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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Micos

Semana passada, a população adolescente daqui de casa chegou com a notícia: amiga vai fazer 15 anos, com direito a festa, vestido de princesa, DJ e superprodução. Não, eles não estavam animados. Horrorizados seria mais a palavra. Não pela festa da amiga (a qual eles irão de bom grado), mas pelo medo antecipado do mico, afinal, ano que vem a minha dupla dinâmica completará 15 anos. Digamos que quem deveria se estressar é a mamãe aqui... putz, tenho filhos desse tamanho?
Mas vamos lá. O receio deles é de que eu queira fazer uma festa-baile-black-tie e que chame um casal BBB para dançar a valsa. Ou que eu resolva fazer uma festa temática e todo mundo tenha que vir de vestido rodado, summer e cabelinho armado pra dançar o twist.
Primeiro pensei, será que meus filhos tem alguma noção do meu (bom) gosto?
O fato é que pais fazem os filhos pagar mico e ponto. Não sei quando isso acontece mas, na relação mãe/pai e filho, em algum momento involuimos e nos tornamos os primatas. Tudo é um mico. E qualquer mínimo deslize vira um escorregão na casca de banana.
Não que eu ligue muito. Acho até que me aproveito um pouco. Exemplo: quando vou buscá-los no clube à noite depois da aula de basquete do grandão, sempre ameaço dizendo: "a essa hora, já estarei usando meu pijama de flanela vermelho de coraçãozinho e pantufa. se vcs não quiserem que eu apareça na quadra gritando pelos dois, é só me esperar lá fora às 21h15 em ponto". Nunca falha.
Imagine se eu usasse bóbis pra dormir?
Eu m-o-r-r-i-a de vergonha dos bóbis da minha mãe, com aquele lenção de cetim por cima. E ela nem aí. Enfim, sofri com os micos maternos também.
E os maiores micos eram sempre nos meus aniversários. Juro que não estou me fazendo de coitadinha, mas não consigo me lembrar de sequer uma festa de infância memorável - e sem micos. Digamos que, como mãe festeira, a minha era uma excelente futura gerente de compras.
Nunca vi nada igual. Os bolos nunca desenformavam, era uma coisa triste, rachada, quebrada no meio, zero no quesito comer com os olhos. Então, ela sempre decidia fazer o bolo na fôrma mesmo e eu quase enfartava fulminantemente de vergonha porque, naquela altura, meu perfeccionismo já começava a me maltratar internamente.
O pior de todos os aniversários foi lá pelos 6 anos. Minha mãe decidiu fazer um bolo lindo. Fez o pão-de-ló de leite fervendo e lá foi preparar a cobertura, daquelas de caixinha, bem seventies. Cobriu o bolo na fôrma mesmo, esparramando muita meleca pra disfarçar. E polvilhou por cima com açúcar cristal verde, beeem verde. Mas ainda era pouco: toda orgulhosa, ela tira da gaveta uma sacolinha com enfeites de festa. Pra meu absoluto horror, não eram menininhas, nem princesinhas, nem mesmo a família Barbapapa. Eram dois times de... futebol!
Não sei o que foi maior, minha decepção ou a pré-vergonha de prever a vergonha perto das amiguinhas da escola. Tive calafrios de embaraço.
Mas cresci, superei o trauma das péssimas festas de aniversário e fiz festas memoráveis para os meus filhos. Sempre com temas que eles mesmos escolhiam e sempre com um esquema maluco de começar muito antes, quase morrer pra fazer tudo sozinha (não divido meus louros com ninguém!) e vê-los felizes na hora do parabéns.
E olha que o grau de exigência sempre foi elevado. Cada um pedia um bolo diferente e, já que a festa era uma só, eu atendia esse desejo: bolo de morango pra Bia, bolo de chocolate pro Juca.
Numa das festas, me vieram com o tema inesperado: Beatles. Sim, aqueles de Liverpool. E toca a fazer submarino amarelo de papietagem, painel pintado à mão e outras insanidades.
Enfim, tudo diferente do que foi comigo. Acho que acabei invertendo as coisas e tomei como não-exemplo alguns episódios de mini-trauma de infância.
Mas, em algum momento, virei a mamãe Monga, que arrasta os braços no chão e balança as grades dando fortes urros.
E não teremos festa de 15 anos. Nem um bolinho sequer será permitido. E já ameaçaram não estar aqui na data. Me avisaram que vão viajar, mas que a gente pode ir junto (eu, papai e caçula). "E pra onde a gente vai?", perguntei.
Resposta: "pode ser pra Itália mas, se não der, tudo bem. Aí podemos ir conhecer o maior cajueiro do mundo?"
O quêêê???
Definitivamente, minha família não é normal.

