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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Quem vê cara, não vê coração...

Toda vez em que alguém, ao vivo e em cores, vem comentar comigo alguma coisa que leu aqui, eu me sinto como se estivesse vestindo (apenas) calcinha. E não exatamente uma que acabei de tirar da gaveta.
Por que é que fico tão absurdamente sem graça quando alguém fala ao vivo do blog?
Estranho como isso me afeta. Fico vermelha, sem jeito e nunca consigo tecer muitos comentários relevantes a respeito do que escrevo. Até porque só escrevo bobagens do dia-a-dia mesmo.
Já fui muito mais tímida e envergonhada, especialmente na adolescência. Lembro da primeira vez em que um professor, ao corrigir uma redação, veio falar comigo na frente da classe. Quase tive um infarto fulminante. O tema era folha em branco e eu pirei, escrevi como quem está no meio de uma crise de pânico. E o professor disse que eu escrevia bem, mas parecia uma velhinha de 90 anos reclamona e maluca.
Já no cursinho, estabeleci um vínculo engraçado com a corretora das redações. Na verdade, ninguém assinava as correções, mas eu assumi se tratar de uma mulher. Chegava a ser divertido esperar o retorno da correção, pois ela dialogava comigo sem fazer pressão alguma, me ensinando sem que eu percebesse. Eu absorvia as críticas e corrigia os erros sem drama.
Nunca conheci pessoalmente essa moça e talvez fosse esse o segredo da parceria, pois avaliações alheias nem sempre são palatáveis, por mais que a gente as denomine como críticas construtivas. E, ao vivo, as palavras são carregadas da entonação de quem as profere, tornando a coisa complicada de digerir.
É claro que nem sempre o comentário vem com a intenção da crítica (de fato, quase nunca). Na maioria das vezes, ouço coisas do tipo "já vi no blog" ou "e a sua geladeira de bolinhas?" ou, direcionado ao marido "então você tava no Rio semana passada?". Ou seja, nada demais, nada pra me incomodar. Mas fico sem jeito.
Talvez pela expectativa do outro de que eu deva devolver algo engraçado em troca. Ou melhor, pela minha expectativa de que o outro tenha qualquer expectativa sobre a falta de pretensão do que eu escrevo. Até porque não sou assim, cheia de presença de espírito. E nem pretendo debater o golpe de Honduras ou qualquer outra questão relevante no meu singelo blog.
Ou, ainda, talvez eu esteja me acostumando demais com o lado virtual das relações. E tenha virado uma hermitã-blogueira que se retrai ao menor contato humano.
Diz o dito popular que quem vê cara, não vê coração. E quem não vê nem a cara?
É possível mesmo chegar ao coração, para o bem ou para o mal, sem que as relações tenham contato, sem que sejam 'reais'?
Muito mimimi pra uma manhã só. Melhor continuar com a minha sem-graceza e deixar isso pra lá. E antes que o ombudsman aqui de casa venha se pronunciar a respeito: não, não acordei precisando de confete. E vou lá costurar porque uma pilha bem real de pano me espera.

18 comentários:

Vane Aguiar disse...

Olá Ana,

Eu ganhei um selinho muito carinhoso no meu blog e nas minhas indicações coloquei você por este maravilhoso trabalho desenvolvido aqui que acompanho a um ano e pouco!

Passa lá para pegar o seu presente
http://cabiveiseincabiveis.blogspot.com/2009/09/meu-segundo-selinho.html

Abraços fortes... e PARABÉNS

Srta.Formiga disse...

sinto a mesma coisa...é um sentimento contraditório mesmo, quero que me leiam e comentem, mas só no virtual, plissssss!

Fala mãe! disse...

Ana,eu te entendo muito, e pra falar a verdade tive alguns problemas com amizades reias que me fazem pensar que as virtuais são mais gratificantes. Sei lá se é porque sou meio anti social, mas adoro esse fascínio das amizades virtuais,e acho estranho misturar os dois mundos tb. beijos

Shilola disse...

