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terça-feira, 30 de junho de 2009

Coisas de criança

Cresci brincando n'O Parquinho, escola municipal da Vila Madalena que eu amava do fundo meu coração. Até hoje, não posso passar em frente sem deixar escapar uma lagriminha ou outra. E lá a gente brincava de roda, corda, tudo que não dava pra fazer na rua, porque criança morando em SP, já era complicado.
O fato é que naquela época em que a gasolina era barata, as crianças cantavam "atirei o pau no gato-to-to", compravam cigarrinho de chocolate na padaria e viam a Gretchen rebolando no Qual é a Música? no domingo. Com a exceção de rebolosas atuais, coisas impensáveis no mundo politicamente correto de hoje.
Meus filhos cresceram entre as mesmas brincadeiras (com a vantagem de ter uma rua tranquila) e com a correção de que o certo é "não atire o pau no gato-to-to/porque isso-so-so, não se faz-faz-faz/o gatinho-nho-nho é nosso amigo-go-go/não devemos maltratar os animais". E, claro, são antitabagistas convictos.
Mas fico pensando que nunca dei paulada em felino algum e não suporto cigarro, apesar de achar a versão politicamente incorreta da minha infância mais divertida.
Há uns dias, na aula de kung fu do caçula, em que os alunos têm entre 5 e 8 anos, o sihing (professor) perguntou por que era importante ter os braços fortes. Os mini brucutus começaram falando que era pra sar soco, golpe... o professor franziu o cenho... um mais pacato sugeriu ajudar a mãe a carregar as compras... o sihing gostou e disse "isso mesmo, fulaninho! quando vcs vão ao supermercado com a mamãe teem que ajudá-la a carregar saco de arroz, de laranja..."
E então, a menina mais fofa e meiga da turma levantou a mão e disse: "não, sihing, é bom ter braços fortes pra ajudar a mamãe a carregar as caixas de cerveja"...
Claro que o professor ficou desconcertado, e voltou a falar nas laranjas e arroz. Claro que os pais caíram na risada.
Como eu amo a inocência e o humor nem sempre politicamente corretos das crianças. É atemporal e faz um bem lascado pra alma.

9 comentários:

Ana Medeiros disse...

OI minha xará querida, qto teeeempo menina!!

Crianças tem verdade na alma ne?? Omôpai...que cabecinha...

ana sinhana disse...

Oi Aninha! Como vc tá?
Passou a fase do enjôo? Já tá curtindo enxovalzinho?
Mil beijos, queridona!!!

Céres disse...

continuo sorrindo! adorei a historinha. criança é o máximo *o*
bjks

Paty disse...

que saudades disso tudo, do cigarrinho de chocolate, de pular corda...aiaiai...bjos!

Vanessa disse...

oie ...deixei um presentinho no meu blog pra vc ...
bjos
www.vanessafranzoi.blogspot.com

Laély disse...

Nossa! A sua descrição me fez fazer uma viagem...
Só é pra rir, mesmo! A gente é que complica as coisas, né?!
Escrevi algo pertinente, neste post aqui:
http://saladala.blogspot.com/2009/04/agora-vou-meter-pata-onde-nao-devo.html
Um abraço!( Gosto muito quando escreve!)

Kelly Reis disse...

Oi Ana,
Texto lindo de hoje, que remete a gente há uma época tão boa...
Cresci no interior de SP e vivi esse tempo de brincadeiras e infância de verdade, saudades disso tudo!
Montei um cantinho pra mim também, qdo puder dá uma passadinha.
bjs
http://porque-nao-pensei-nisso-antes.blogspot.com/

ana sinhana disse...

Oi Kelly! Lembranças de interior são as melhores, né?

Oi La! A recíproca é muito verdadeira: amo seus sábios e bem humorados textos!
E vou lá ver esse do link, djá!

Oi Vanessa, obrigada!

Oi Paty! Ficou saudosa, né amiga?!

Oi Céres! Tem como não sorrir com coisas simples de criança?
Beijos enormes!

harumi disse...

oioi, ana!
adorei a versão dos "braços fortes pra carregar laranjas no mercado", mas confesso que a versào da caixas de cerveja tb é muito boa!
são tão bons os comentários inocentes das crianças, né?
bjks.