27 comentários:

harumi disse...

bom dia, ana!
adorei a ideia de seus filhos fazerem uma viagem de 15 anos. e levar vcs junto! hahaha.
beijocas.
boa semana.

Juliana! disse...

Oi Ana!
Adorei a história, quase morri de dó de vc com o bolo de jogo de futebol. hehehe... Seus filhos são autênticos menina, fogem mesmo do comum e tem um super bom gosto!!!
Bjs

Adri disse...

hahahaha.... morri de rir, sinhana!
mas não é a geração atual nos faz parecer saudosos dinossauros jurássicos? meu alunos me encabulam assim também!

Paty disse...

Hahahaha bob na cabeça com lenço minha mãe tbem usava e eu morria de vergonha, hj não ligaria!
Bjocas!

Bárbara Lopes disse...

Morri de rir imaginando as cenas que vc cria! Mas micos são fundamentais, lógico que se puder ser evitado é bom, mas ninguém passa nesta vida sem um mico! Faz parte do amadurecimento... hehehe

Mas honestamente, pelo pouco que já vi da Bia e do Juca, nunca imaginaria eles com uma festa de 15 anos tradicional, definitivamente não. hehehe

A viagem é uma ótima pedida, nunca tem arrependimentos. =]

ana sinhana disse...

Ah, Babz! Não combina com eles, nem comigo!

Oi Adri! Os adolescentes daqui são umas figuras. Acho que vc gostaria de dar aula pra eles!

Oi Paty! Já imaginou a gente de bóbis, andando na Liberdade?

Oi Juliana, autênticos eles são, com absoluta certeza!

Oi Harumi! Sei não. vamos ver se eles não mudam de idéia até lá!
Beijos, boa semana!

Claudia disse...

Menina, seu post veio a calhar, amanhã é aniversário do filhote e estou às voltas com a organização de uma festinha, que deve ser muito simples, mas muito gostosa. Vai ter barquinhos de papel com balinhas na mesa, móbiles de estrelinhas de EVA em cima da mesa do bolo, enfim, mil viagens, acho que ele não vai pagar mico não, até porque só tem 3 anos e nem sabe o que é isso. Já a filha, fez 15 anos e tb não quis nada, só um bolo de brigadeiros com morangos, mas foi em várias festas de 15 anos, com direito a vestido longo e tudo o mais. Acho que ficou traumatizada.kkk

beijos

Taia Assunção disse...

Mamãe adorava fazer bolo de três andares recheado com doce de leite, goiabada e aquelas medonhas 'bolinhas prateadas' kkkkkkkkkk era o máximo. Minhas filhas completaram 21 e 15 anos respectivamente, fomos todos para a Itália e França, nada de festa. Roma, Florença, Veneza, Murano, Burano e Torcello...e uma esticadinha a Paris. Maravilhoso e recomendadíssimo. Beijocas.

Estúdio de Design disse...

Ana,
seus filhos devem ser divertidissimos! Mas melhor que isso, foi você descrevendo seu aniversário com bolo de aniversário de campo de futebol!
Você é A contadora de histórias! Adorei... Nunca tive nenhum aniversário traumático... meu aniversário de 15 anos não foi pomposo... e sim uma festa num buffet infantil (eu que escolhi, sempre fui meio menininha). Ainda não tenho filhos, mas já sou super encanada com "receber pessoas"... este fim de semana teremos aniversário de 60 anos de papis... já estou pensando na mesa!
Beijos!
Leticia

Fatima Guimaraes disse...

Hahahaahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha!!!!!
Eu já fiz tantas festinhas de aniversários....e já aconteceu tanto comigo do bolo não querer desenformar...kkkkk..será que minhas filhas vao contar uma estória assim um dia???
Mas apesar dos desastres também já fiz muita festa bonita...Lilica Ripilica quando ainda não existia nada relacionado a festas neste tema.
Muito legal a forma como vc escreve...adoro...mas aborrecentes é assim mesmo, a minha caçula fez 15 anos este ano e não quis festa...no final acabamos fazendo um churras só pra familia.

Beijos

Kelly Reis disse...

Ai Ana, me divirto com as coisas que você conta... os bóbis da minha mãe com lenços de cetim já me MATARAM de vergonha muitas vezes...rs
Mas me peguei aqui pensando nos micos que devo fazer meu filho pagar...aff...vai crescer traumatizado tadinho.kkk
bj

{ b r u n a } disse...

Oi Ana, adorei este seu post!
Felizmente minha mãe nunca fez nada assim, nem me deixou traumatizada (eheh)...
A ideia da viagem em família é muito legal! Não fica achando que é Monga não, é só que os adolescentes de hoje em dia não gostam destas coisas cheias de fru-fru :))
beijo

ana sinhana disse...

Ai, Bruna, nem eu! Mas uma festinha simples, uma pizza com a família, eu AMO! Não sei de onde eles tiraram essa de festona!

Kelly, acho que é por isso que nunca usei bóbis!!! hahahahaha

Que nada, Fátima Elas vão lembrar com o maior carinho, tenho certeza. O bolo é só um detalhe (se bem que o campinho de futebol foi de matar...).

Letícia, eu também gosto de festas familiares e simples, nada pomposo!
Manda um abração de aniversário pro pai!

Oi Taia! Aquelas bolinhas prateadas eram o fim, né? Será que o povo não quebrava a dentadur mordendo aquilo?

Oi Cláudia! Boa festa pra vc e seu filhote! Adoro niver assim como vc descreveu (aqui é sempre assim, simples e em casa).
Bjs meninas!

Cris S.S. disse...

Olá!!
Eu estou me deliciando lendo o seu blog!!!!!
Tudo muito lindo, muito doce!!!
E as bolsas??????!
Tenho ímpetos de comprar todas!!!!
O nome do blog surgiu pq eu sou um pouco pintadinha q nem o cachorro( rs, rs) e ja estou tentando arrumar espaço pra poder criar um.
Seu cokcer deve ser lindo, são todos um doces!!
Ótima semana!
Bijos
Cris

Marta Diniz disse...

Oi Ana!!!

Me curvei de tanto rir... imaginei vc entrando na quadra de pijamas de flanela e pantufas e gritando por eles...kkkk. E o melhor é que a ameaça funciona!!! Os meus não são adolescentes ainda, mas me imagino fazendo essas ameaças tb!!
Uma ótima semana pra vc!!!

Srta.Formiga disse...

Seus filhos são ótimos!
Vão até deixar vc ir na viagem!rs

Taia Assunção disse...

O fim do fim, fim de carreira mesmo...mamãe amava as bolinhas...rsrsrs. Quebra dentadura e tudo o mais...rsrsrs.

dona perfeitinha disse...

Oi, Ana!

Que texto mais perfeito!
Quem é que nunca sofreu por pagação de mico da mãe, não é?

Até que o medo dos seus filhos não é infundado afinal.

Adorei a dica pra conseguir que sejam pontuais. Talvez eu precise e vou querer pijamas tão charmosos como o seu.

Ruby Fernandes disse...

hhahahahah, ai Ana, você é ótima, sei bem do que está falando, meu filho fez 15 anos em fevereiro e não quis nada, aliás quis sim, um monte de parafernálias(!) eletrônicas e algum dimdim. E eu que nunca tive festas de aniversário fiquei frustrada, pois ele nunca me deixou fazer festas para ele, desde pequeno...
Quanto aos horários, até que ele é bonzinho!
Bjo flor.

ana sinhana disse...

