequenas, em que o máximo da sua vida cultural é rever O Rei Leão pela milésima vez (um verdadeiro "ciclo sem fim").

Claro que nem pensei em convidar meu marido. Mas fui toda feliz, com a cunhada e a comadre. Bem programa de mulherzinha. E lá pela terceira música, cantando e dançando e me deliciando... puff! As luzes do ginásio se apagam. Ficam só as de emergência. Passa uma hora e nada de energia, nem de música, nem de luz.
Eu, com a minha infinita sorte, resolvi ir ao show da Marisa Monte no fatídico dia do apagão nacional. Lembram? O dia em que o país inteiro ficou às escuras?
Pois é, lá estávamos eu e mais duas moças indefesas no meio daquela muvuca escura e resolvemos ir embora, como todo mundo que tinha um pouco de bom senso.
Saímos de lá para um breu total, sem saber o que acontecia. Cheguei em casa ainda numa total escuridão, mas mesmo sem luz, percebi o meio sorriso que marido tentava esconder, achando a maior graça no acontecido.

No dia seguinte, um colega da Unicamp, que também estava no show, me contou que ficou lá por mais de 3 horas. E que a luz voltou. E que ela cantou mais umas 15 músicas. Humpf!
Como sou birrenta, nunca mais consegui gostar de Marisa com o mesmo entusiasmo. E, claro, ir novamente a um show dela virou piada pronta. Impraticável. E não pretendo contribuir em nenhum sentido nem para uma nova crise energética nacional, nem para uma crise matrimonial.

4 comentários:

Flávia disse...

Ana,
e você ainda foi ao ginásio da Unicamp antes de ele ser destruído pelo vendaval? Ah, não, acho que não... Já faz quase uns 20(!) anos que isto aconteceu...Eu estudei lá... e por uns bons tempos ficamos sem ginásio... (Dá para ver que estou ficando velhinha caquética...)
Mas concordo com você.
Também ia ficar com uma mágoa de Marisa.
Beijo

ana sinhana disse...

Oi Flávia! Há 20 anos eu não estava por aqui!
O show da Marisa e o apagão aconteceram em 11 de março de 1999 (por pouco não acerto a data exata!).
Bj

Kyria disse...

Nossa, que mega azarão, ainda bem que com a escuridão você não precisou enxergar o sorrisão do marido, era só fingir que não percebeu, hahaha.
Bjs

disse...

Oi Anaaaa!

Bom, fui eu que pintei a cadeira sim...muita gente me pergunta o nome da cor...mas o problema é que pintei com tinta de artesanato(aqueles potinhos pequeninos, comprei 2 potinhos, que foram suficientes para a cadeirinha)
Mas façamos o seguinte, tenho aqui aqueles mostruários de tintas, com todo o pantone disponivel, vou procurar uma cor bem parecida pra vc, e te passo o código, ok???
Aí vc compra aquelas latinhas testes da coral(pra ver se é oq vc quer), pode ser??
Te escrevo amanhã com os códigos!

Ah! adorei o post!
dei risada aqui...quem mandou Marisa tocar bem no dia to apagão!!!
kkkkkk

bjbj