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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Coração emprestado


Essa semana os filhos grandes foram viajar com a turma de escola para comemorar o fim do ano, aliás, do 9° ano. Sem dúvida, um marco na vidinha deles, que já estão sentindo o peso das mudanças que virão.
E eu fiquei aqui, com o coração na mão. Não sei bem quando, mas acho que me transformei na minha mãe, aquela chata que me mandava carregar agasalho, guarda-chuva. Que implicava com meus amigos esquisitos e torcia o nariz pras minhas amigas de tênis encardido.
Na verdade, acho que sei quando a transformação começou. Quando o caçula nasceu, há mais de sete anos atrás, eu estava daquele jeito de quem recém pariu: disforme, chorona e com os peitos pingando leite.
De todas as maravilhas de ser mulher, tem coisa menos sexy do que aquele algodãozão enorme de colocar no peito quando vc tá amamentando? Pior que isso, só a cinta-segura-a-pança-que-vai-cair. Nem mudando o nome daquele bege horroroso pra "nude" o treco fica bacana.
Enfim, estava eu péssima no meu pós-momento sublime, que ficou pior ainda porque tive paralisia facial logo depois do parto. E eis que um dia fui levar o carro para lavar, tarefa do cotidiano que vira um momento de lazer maravilhoso quando você tem que dar de mamar a cada 3 horas.
Deixei o carro e fui tomar um café. Quando volto, o menino do lava-rápido me surpreende com uma conta com uma valor bem maior do que eu costumava pagar. E, claro, achei que estava errado e perguntei o por que daquele exagero. E o moço responde: "dona, você tem um furgão!"
Paguei a conta, entrei no meu "furgão" e voltei pra casa chorando feito idiota. E pensando que ainda ontem estava me formando e, de repente, tenho 3 filhos, 1 marido e 1 furgão!
Daí pra frente, assumi de vez. Mergulhei de cabeça no papel, sem medo de ser feliz. E fui subitamente dotada de super poderes telecinéticos, adivinhatórios e meteorológicos. Se sai da minha boca um "leva agasalho que vai esfriar", mesmo no maior calor, a frente fria chega. Isso sem falar no guarda-chuva (ser mãe é ter linha direta com São Pedro, gente!).
Brincadeiras à parte, sei que enchi o saco dos dois, falando de todos os perigos naturais, sobrenaturais e sexuais. E eles fizeram a mesma coisa que eu fazia, reviraram os olhos, dando uma bufadinha de leve e se entreolhando.
Não sei bem o que se passa, mas nem me sinto constrangida como um dia pensei que ficaria, se estivesse no lugar da minha mãe. Sou daquelas que dá bronca na frente dos amigos (aliás, dou bronca nos amigos também) e que fala dos assuntos constrangedores à mesa (se bem que marido é muito mais expert nisso do que eu).
Talvez haja coisas que não mudem de geração em geração. E ser mãe, e toda a dor e amor que vem junto com a maternidade, é uma delas. Se tivesse uma receita de ser mãe, diria que ela é daquelas mais tradicionais, amarelada pelo tempo e escrita à mão em pergaminho.
E ter os filhos longe, em lugar desconhecido, é mais ou menos como mandar o coração emprestado, embrulhadinho no papel da receita ancestral. Não tem jeito, terei que me acostumar, eu sei. E nem tenho nenhuma frase de efeito, nem nada engraçado para terminar esse texto. Simplesmente porque ainda não sei onde tudo isso termina.

31 comentários:

Marina disse...

Lindo texto! Eu estou começando a minha jornada e meu bebê de 10 meses está doente pela primeira vez... e meu coração apertado, apertado. Nem imagino como vai ser quando ele viajar sozinho pela primeira vez. Acho que receita de ser mãe é daquelas bem antigas mesmo, que passa de mão em mão. A gente vira mãe e as mães viram avós, e aí é uma receita completamente diferente, rs. Parabéns Ana, pelo blog lindo, pelas coisas lindas que vc faz e pelo texto emocionante.

Cris Paz disse...

Ai Ana... acho que depois do despertar, esse sentimento sempre irá te acompanhar (rs). Não sou mãe, mas tenho uma! E até hoje, ela pede para eu e o Ale ligarmos quando chegarmos em nosso destino. Claro, que agora ela tem um jeito diferente de falar. E até hoje a gente obedece!!!! Fica tranquila com seu coraçãozinho de mãe fofa!
bj

eleonora disse...

nem me fala, é duro! parece que o coração da gente saiu do corpo e fica anandofora até os filhos entrarem em casa novamente! pelo menos sabemos que outras também sentem o mesmo... beijo pra ti

Fala Mãe! disse...

Oi Ana! Gostei muito do post. Sabe que também acordo as vezes e levo um susto: onde estou e quem são essas crianças? rsrs parece que ontem mesmo estava dormindo na minha beliche da república e acordei aqui cheia de filhos rsrs...
Também sei que tenho reações iguais as da minha mãe, reações que eu abominada como os surtos que ela tinha diante de brigas e birras. É assim mesmo, de geração para geração, até mesmo os piores legados. E filhos viajando sozinhos? posso imaginar sua agonia, me dá nervoso até de pensar... Que Deus nos guie!beijos querida

Sheila Franco disse...

