Páginas

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Bazar Severina & Amigas

Os gatinhos mais fofos do pedaço estão em clima de esquenta (alguém ainda fala isso?) para super esperado e fabuloso Bazar Severina & Amigas.
Como o próprio nome diz, tenho a honra de ser uma das amigas chique-chique da Severina, ou melhor, da queridona Pri Rigoni, que vai abrir as portas do seu ateliê para um sábado de delícias:

Repetindo as palavaras da Pri:

"ESSE VOCÊS NÃO PODEM PERDER!!!

Tem muita coisa linda e gostosa, e cheirosa, e mimosa!
Tem manicure, gente!! LUXO!!!
Tem comidinhas e bebidinhas suuuper especiais!
Tem oficina de fantasia para os pequenos!!! FOFURA!!!!!
Tem presente pra toda a sua listinha!!!
Tem muito mais!!
Não percam!!!
Vamos adorar receber pessoas queridas!!!!"

Clique e veja como chegar.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Catlove!


Para quem ama felinos.
E para quem ainda não ama também, porque é impossível resistir a essa fofurinha. Com a vantagem de não miar, não entrar no cio e nem afiar as unhas no sofá!
Em breve, mais uma sinhanice em cores e estampas variadas.
Bom findi!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Coração emprestado


Essa semana os filhos grandes foram viajar com a turma de escola para comemorar o fim do ano, aliás, do 9° ano. Sem dúvida, um marco na vidinha deles, que já estão sentindo o peso das mudanças que virão.
E eu fiquei aqui, com o coração na mão. Não sei bem quando, mas acho que me transformei na minha mãe, aquela chata que me mandava carregar agasalho, guarda-chuva. Que implicava com meus amigos esquisitos e torcia o nariz pras minhas amigas de tênis encardido.
Na verdade, acho que sei quando a transformação começou. Quando o caçula nasceu, há mais de sete anos atrás, eu estava daquele jeito de quem recém pariu: disforme, chorona e com os peitos pingando leite.
De todas as maravilhas de ser mulher, tem coisa menos sexy do que aquele algodãozão enorme de colocar no peito quando vc tá amamentando? Pior que isso, só a cinta-segura-a-pança-que-vai-cair. Nem mudando o nome daquele bege horroroso pra "nude" o treco fica bacana.
Enfim, estava eu péssima no meu pós-momento sublime, que ficou pior ainda porque tive paralisia facial logo depois do parto. E eis que um dia fui levar o carro para lavar, tarefa do cotidiano que vira um momento de lazer maravilhoso quando você tem que dar de mamar a cada 3 horas.
Deixei o carro e fui tomar um café. Quando volto, o menino do lava-rápido me surpreende com uma conta com uma valor bem maior do que eu costumava pagar. E, claro, achei que estava errado e perguntei o por que daquele exagero. E o moço responde: "dona, você tem um furgão!"
Paguei a conta, entrei no meu "furgão" e voltei pra casa chorando feito idiota. E pensando que ainda ontem estava me formando e, de repente, tenho 3 filhos, 1 marido e 1 furgão!
Daí pra frente, assumi de vez. Mergulhei de cabeça no papel, sem medo de ser feliz. E fui subitamente dotada de super poderes telecinéticos, adivinhatórios e meteorológicos. Se sai da minha boca um "leva agasalho que vai esfriar", mesmo no maior calor, a frente fria chega. Isso sem falar no guarda-chuva (ser mãe é ter linha direta com São Pedro, gente!).
Brincadeiras à parte, sei que enchi o saco dos dois, falando de todos os perigos naturais, sobrenaturais e sexuais. E eles fizeram a mesma coisa que eu fazia, reviraram os olhos, dando uma bufadinha de leve e se entreolhando.
Não sei bem o que se passa, mas nem me sinto constrangida como um dia pensei que ficaria, se estivesse no lugar da minha mãe. Sou daquelas que dá bronca na frente dos amigos (aliás, dou bronca nos amigos também) e que fala dos assuntos constrangedores à mesa (se bem que marido é muito mais expert nisso do que eu).
Talvez haja coisas que não mudem de geração em geração. E ser mãe, e toda a dor e amor que vem junto com a maternidade, é uma delas. Se tivesse uma receita de ser mãe, diria que ela é daquelas mais tradicionais, amarelada pelo tempo e escrita à mão em pergaminho.
E ter os filhos longe, em lugar desconhecido, é mais ou menos como mandar o coração emprestado, embrulhadinho no papel da receita ancestral. Não tem jeito, terei que me acostumar, eu sei. E nem tenho nenhuma frase de efeito, nem nada engraçado para terminar esse texto. Simplesmente porque ainda não sei onde tudo isso termina.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Kit Apagão



Para quem perguntou, já tem lá na loja dois Kits Apagão, uma mais fofo que o outro!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Uma luz!