Oi Talita! é bem como o povo fala: um dia da caça, outro do caçador!

Taia, o que será que eles vão dizer da gente daqui uns anos, hein?

Srta. Formiga, são mesmo!
(mãe nada coruja...)

Marta, eles tem mais vergonha quando eu dou bronca em amigos... falam que eu sou cara-de-pau!

Que legal, Cris!
Bjs

Véia da Teia disse...

delícia de família! ri pacas!

Laély disse...

Ana, eu me diverti muito, porque sou contemporânea sua( sim, minha mãe usava bobs!) e vivo a fase dos filhos adolescentes.
O mais velho( quase 18), morre de vergonha e se esquiva, se lhe faço alguma demonstração de carinho em público.
O do meio( 15 anos), é o meu maior crítico, inclusive do visual: se estou mais cheinha, ele não perdoa. Também morre de vergonha, quando uso algo que ele considere estranho. Outro dia, crente que estava abafando, saí com minhas galochas coloridas da Cantão. Ele, ficou horrorizado! Achava que aquilo era pra se usar no quintal.
O pequeno( 9 anos), ainda é o mais maleável. É o mais fácil de agradar. Ano passado, no aniversário dele, aluguei cama elástica, fiz bolo de chocolate, mini pizzas, mini hot-dogs, pipoca, brigadeiros e, ao final da festa, distribuí bolas de soprar, cheias de água, para que bricassem. Cê deve imaginar a farra...Olha: eu não sei de onde apareceu tanto menino, que ele mesmo tratou de convidar. Dia seguinte, foi o assunto na escola. Fui elogiada e elogio de criança, deve ser levado em conta, como algo espontâneo.
Gostei do seu método de chamar menino. Se precisar, lançarei mão. Agora, acho que viagem em família tem muito mais a ver com vocês, do que festinha para sair na revista Caras.
Abraço!

Milena disse...

Ana,também tenho meus métodos com meu filho de 15 anos,outro dia ele colocou aquele funk(nem era tão assim,mas eu detesto barulho)no computador,para todos ouvirem.Reclamei e ele disse:-mãe,mas é maneiro!!Então respondi ah!é maneiro,então a próxima festa que eu for com vc,vou colocar sapato salto de cristal,calça da Gang e vou descer até o chão.
A resposta foi desligar a música rapidinho.Resultado imediato.Bjs

ana sinhana disse...

Milena, ainda bem que ele desligou o som, né? Já pensou se vc tivesse que cumprir o prometido? hehehehe
(eu vou de pijama, mas não saio do carro!)

La, essas festas domésticas são as melhores. Aqui em casa, sempre fizemos festa de quintal e eu curto tudinho, desde enfeitar até fazer o bolo e os brigadeiros. É cansativo, mas é tão melhor, né?
E as crianças curtem muito mais.
Aqui, a Bia curte umas coisas diferentes, então eles quase não pegam no meu pé (exceto quando saio do spinning de gorrinho pra não pegar vento...).
bjs

Sandra Rosa disse...

Oi, Ana!!
Adorei! Fico só imaginando a cara dos figuras, fugindo do possível mico!!
Você escreve que nem sorvete derretendo, dá vontade de ler tudo e se lambuzar!!!
Beijos!

ana sinhana disse...

Sandrinha! Que legal, vc passando por aqui!
Pois é, vc conhece bem os dois... imagina a cara, especialmente da Ana Bia, se apareço de pijama de flanela na frente dos amigos deles?
É o fim!
Beijão de saudades,
Ana

Ana Luisa disse...

Ana;

Me diverti muito lendo seu post.
Graças a Deus, os meus ainda são pequeninos e adoram as festas que preparo por aqui.
Vou curtir bastante até ser "convidada" para conhecer o "maior cajueiro do mundo" Hahahahahahaha.

Já votei no seu bolo.

Beijinhos
Ana