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quinta-feira, 30 de julho de 2009

XXX na terceira idade

Nunca tive voz boa pra cantar, nunquinha. Já tentei fazer aula de canto mas acabei deixando pra lá, tem coisas que não têm conserto. Definitivamente, esse dom Deus não me deu. E quando vejo minha filha cantando, desde pequenininha, sei que não contribui em nada (ufa!) nesse aspecto da genética.
Mas, se não tenho voz de rouxinol, acho que devo ter um ouvido cósmico, bem tipo orelhão mesmo, que escuta tudo resignadamente sem ter como sair do lugar.
Explico: vira e mexe alguém desconhecido puxa assunto comigo em filas, salas de espera, até na aula de spinning. E eu fico ouvindo as maiores barbaridades, coisas absurdamente íntimas, muitas vezes em situações das quais não posso escapar. Quase morro de vergonha alheia, porque é o tipo da coisa que acho que nunca faria.
Outro dia, pagando uma conta na fila da lotérica, uma senhora de uns 60, beirando 70, puxa papo comigo, perguntando se eu gostava dos serviços da TV por assinatura (era essa a conta). E eu sim, claro, gosto, é bom, variado e blá. E ela começa a meter a boca nos canais, abertos e não-abertos, repletos de baixarias. E eu divago, pensando em comida (sempre que a conversa não me interessa, fico com uma fome súbita, pensando em cardápios variados e dos mais exóticos).
Muito assunto lugar comum depois, ela resolve explicar que toda aquela raiva era porque o senhor marido dela andava levantando, lá pelas tantas da madrugada, pra curtir programas XXX, coisa que não acontecia nos idos tempos de antigamente. Isso tudo contado em alto volume, no meio da fila, sem ser com essa delicadeza de quem vos fala. Parei de pensar em rango, porque o papo estava ficando constrangedoramente interessante.
E a vovó continuou, falando que devia ter se separado quando ainda era jovem, que o marido tava ficando tarado depois de velho, que onde já se viu ficar olhando aquelas vulgaridades e por aí vai.
Escutei tudinho, com a mão no queixo e meu melhor olhar vago de terapeuta freudiano, sem esboçar nenhum comentário até chegar minha vez na fila.
Quando fui me despedir, ela segurou meu braço (acho que inconformada com a falta de resposta) e perguntou: "minha filha, vc que é jovem, acha o que disso"?
E eu? Well, nem sempre é possível dizer tudo o que nos passa pela cabeça mas não resisti. Falei que ela era uma senhora muito sortuda, que deveria colocar o despertador pras 2 da matina e curtir junto com o vovô (o moço logo atrás dela na fila deu uma risadinha).
Afinal, em tempos de viagra e TV à cabo, dormir cedo pra que, vovó?

terça-feira, 28 de julho de 2009

ainda as cores de inverno...

Os dias andam cinzentos e úmidos lá fora. Mas, no ateliê, um mundo de paninhos coloridos de maçãs e frutinhas tomou conta da bancada (quando terminar, prometo que fotografo). É uma encomenda bem especial.
Enquanto isso, deixo aqui mais carteiras nas cores de inverno, que não precisam ser necessariamente cinzentas. Que tal um azulzinho com marrom ou verde com toques coloridos pra alegrar o dia?


ana sinhana

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Sentir-se em casa



Passamos os últimos dois dias na Paulicéia Desvairada, gastando sola de sapato, encontrando amigos e, por último, conhecendo esse museu bacana aqui.

Antes, eu reclamava bem mais de saudades de São Paulo. Embora não tenha nascido lá, fui morar na Vila Madalena ainda pequena e não tenho lembranças de outro lugar de infância. Lembro de ir ao Mappin pras compras de Natal com a minha mãe, de comprar LPs na Mesbla, tudo bem lá no centrão. E sempre achei que essas memórias bastavam pra me sentir pertencente a algum lugar, pra dizer de onde vim e qual é minha raiz.

Mas o fato é que ficamos num hotel na avenida S. João e ao andar por lá com meus filhos, vi cenas de dar vontade de voltar correndo pra casa, de tanta tristeza. Meninos de olhar eufórico e vazio estendidos pelo chão, correndo entre os carros apressados, fumando crack. Coisas de cortar o coração. Coisas comuns numa grande cidade dos dias de hoje.

Depois que tive filhos, vi que dificilmente voltaria a morar em SP. Ontem, essa certeza foi ainda mais forte. Meus filhos são caipiras, no melhor sentido da palavra. E a infância deles, tão protegida e bem cuidada, nunca seria a mesma por lá.