Tem horas em que os nós por aqui ficam tão intrincados que é difícil desenrolar sozinha. E um ateliê de costura não poderia ter outra padroeira, senão ela, né?
O oratório com a Desatadora agora ganhou do ladinho um presente para enfeitar e guardar as velinhas e fósforo.

Se vc não é devoto, o kit apagão tem a utilidade prática de dar aquela luz quando as turbinas de Itaipu falham. Além de ser um charme na hora de escolher aquela lembrancinha natalina.

Nem sempre é hora de pedir luz. Mas sempre é hora de agradecer a luz, mesmo que ela esteja lá no fim do túnel.
Então, acenda uma vela, um incenso, ofereça flores. Faça um prece, recite um mantra. Tenha fé.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

News

Queridos e queridas, essa semana começa o Bazar Panacéia 2009, numa das lojas mais bacanas da Vila Madalena.

Os pinguins mais fofos do Pólo Norte estarão lá, prontos para alegrar as geladeiras descoladas nesse Natal.
E, por falar em pinguins, hoje deveria haver uma prometida atualização dos fofos lá na loja, mas não consegui por alguma impossibilidade técnica não-identificada. Então, para maiores informaçoes, entrem em contato:
atelier.sinhana@uol.com.br





domingo, 22 de novembro de 2009

Primeiro vestido


Já disseram que o primeiro sutiã a gente não esquece. Mentira, nem me lembro do meu. Mas lembro dos vestidos lindos que a vó Amélia fazia pra mim. E isso sim é uma lembrança boa.

Lembro de um branco, com peito cheio de detalhes de sinhaninhas marrom, amarela e laranja, manga fofinha parecendo de princesa. Vestido mais lindo, mesmo com alguns detalhes que torturavam a mini virginiana já naquela época: a vó não ligava muito se o pano era branco e a linha de baixo era preta. Sentava na máquina e mandava ver. E o vestido aparecia, como mágica, pra festa de aniversário da amiga da neta no fim da tarde.

E foi com esse vestido branco que ganhei meu primeiro beijo. Esse sim, inesquecível. Especialmente para o menino, que veio de sopetão e encostou a boca na minha. Levou um tapa na cara tão, mas tão estalado, que cantou parabéns na festa com um vergão vermelho no rosto, com a marca dos cinco dedos desta mão que agora digita.

Uma pena que as crianças cresçam e, no afã de virar adulto logo, a gente esqueça de guardar os vestidos no baú (porque os sutiãs vão todos pro lixo!). Só tenho um, cor de laranja, que minha mãe guardou e eu pude usar na minha filha.

Vão se as roupas, mas fica a sensação mágica da vó fazendo o vestido, assim como minha mãe talvez tenha sentido com vó Sinhana dela. Acho que essa magia me manteve longe da máquina por muito tempo, mas hoje vejo que não tinha jeito e assumo: adoro costurar.
Mas nunca tinha me aventurado pelo mundo das vestimentas, até ontem. Tomei aquela decisão que venho ruminando há meses: sentar e fazer um vestido.
Para isso, comprei livros, consultei oráculos e pedi ajuda aos universitários ou, no caso, a melhor costureira viva que conheço: minha mãe.

E ontem passamos a tarde colocando o projeto no papel, depois no pano. Minha mãe com aquela vontade louca de assumir o comando no melhor estilo deixa-que-eu-faço-sozinha (conheço alguém que é exatamente assim, mas não lembro quem exatamente...). Foi um processo meio frankestein: tirei a idéia da cava nadadora das costas de uma saída de banho; o corpo, mais ou menos adaptado da idéia do livro da foto (o Weekend Sewing da Heather Ross, totalmente recomendado pra quem quer se aventurar nas primeiras costuras). Minha mãe inventou o molde, eu cortei e costurei. E, de quebra, ainda aprendi com a mestra como fazer um viés perfeito. Como o modelo é soltido, foram poucos os ajustes, todos feitos no corpo.