Adorei esse post, Ana.
As vezes tenho a sensação, que por mais que eu escreva do jeito que eu falo (meus colegas de trabalho que acompanham o blog sempre falam isso), eu acho muito mais fácil escrever do que falar... E ultimamente to achando mais fácil encontrar amigos virtuais, que reais... É louco isso... Mas acho que entendi (de um jeito um pouco torto) o que vc quis dizer!
Bjocas virtuais!
Carol

Chirley Maria. disse...

Ana, não tenho o costume de ler suas historias, as vezes q visito seu blog vejo só os trabalhos q na verdade é o q me interessa pois tb trabalho com artesanato, costuras e etc e preciso (muuuuiiito) trocar ideias pq aqui na minha cidade sofro com a carência de pessoas para este fim... mas curiosamente ese post eu li! olha,já vi outras pessoas q até postam fotos dos filhos,eu pra ser sincera não acho recomendável se abrir assim num lugar como a internet, sou mineira... desconfiada... demais pode dizer! Mas hoje em dia acho tudo muito perigoso mesmo! mas se te faz bem falar de seus pensamentos talvez seja bom, mas se nem sempre te deixa a vontade... pondere!
de sua amiga virtual:
Chirley

Nani Veiga disse...

Eu também me sinto assim Ana,dia desses me marido comentou com uma amiga nossa do meu blog,e eu fiquei toda sem graça,depois ele perguntou se ela não sabia,eu disse não e ele não entendeu nada...
Mas é assim mesmo,penso que aqui seja nosso cantinho,refúgio ou sei lá o que,eu não escondo apenas não fico comentando...
Beijos
Nani

luciane disse...

Eu sinto o mesmo! É tão estranho quando alguém comenta pessoalmente sobre assuntos que trato no blog! E já me aconteceu de uma pessoa estranha me parar para contar que era leitora... fiquei muda!!!! kkkk
E também não tenho a menor pretensão de discutir temas ditos relevantes no meu cantinho, que é minha válvula de escape. Vai saber onde vamos parar... quem sabe realmente sejamos algum tipo de Urtigão pós-moderno? E olha que de tímida não tenho nada e nunca tive! Mesmo assim, acho confortável dialogar protegida pelo computador.
No mais, salvo quando tratamos de psicopatas, acho impossível uma pessoa mentir sobre si própria por muito tempo em um blog, dá para perceber quando o perfil do bem não cola. Desconfio e não gosto de quem nunca fala de si própria, apenas de trabalho ou qualquer outro tema, daí sim soa falso e perigoso. Não me sinto a vontade em blogs onde sequer temos uma fotinha para saber com quem falamos.
Questões que apenas o futuro vai responder, por enquanto continuo a curtir um monte este nosso mundinho virtual!
Beijos
Lu

Ana Wolff disse...

OLÁ ANA, ADOREI O SEU BLOG, ESTOU CONHECENDO-O AOS POUCOS ,MAS PELO QUE JÁ TIVE A CHANCE DE VER, ELE É CATIVANTE. PARABÉNS . ESPERO ESTAR SEMPRE POR AQUI, BJS. ANA WOLFF
JÁ TE ADICIONEI NA LISTA DOS MEUS BLOGS FAVORITOS!!!!
ANAWOLFF.BLOGSPOT.COM

Ana Medeiros disse...

Engraçado é que me sinto exatamente assim tb. Certa vez fui a um encontro de blogueiras e tinha ate vergonha de dizer que era a "Ana do Prendadas"...Rs. Te entendo perfeitamente!

Beijos

Fatima Guimaraes disse...

Oi Ana
Tem razão quando diz que ao vivo e a cores a coisa muda de figura..rsrsrs
Eu também prefiro escrever, adoro escrever cartas, se bem que hoje em dia isso acabou virando email...rsrsr
Escrevendo dá pra passar tudo que sentimos ou pensamos sem ser interrompidos e sem saber a reação de quem lê..rsrsrs
Ou seja...mesmo que saia muitas besteiras a gente não tá lá pra ver mesmo..!!!
Adorei a postagem, como já disse (disse?? ou escrevi??..hahahah)adoro a forma como voce escreve e até acho que deveria escrever um livro...
Beijos e boa costura..

Pedaço de Amor disse...

Eu sou assim, fico toda sem graça!

ana sinhana disse...