Hoje, já em casa, senti falta de coisas de infância. A minha não foi lá das melhores, embora não fosse culpa da cidade, que nem era tão carregada de violência como é hoje.
Mas, buscando lá no fundo do baú, as melhores memórias que guardo não são as paulistanas e sim das férias, bem longe do barulho, lá na casa da vó Amélia e do vô Mário.

Meus avós me criaram por um tempo e voltar pro abraço deles era bom demais. Percebi que é junto deles que guardo aquelas lembranças especiais de menina, cheias de cheiros e detalhes que não se esquece.
Lembro das gavetinhas da máquina de costura, de colocar bobs no cabelo da vó (que dizia que não era qualquer um que podia pôr a mão na cabeça dela), do biscoito de polvilho frito, do doce de banana, do vô me levar pra tomar caçulinha de guaraná no bar, da saracura de estimação, brava e ciumenta de dar medo.

Tudo tão bom, tão precioso e, ao mesmo tempo, tão simples. Quando sonho com eles, acordo com a sensação de ter ganho um presente especial, como se tivesse sido abraçada e ninada a noite toda no melhor dos colos. Isso sim é sentir-se em casa, pois é o máximo de aconchego e amor que há. E eu demorei a entender que nenhuma cidade traz isso, nenhum lugar do mundo guarda isso.

Então, nessa tarde gelada e chuvosa, resolvi aproveitar as bananas maduras da fruteira e fazer bananada, só pra lembrar deles. Sempre tinha um vidro cheio de doce de banana cheinho na casa da dona Amélia. Era o melhor de todos: bem escuro, espesso, cheiroso demais. E, nas minhas primeiras experiências culinárias, eu sempre tentei e nunca consegui fazer igual. Já adulta, perguntava porque o doce dela ficava marrom escuro e o meu não. Achava que, talvez, fosse o limão, e colocava mais. E nada de dar certo. E ela sempre desconversava, com aquele ar blasé de cozinheira que adora receber confete e finge que não é nada.

Quando minha avó já estava bem velhinha, perguntei de novo. Ela deu uma risadinha impaciente e disse: "que limão que nada. Eu coloco é uma colherona de Nescau". Típico dela, minha amada, saudosa e marota avó que, sem se dar conta, me ensinou o valor da simplicidade e das pequenas coisas.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Cores de inverno

Os dias andam gelados e cinzentos por aí. A água que sai da torneira parece que veio direto do freezer. Dá vontade de ficar no edredon quentinho.
Mas inverno sem frio não vale. Então, vambora curtir o que dá pra se fazer de bom nessas férias geladas:

1. Acordar (só um pouco) mais tarde, mas sem culpa;
2. Fazer bolo de chocolate pro café;
3. Ler aquele livro bacana debaixo das cobertas;
4. Passar o dia de pantufa;
5. e, no meu caso, colorir as necessáires com cores de inverno!







Bom frio!

sábado, 18 de julho de 2009

Arrey, Baba! Novela, livro e filme!



Há tempos não acompanho novelas, simplesmente porque não tenho a disciplina necessária para ligar a TV no mesmo horário todos os dias. Mas confesso que gosto muito dos vilões ardilosos do Gilberto Braga (Odete Roitmann é inesquecível).
Nos últimos dias, na casa da sogra, me diverti vendo a tal novela "indiana" das nove, com seus cenários plastificados e bordões que rapidamente viraram mania nacional.
Por coincidência, levei na bagagem o livro Sua resposta vale um bilhão, de Vikas Swarup e a comparação foi inevitável.
A India global parece rescender o tempo todo a cardamomo, canela e demais especiarias, reluzir em seda e pedras preciosas. Já no livro, a India descrita pelo menino de rua Ram é fedida e suja, com esgotos à céu aberto, mães lavando louça na água contaminada da favela de Dharavi e crianças nuas brincando no meio do lixo.
Apesar do cenário, assim como na novela o livro diverte por ser fantasioso e a narrativa é uma clara referência a Sherazade em suas mil e uma noites, pois o menino conta sua história como única forma de sobreviver à acusação de ter fraudado o programa de televisão do título, em que acertou todas as perguntas ganhando 1 bilhão.
Ram Mohammad Thomas é a síntese do anti-herói picaresco desde o nascimento: órfão, é adotado pelo Padre Thomas, que o batiza de forma a agradar hindus, muçulmanos e anglo-cristãos. De desventura em desventura, sua ingenuidade infantil dá lugar a toda sorte de atitudes na luta pela sobrevivência. E é nas mais inusitadas situações que as respostas que valem 1 bilhão chegam até o garoto, cuja ambição maior não era o dinheiro, pois Ram, apesar das mazelas que vive, é uma espécie de salvador, que ajuda ao próximo sem grandes expectativas.
Vivendo em eterna necessidade, em dado momento Ram se questiona sobre o vazio de ter todas as vontades supridas, sobre o vazio da falta de desejo, numa crítica aos excessos da cultura ocidental. Por outro lado, é interessante perceber que, apesar das rixas entre castas e religiões, há a noção de que a fama e o dinheiro superam as diferenças, no melhor estilo Bollywood.
Aliás, aprendi no livro que o termo Bollywood, cunhado para descrever a nova indústria cinematográfica hindu centralizada em Mumbai, refere-se à Bombain (antiga nome de Mumbai) e, claro, Hollywood.
Não tenho grandes vontades de conhecer a India, mas o tour oferecido pelo livro é extremamente rico e, ao mesmo tempo, divertido. Há tempos não vejo um personagem tão cativante como Ram. Deu vontade de ver o filme (Quem quer ser um milionário). E, talvez, dar mais uma chance para a novela.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Para abrir o apetite!