Fiz um único detalhe, que foi o pesponto em linha verde, feito com ponto zigzag, que eu adoro e acho que combina com modelinhos assim, simples e meio brejeiros.
O vestido saiu, me deixou toda orgulhosa apesar da simplicidade. E nesse domingão de calor, já está arrematado e em uso. E eu, pronta para o próximo projeto: uma calça de pijama pro marido que, na verdade, deveria ter sido meu primeiro projeto, pois foi a idéia de presente de dia dos namorados que me motivou a comprar o livro.
Então, que venham calças, saias e outros vestidos.
Obrigada, vó, obrigada mãe.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Fúria de uma titã

Filho mais velho ficou doentinho no começo da semana e faltou na escola. E, no auge do tédio, deve ter vindo ler este blog. E me saiu com esse comentário à mesa do almoço: "olhando o blog da mamãe parece que a gente é uma família tããão legal"...
Junto com um perplexo "e não somos?" já engatei o discurso do quanto a vida é boa, o quanto tem famílias por aí muito menos favorecidas. E nem tanto em grana, porque isso é difícil pra todo mundo, mas em amor e blá-blá-blá-blá, whiskas sachet.
E ele me olhou com aquela carinha linda, porém irônica (ironia é herança do pai, claro!) e disse um "é..." muito vago, só pra encerrar o assunto e comer em paz.

Mas falemos a verdade, pura e absoluta. Ninguém aqui está interessado em saber que eu estou num mau humor do cacete, que minha garganta arranha e essa tosse seca não para de me encher o saco. Que a casa tá uma bagunça e o ateliê idem. Que até as maritacas andam me irritando com o barulhão e com o fato de que estão comendo as lichias ainda verdes.

Nem que ontem eu quase tive uma síncope tentando fazer um depósito no caixa do bradesco, que não aceitava de jeito nenhum, só aparecia "conta não encontrada". Banco ingrato, maldito, que raiva e grrrrrrrrrrr.
(detalhe que descobri mais tarde: a conta era do itaú, não do bradesco...)

E ninguém quer se dar conta de que eu queria ir ao cinema, passear com o marido, namorar. Mas a copinha-sei-lá-o-que tá na semifinal, momento de apoiar o time, sair com aquelas camisetas e bandeiras horrorosas, viajar 250km e torrar debaixo do sol. Afinal, tudo pelo time que só dá alegria (nem sempre pros próprios torcedores).
Nem querem saber que amanhã é feriado em tudo que é município, menos na cidade vizinha, onde o marido trabalha.

Também não vão querer saber que não tenho vontade de me aproximar da cozinha. Que estou no auge da preguiça e mais um pouco o jantar mais elaborado possível será miojo com salsicha, que é o menu tiração-de-sarro-da-cara-da-mamãe. Explico: sempre que eu capricho, eles falam "mas bem que poderia ser um miojo com salsicha. Então será. Vou colocar um pacote de salsicha crua no meio da mesa e um de miojo em cada prato. E cada um que cozinhe o seu. Humpf.

Enfim, tem momentos em que que dá vontade de puxar a cordinha e pedir pro busão parar, porque eu quero descer. E quem for perfeita e tiver o trabalho em dia (mencionei que a bancada de trabalho aqui parece zona de guerra?), a casa linda e cheia de bibelôs limpinhos, bolo cheiroso em cima da mesa e a conta bancária em ordem, que atire a primeira pedra.

Quando minha filhinha era bem pequena, sempre saía com aquelas máximas que nos faziam rir uma semana. Certa vez, estávamos numa fazenda e era vaquinha pra cá, galinha pra lá, porquinho acolá. E ela, toda pequenininha, soltou a frase perfeita:
"A natureza é maravilhosa, mas às vezes ela fede".
Só que ninguém quer saber disso. Fedor não dá ibope.
Então, deixo aqui a minha tentativa de melhorar meu próprio humor, só pra não dizer que não falei das flores:

E juro que não foram roubadas, nem arrancadas num momento de fúria do canteiro da vizinha.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Verdinha


Bolsa verdinha, que já, já vai encontrar sua dona. Mas, se você quiser encomendar a sua, entre em contato: atelier.sinhana@uol.com.br

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Quitutes e quituteiros

No último sábado, fui para SP a trabalho. E, como não sou de desperdiçar boas oportunidades, aproveitei para me encontrar com blogueiros mais que queridos. Foi uma almoço com direito a muitos petiscos no boteco, o Pirajá, altamente recomendado pelo bom atendimento e deliciosas iguarias (o bolinho de arroz recheado com camarão estava assim, divino!).
(foto surrupiada da Paula)