Oi ANA!!!

Sei bemcomo se sente,meu filho mais velho vira e mexe tb vai viajar comos amiguinhos pela escola,e tb faço o mesmo que vc,acho que se pudéssemos viraríamos uma mosquinha para ir junto com eles,mais temos que nos acostumar pois,isso é a lei da vida e temos que criar filhos pro mundo.Vamos ficar bem,vc vai ver.

Bjs

Vanessa Valadares disse...

Ai Ana..ainda não sou mãe, mas sempre que aminha mãe falava leva blusa...eu levava, pq podria tá o maior calor que como vc disse, a frente fria chegava.
Coisas de mãe né.
Beijokas

Dri Morango disse...

Ana,
Não dá para explicar... mãe é mãe!
Não queremos parecer com a nossa, mas no fim é lá (ou muito perto) que terminamos.
Ser mãe é amar, se preocupar,acarinhar, mas também brigar. E se mãe não tiver seu lado "chata", quem os filhos culparão mais tarde? E como os terapeutas ganharão dinheiro? rsrs
Devido a várias razões, vejo minha filha andando de ônibus interestadual e avião sozinha desde os 10 anos. Tive que morar longe dela 3 vezes (3 meses, 6 meses e depois quase um ano. Agora ela está comigo novamente.
Foi uma experiência difícil para nós duas, mas vejo que ela cresceu.
Agora eu a vejo passar no vestibular e planejar (para o ano qu vem) uma viagem para os EUA e depois para o Japão.
Confesso que nem esse tempo que passamos longe uma da outra me preparou para a distância que há de vir.
O que me deixa feliz é ter a certeza de que ela está crescendo e fazendo sua parte neste mundão (que a nossos filhos pertence).
Prepare-se, pois mais virá, mas vc dará conta.
Deus dá uma força extra para as mães.

Onde isso termina? Onde começou... no amor!

Amei seu post.
Agora que eu vi... acabei fazendo um também. rsrs
Ssorry, mas foi de coração.
Bjs

Erika disse...

Ana, mais uma vez tenho de dizer: que delícia de texto!
Sabe que depois do meu segundo texto, também me descobri a chata que não deixa tomar gelado, que acha que vai chover e que fala toda hora : "cuidado, menino!"
Mas também passei a dar mais valor á minha mãe e a pensar que zelar é amar.

beijos!

Erika disse...

eu quis dizer "meu segundo filho!"
hihihi, que doida!

Milena disse...

Nossa,como eu entendo o que você escreveu...E eu ainda tenho o meu coração todos os dias sobressaltado pois além de ter que deixá-los ir,o lugar que eles vão e vem é a cidade maravilhosa(só pelas novelas).Então é uma luta,um exercício e como você mesmo diz sem saber aonde termina.Acho que não termina nunca,enquanto somos mães e eles filhos.
Bjs

Michelle Sales disse...

Oiii Ana mto lindo seu texto...adoreiii sue blog, e as coisas que vc faz são lindíssimas... amei td!!!

Virei seguidora e vc está na lista dos blogs que eu amo...

Bjão.

gamela presentes disse...

Cada vez mais sou sua fã.
Lindo texto, e tenho certeza que todas mães, mulheres, batalhadoras, esposas, donas de casa e guerreiras se identificaram.
Vou ver se domingo apareço na Panacéia e gostaria de te dar um beijinho.
Fátima.

Ale Jardim disse...

Ana querida,
estou no mesmo barco!!!
só que tu, conseguiu transformar essa 'insônia' em poesia...
grande beijo
e até a volta desses nossos amores.
Ale

Luci disse...

Demais Ana, eu acompanha seu blog ha tempos e nunca comentei, mas esse texto eu precisei. Também tenho uma filha de apenas 3 anos, mas já me sinto mega-mãe-careta desde que ela nasceu! Acho que não tem jeito, viu? O tempo passa e como já dizia aquela linda música da Elis... "Apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos... como os nossos pais".

Marina Mott disse...

Ana, eu tenho que contar: meus filhos hoje já t~em 24, 22 e vinte, tudo grande (prá gente é tudo igual, só o foco é q muda!). mas quando a caçula foi pra escolinha eu que tive que fazer adaptação (kkkk). Achava q não iam cuidar direito, q era muita criança e tal. Veio o primeiro passeio: jardim zoológico. Tudo bem, super resolvida deixei ir. Segui o ônibus, segui a excursão (literalmente atrás das moitas) e quando chegou a hora da tia reunir o povinho para entrar no ônibus, corri para o meu carro e fui voltando por minha conta, tão espantada de como eu era diligente! O ônibus chegou na escolinha, as mães felizes pegando seus pimpolhos e eu absolutamente perdida, sem achar o caminho de volta e a minha filhota de mãe tão diligente aos prantos na escola por causa do meu atraso. Aí inventaram a expressão MICO!!!! Bjs, aproveita os filhotes e lindos corações!!!