Que eu sou apaixonada por coisas de casa e que ando in love com a minha casa não é novidade. Adoro novidades e, se puder fazê-las, melhor ainda.

Como estou longe de casa desde sexta, bateu saudade. Então, aproveito para mostrar os novos lugares americanos ana sinhana lá na minha cozinha. Esses já foram alegrar outra mesa há um tempinho, e eu ainda não havia conseguido mostrar aqui (shame on me!). Mas a produção não pára e logo terei uma nova leva.


Alegres e coloridos, todos tem bolsinho lateral pra guardar talheres e guardanapo, com estampinhas de comida (frutas, xícara, talheres). Se a hora da refeição tem que ser um dos momentos mais prazeirosos do dia, um jogo bonitinho para acomodar um prato caprichado já é meio caminho andado pra abrir o apetite!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Elefante colorido! Que cor?

Elefante branco de bolinhas, of course!



Anteontem à noite, num momento muita coisa pra fazer e pra pensar, fiz o que sempre me vem à cabeça nessas horas: procrastinei. Sim, sempre tenho idéias excêntricas e mirabolantes quando o trabalho se acumula e o tempo é curto.
Tá, não foi tão mirabolante assim, talvez só um tico excêntrica. Mas o fato é que encanei com o branco da geladeira (será que é caso de médico?).
Como sou prevenida, tinha um pedaço de vinil adesivo, do tipo Contact e comecei o trabalhinho de 3a. série: recortei bolinhas de dois tamanhos et voilá, enfeitei a geladeira com meu padrão preferido, poás (ou pois, como queiram).
E tenho que dizer que relutei um tanto em colocar a foto aqui, pois sofro e fico me sentindo "a" doida sempre que alguém do mundo real puxa o assunto do blog numa mesa de bar, ou no meio de uma festa. Fico vermelha até as orelhas.
Então, aos amigos queridos, maridos de amigas queridas, minha intenção nunca é subverter ninguém, nem dar a idéia de transformar os lares de vcs numa fuzarca colorida como a minha casa. Pensem assim, amigos: o vinil sai tão fácil que, se hoje a geladeira tem bolinhas, amanhã poderá ter pinguins cor-de-rosa. Por que não?
Agora, sobre compartilhar as bobagens coloridas do meu dia-a-dia aqui pra sei lá quem ver, resolvi seguir o conselho do marido: "se for pra ninguém ler, escreve num papel e guarda na gaveta!"
Meus segredos preciosos, guardarei comigo. As cores, continuo compartilhando aqui.
E bom final-de-semana!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Chuva colorida




Sim, a cortina nova do ateliê tá comprida, preciso cortar. Mas achei tão linda que ainda não deu coragem. E os fios assim caídos pro lado de fora da janela me lembraram da nuvem particular da Viv, que chove colorido.
Enfim, pequenos prazeres pros olhos que só fazem bem. Afinal, quem quer uma vida em tons de cinza?

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Verde e marrom




Carteiras Paisley e Flower, ambas em verde e marrom, disponíveis lá na quitanda.
ana sinhana

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Maxi






A Maxi bolsa Quitanda marrom e os apliques de abóbora são de uma grande amiga (em todos os sentidos). Aliás, uma amiga que cultiva as maçãs e abóboras mais lindas que já vi!


Para conhecer o trabalho da Lu Gastal e da Mara Porto, não deixe de visitar o stand dessas duas talentosas lá na Mega Artesanal, até dia 05. No espaço, além dos trabalhos das duas, também tem carteiras e bolsas ana sinhana.