E a companhia não podia ser melhor: minha amiga véia de guerra, um gourmet apaixonado por doces, que mudou de casa e de blog e agora escreve aqui e a animadíssima quituteira e food stylist do the cookie shop. O Renato nos abandonou mais cedo (terá sido o excesso de hormônios femininos à mesa?) e perdeu a parte dos doces lá na doceria mais charmosa que conheço, a Brigadeiro.
(mais uma foto surrupiada da Paula)

Entre bolinhos, bebidinhas, bom papo sobre vida e comida e muitas risadas reafirmei, por um lado, um laço do coração com a amiga de infância internética. Com ela, já ri e briguei muito, já dividi histórias, já pedi ombro, já ofereci abrigo.
Por outro lado, ambas percebemos o quanto temos em comum com essa nova amiga, ex-produtora de TV que ralou um monte, foi demitida e hoje está com os dois pés na cozinha, com muito açúcar, afeto e talento.
E com o mesmo carinho e desprendimento com que oferece receitas maravilhosas no seu blog, a Paula ainda levou presentes. Sim, daqueles de babar: cookies, docinho de nozes no potinho e duas caixinhas de bluberry.
Embora eu tenha sido a piada do domingo à noite no twitter, quando contei que só comi um dos cookies e perdi os outros na viagem de volta, atesto e dou fé de que estava maravilhoso. O doce, nem devia contar, mas devorei tudinho, em pequenas colheradas.
E as blueberries foram parar na minha receita de sempre de muffin, a infalível, a versátil, a melhor de todas. Quem me deu foi uma moça americana que conheci há um tempo, mãe de uma coleguinha de escola dos meus filhos. Mudei um pouco a receita, pois achava um tanto seca. Hoje é o meu coringa pro lanche rápido e, no caso de domingo, a solução perfeita pra levar de sobremesa num café da tarde na casa da comadre.
Então, já que o assunto é comida, lá vai a minha humilde contribuição:

Muffin infalível:
1 xícara bem cheia de manteiga
1 xícara de açúcar (uso 3/4)
2 ovos
1/2 xícara de leite
2 xícaras de farinha de trigo
1/2 colher (chá) de sal
1/2 colher (chá) de bicarbonato de sódio
1 colher (chá) de fermento em pó
usei uma caixinha de blueberries
Bata o açúcar com a manteiga. Junte os ovos uma a um e bata mais. Junte a farinha, fermento, sal e bicarbonato já peneirados, alternando com o leite. Incorpore as frutinhas à massa.
Encha 3/4 das forminhas de papel (n°0), já ajeitadas em assadeira própria para cupcakes ou naquelas forminhas de empadinha.
Leve ao forno quente, fazendo o teste do palito.
Para essa receita, substitui o leite pelo suco de duas laranjas, e mais a raspinha de uma delas.

Observações: muitas pessoas perguntam o segredo para o cupcake ficar assim, perfeitinho. Acho que o principal é nunca usar as forminhas de papel sem o apoio da assadeira, para garantir o formato bonitinho.
Para incorporar blueberries ou qualquer outra fruta à massa, o legal é enfarinhá-las de leve antes. Assim elas não ficam depositadas no fundo.
Bati o bolo à mão. A massa é bem simples e não necessita da batedeira, desde que a farinha seja peneirada e colocada aos poucos.
A xícara medidora era de 240 ml.
A receita rendeu 16 bolinhos.

Mesmo longe de ser uma receita elaborada e linda como as da Paula e do Renato, fiz meus muffins com todo o gosto. E com aquela alegria de poder compartilhar as coisas simples da vida com as pessoas queridas que encontramos pelo caminho.

Bom-dia!

Um café, um bolinho e uma promessa: depois volto com a receita!
Bom-dia e boa semana.

domingo, 15 de novembro de 2009

Mais fofos!





