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terça-feira, 26 de maio de 2009

Viver é desenhar sem borracha

Cheguei de um paraíso rural no domingo à noite e já caí no trabalho duro: às vésperas do baby bum, estou com muito trabalho mesmo. Mas não dava pra deixar passar em branco o final de semana.

Como contei antes, fui encontrar com colegas da turma de graduação (meus e do marido, pois somos da mesma turma de economia!). Não fui lá muito animada para o encontro, porque sempre tentei encarar esse período como uma página virada, capítulo encerrado, já que vieram outras escolhas e esse tipo de processo de ruptura nunca é cor-de-rosa: sempre envolve culpa, alguma dor, um tico de mágoa.

Mas o fato é que há tempos não me divertia tanto. Lembrar e revivar aqueles momentos foi tão engraçado, rimos tanto. E ver meus amigos bem e felizes na medida do possível também foi muito bom. A verdade é que, entre algumas feridas, estamos todos vivos e saudáveis, muitos com suas famílias e filhos.

E eu não fui a única a cavar outros caminhos: tem o economista que virou linguista; a economista advogada; o amigo que se enveredou pelo jornalismo...

Cheguei à conclusão de que esse não é um capítulo à parte. Lembranças de momentos ricos nunca são inteiramente boas ou más. E deixar de ser tão maniqueísta faz parte do (duro) processo de crescer. Percebi que todos que estavam lá tiveram suas dificuldades, dores e perdas. Mas, como disse minha amiga Sy, a essência permanecia ali, intacta e preservada, embora cada um tenha seguido um rumo e escrito seus outros capítulos a seu modo.

Então, se "viver é desenhar sem borracha" como disse o Millôr, me formar em economia pra depois deixar de ser economista é o rascunho permanente do que sou. Sem certo, nem errado, continuo desenhando.
Boa semana!

12 comentários:

lu disse...

Antes de me enveredar por outra profissão cursei história e até hoje meus melhores amigos são aqueles que fiz neste curso. Até hoje sou uma historiadora diletante, todos os livros que leio são de história, todas minhas viagens são movidas pela minha curiosidade pelo passado, formação e cultura de um povo.
Até mesmo no artesanato minha preocupação maior é preservar as tradições (quase esquecidas) de nosso país.
Tudo o que fizemos um dia na vida contribui para formar nossa personalidade e não dá para virar uma página, elas estão lá, ainda que esquecidas.
E tem algo melhor do que rever o passado? Relembrar quem um dia fomos, com que andamos e partilhamos nossas experiências? Ainda que dolorosas...
Beijos

KEKA disse...

menina,
falou e disse!
a vida é feita de escolhas...
seja feliz!
beijos

* Atelier Ao Meu Gosto * disse...

Olá Ana!

Deve ter sido muito giro esse reencontro com antigos colegas e amigos!
Eu adorava reencontrar os meus amigos de infância, de quando tinha 5/6 anos... os da primária :)

:) um beijinho e um sorriso para ti,
Lena

Kyria disse...

Parabéns, linda conclusão. Bjs

Céres disse...

meu primeiro vestibular foi para artes plásticas. depois acabei trabalhando com formação de professores toda a vida. agora, aposentadíssima, voltei as artes. concordo plenamente com o que vocês escreveram Ana e Lu! somos a mistureba de tudo o que vamos fazendo pela vida :)
que bom que vocês tem esta clareza jovens e já podem desfrutar tranqüilamente a beleza de viver. bjs

Carol disse...

Eu disse que ia ser proveitoso. Bjs

ana sinhana disse...

Carol, disse mesmo!
Céres, não sabia da sua formação inicial! Mas tem tudo a ver contigo mesmo!
Oi Kyrya, obrigada!
Oi Lena, os de primário não sei por onde andam... mas adoraria um encontro!
Oi Lu! De certa forma, fui estudar economia porque sempre gostei de história (e o meu curso foi cheio de disciplinas de história).
Bjs

harumi disse...

ah, Ana, achei tào lindo isso que escreveu! somos mesmo a mistureba de tudo que passamos, né?
beijocas,
da harumi

A menina que roubava idéias disse...

E depois de 15 anos de formada, trabalhando na área do direito eu cansei. E o pior, não sei o que quero!!! Mas ler o que vocês escreveram me traz um conforto muito grande. Valeu.
beijos

Dani disse...

Ana!! Esse seu post me reergueu hoje... Às vezes sinto-me perdida no meio de tantas opções, tendo que fazer tantas escolhas, achando que algumas delas foram erradas e que não deveriam ter acontecido, mas... Pensando bem, não há certo e errado, é disso tudo o que somos feitos. Devo ser uma das pessoas mais misturebas: fiz Psicologia, Comunicação Social, Farmácia e Secretariado (só concluí esse último). Obrigada por compartilhar essa experiência! Beijos

Dani disse...

Ana, a "bolsinha" que comprei é uma carteira pequena que tem um zíper. Aquele que tem um coração na frente e umas bolinhas atrás. Lindíssimo, um mimo! Bejos

Super Mila disse...

Boa tarde, Ana.
Conheço seu trabalho pelo flickr e já tinha passado pelo seu blog algumas vezes, mas só hoje dediquei um tempo pra ler os seus posts.
Gostei muito de tudo, mas aprendi uma coisa em especial nesse, que me fez refletir.
Vou passar a te visitar sempre.
Depois passa no meu tb! www.supermilabomtempo.blogspot.com

Bejo!

Mila Bomtempo