Oi meninas. Legal saber que muitas tem a mesma sensação que eu (assim não fico me sentindo solitária com as minhas caraminholas, né?).
Concordo muito com o que vc disse Luciane. Não me sinto à vontade pra acompanhar blogs que não mostram a cara. Acho que tem que haver personalidade por trás do que vemos, né?
E, Chirley, eu sou das pessoas que mostra a casa e um pouco da família sim, porque fazem parte da minha vida e isso não me incomoda.
Sei que tem muita gente que vem aqui apenas para uma bisbilhotada básica, mas acredito que o que faço seja bem mais que isso.
bjs

Claudia disse...

Engraçado isso que vc escreveu, porque de uma certa forma, tb me sinto assim. Não que eu seja famosa, mas acho estranho quando alguém vem me falar do blog, fico completamente sem graça. Ás vezes, me sinto como se levasse uma vida dupla - a Claudia pessoa real e a Claudia virtual, do blog.rs

beijos

Ah, te linkei, tá?

Eliene Vila Nova disse...

Amiga engraçado isso né?
Mas olha acho que quando criamos um blog é porque gostamos de compartilhar o que nos faz feliz, eu por exemplo conto muito mais da minha vida no blog do que na minha família, acho que a mamis nunca leu isso aqui, ainda bem,rsrs.
Ah mas o bacana da blogosfera é conhecer "virtualmente" pessoas especiais como você.
sou sua fã.
beijos

k.emi disse...

olha Ana vc escreve muito bem...! voce tem um senso de humor e um estilo todo proprio...mas deve ser engraçado se deparar com pessoas te parando na rua..rs parabéns..! eu confesso que ri muito quando se comparava a um temaki..rsss só voce mesmo....bjs!

Dorinha Junqueira disse...

Nossa, eu também sou super timida, na net eu me solto, mas pessoalmente eu viro outra pessoa..
até por isso não fiz facul, não conseguia me soltar, rs

mas não ttem q ter vergonha mais não, vc é uma ssuper artista!!

beijos

Laély disse...

Ana: li seu post e todos os comentários. Assim como as outras, identifiquei-me demais com o que escreveu( e a sua corretora de redação ajudou muito, porque sabe que escreve bem)!
Outro dia, saí para a minha caminhada habitual com o cachorro e fui parada por uma moça, perguntando se eu era a Laély, do blog. Fiquei toda desconcertada.
Sinto muita vontade de conhecer algumas amigas virtuais, na real. Mas aí, bate aquela insegurança, pois sou uma "sem-graceza" no falar e até, chego a gaguejar, às vezes( embora, tenha conseguido muitas vitórias sobre a minha timidez, no que o blog tem me ajudado bastante, também). Temo que a pessoa do outro lado, possa ter expectativas que eu não venha a preencher.
Quando era um pingo de gente, a primeira coisa que disse que queria ser, quando grande, era: escritora. Sei lá , por quê! Talvez agora, que tenho um blog, é que esteja entendendo que essa é uma forma moderna de finalizar aquele projeto da infância. Isso inclui, construir uma nova forma de amizade e relacionamentos virtuais.
Olha, eu seria uma das que gostaria de lhe conhecer pessoalmente, como a um astro da música que aprecio: sei que é bem real, que faz coisas bonitas de que gosto e que me emocionam, mas que está tão fora do alcance da minha realidade!
Falando em você, estou numa campanha particular de "não à procrastinação". Ontem à noite, disciplinei-me a começar o seu caderninho e hoje, finalmente, acabei o serviço! Fiquei contente por conseguir, pois se há uma coisa que odeio, é prometer e não cumprir! O prazer será grande, além de honra pra mim, ver você usando algo que fiz. O seu endereço, ainda é o mesmo? Vou ver se dá pra fotografar e mandar pra você ver, antes de chegar, mas aviso, assim que despachar.
Um abraço virtual de alguém que lhe admira, na real!
Laély

Kelly Reis disse...

Ana, ainda não tive a experiência de ser abordada por alguma leitora e sinceramente não sei como reagiria.
E lendo algumas opiniões aqui (incluindo a sua) percebi que meu blog não tem uma foto minha e que talvez isso possa incomodar. Vou providenciar isso.
Obrigada pela dica, bjs