Patricia Cardoso disse...

Ana, q texto lindo! v ontade de te dar um abraço de agradecimento, por vc se compartilhar de forma tão bonita! Bjs à distancia! =)

c r i s disse...

Ai Ana, nem me fala! Ás vezes vê-los crescer parece areia na mão, vai escorrendo pelos cantos sem a gente conseguir controlar...Se dói prá eles amadurecer, prá gente então... nem sei! E você tá certa, a gente sente mais com o pequeno, porque sempre está se despedindo das fases...É a vida... Bjo

Laura disse...

Que texto maravilhoso! Ser mãe é isso ai, não tem como ser diferente, o tempo passa ...., mas o sentimento de mãe é sempre o mesmo - porque mãe é mãe. Bjs no seu coraçãozinho apertado ou "apartado de ti".

harumi disse...

mãe é mãe, em todo lugar e tempo, não é? não posso opinar sobre isso agora (volto daqui a uns anos...).
mas seu texto é lindo e delícia de ler! ever!
beijocas no seu coraçãozinho.

rosana sperotto disse...

Essa história não termina, Ana querida, e como dizia minha tia mais velha, elas são sempre as mesmas, só mudam os personagens. Senti assim te lendo e me pegando com uma saudade sem-fim do tempo do peito inchado de leite e todos os incômodos que se esquece, e da ternura maior que é o olho no olho com nosso filhote enquanto ele sacia a fome, e nós, nos deliciamos com esse amor que nos alimenta para sempre. Beijo

Priscilla disse...

Oi, hoje visitei seu blog pela primeira vez e me deparo com esse texto que me faz pensar, pensar e sofrer por antecipação!
Como.. meu filho viajar com amigos da escola?? Ai meu Deus! Tomara que a vida vá nos ensinando essas coisas aos pouquinhos.
É, ontem estava na faculdade, e hoje tenho um filho de 2 anos (que é minha vida) e estou preocupada (sozinha e quietinha) pois posso estar grávida novamente, não que eu não queira, mas já ouvi TANTO quando decidi abrir mão de trabalhar fora para cuidar de meu filho e fazer minhas coisas em casa que fico só imaginando o quanto ainda vou escutar... da família, de algumas amigas... Ai ai. E quantas vezes ainda vou ter aquela vontade louca de puxar a cordinha do busão pra eu descer!

Parabéns pelo blog, pelos textos e também pelas coisinhas lindas!!!

:)
Até Mais
Priscilla

Adri disse...

e nem deveria saber!...
ótimo texto! amei!

Simone Izumi disse...

Uow, detonou no texto.
Me senti de novo você...com ou sem furgão..;D

bjos
si

Susi disse...

Ana,junta a Laély e Rosana e por favor escrevam mas escrevam muito.,adorei,ri muito,li reli seu texto.
bj

Kátia disse...

Fala sério!!!!! Vc estava inspirada, hein?!?!Nem tenho filhos no 9º ano (só no 8º) e me emocionei!!!!!!!!
Adorei seu texto e na forma como vc explicou o q é ser mãe!!!!

Bom finde !!!!!

Kátia
tudodbomptocom.blogspot.com

Inusitados acessórios disse...

Que texto lindo, Ana!
Ainda não sou mãe mas me emocionou!
Beijos!
Bruna.

●๋• Ju ●๋• disse...

Perfeito seu texto, e olha q nem mãe eu sou ainda... Mas já me imagino assim, pq já vou treinando como tia, e sempre escuto uns "tiiiiiiiaaaaaa" querendo me censurar ahahahahaha
Muito lindo mesmo o q vc escreveu...
Bjokas
=***
^^

Rosângela disse...

Ana querida... Quando eles forem pra faculdade a gente senta, toma um chá com bolo e conversa mais um pouquinho...
Filhos proporcionam tudo na vida da gente! Nesta mistura de emoções aprendemos a crescer como pessoas. Dói. Mas são experiências únicas. Conheci seu blog hoje. Gostei da sua transparência.
Um super abraço

Dapocalypse disse...

Ana,
Sou nova no seu Blog, me veio o texto por intermédio de uma amiga.... Simplesmente me identifiquei de cara como texto.... mãe de 3 meninos, gêmeos de 2 anos, o mais velho agora mora longe c/ o pai, e me vi na mesma situação milhares de vezes... Depois de ler, fui checar o seu site enovamente me identifiquei - adorei tudo o que vc faz.... E mais.... Vi que sua loja faz parte da Rede Tanlup.... Acredite ou não, tudo o que eu procurava....Você gosta dos serviços dele? Funciona pra vc? Gostaria muito de saber, estou pensando em criar uma loja come les.... Parabéns, e Obrigada e vou continuar te seguindo....

Ana Matusita disse...

Oi Danielle,
o tanlup funciona super bem, eu gosto muito!
Abraço,
Ana

Déia disse...

Ai que delícia de texto...
Animou meu dia por aqui!
bj grande :)