Logo, logo, lá na loja!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A boa colheita

Não tenho grandes neuroses com superstições, mas o fato é que o 13° dia do mês me deixa azeda. E dura, porque é dia de pagar a fatura do cartão de crédito. E, pior, olho no calendário e a maledeta data cai numa sexta-feira.
Tudo bem, o meu Jason de plástico nem é tão mortal assim (quem não tem muito, gasta pouco. Ou, pelo menos deveria ser assim, né?). E logo o terror acaba.
A questão é muitas vezes ficamos tão voltados pras questões práticas do dia-a-dia que o tempo passa, o ano acaba e a gente nem se dá conta. E, conforme vai chegando o final do ano fico me sentindo engolida pelo olho do furacão, com trabalho e cansaço demais, pouco $$ e um leão pra matar até começar tudo de novo. Mas não tem jeito e, mesmo sem saber onde tudo isso vai dar, a vida não espera, nem a fila de pinguins por costurar aqui na bancada.
Mimimi à parte, se é duro colher os frutos da vida, os do quintal estão lindos, crescendo e se multiplicando diante dos nossos olhos extasiados (nossos e dos passarinhos, sócios na colheita).
As parreiras foram plantadas pelo marido, que também fez o caramanchão em frente ao nosso forninho de pizza. E esse ano vieram as uvas, tão lindas que parecem de cêra:


E tem as framboesas, que a gente adora. Essa é uma delas, pretinha e azeda, mas que dá sobremesas deliciosas. A outra, vermelhinha, já deu o ar da graça no quintal este ano e abasteceu nosso freezer:


E tem o pé de lichia, na frente da janela do ateliê. Se eu tivesse que descrever lichias numa redação escolar, além de suculentas, deliciosas e engraçadas, eu diria que é um frutinha misteriosa, pois aparece quando quer. E a gente nunca descobriu qual é a manha. Esse ano, os cachos estão até pesados, acho que para compensar o par de anos de ausência:


Isso tudo me faz amar a minha casa e meu quintal. Eu e a mamãe passarinha, que montou seu ninho bem em cima da parreira:



A natureza é sábia. Talvez os frutos demorem. Talvez pulem estações. E embora eu seja aquele tipo de pessoa pouco tolerante e bem ansiosa, tenho aprendido que a certeza da colheita começa com uma esperançosa sementinha.
Boa sexta-feira 13!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Cabelinhos roxos, bengala e all star!

Há uns dias, estive num evento que me surpreendeu de forma surpreendente. E a redundância é proposital, pra mostrar que a surpresa foi além da conta. Nunca vi tantas senhorinhas de bengala aparecerem todas juntas num mesmo lugar!

E, surpresas à parte, eu e minha amiga mais criançona (que, aliás, faz toys nas horas vagas), começamos a divagar sobre nossa própria velhice enquanto observávamos as meninas da melhor idade. E tomamos algumas decisões importantes.

Primeiro, seremos velhinhas modernosas e bacanas. Nada de conjuntinhos de jérsei, nem blusa de javanesa florida em composê com a calça. E não vamos abandonar os nossos all star brancos nunca (já falei que amo de paixão all star branco?), nem mesmo sabendo que as sapatilhas preferidas das nossas mães (curiosamente chamadas Moleka) é macia, confortável e perfeita para pés cansados de guerra.

Também não deixaremos as madeixas brancas. Eu, desde sempre aviso que terei os cabelinhos curtos e roxinhos de rinsagem, já que não tenho coragem de fazer nenhuma grande loucura capilar por agora. Deixarei os desatinos pra velhice.

E, claro, rimos um monte de outras bobagens, como: morar numa república de vovós no Copan, fazer raves da terceira idade, dar aula de yoga na praça da República (a Paty se encarregará disso), usar bengalinha com caveira na ponta, vender porta-dentadura handmade...

Mas, brincadeiras de lado, cheguei à conclusão de que também sou criançona e espero que isso não seja um dilema no futuro. Adoro coisas engraçadas, que agucem o lado lúdico e colorido da vida. Me diverto a valer vendo desenho animado, comprando livros infantis e brinquedos. Sim, brinquedos. Ainda que a minha mania de Blythes tenha arrefecido um pouco, vez ou outra pego minha Manon (um doll linda, um dia eu mostro) e troco a roupinha, só pra lembrar de brincar.

E as manias infantis aparecem pela casa toda. Hoje mesmo, fiz bolo de laranja no lanche e lembrei que tinha umas mini-forminhas. O pequeno amou a brincadeira e se refestelou com os bolinhos, mesmo sem ter chocolate. E fala se não fica até mais gostoso mesmo assim, pequenininho?

Ainda na cozinha, vê se não dá vontade de brincar com umas panelinhas mais fofas do mundo como essas, em cima do meu armário:

Na sala, além dos bonequinhos do Paul e John e das miniaturas na gaveta de tipos, que já mostrei, tem também amigurumis (presente da minha amiga do link aí em cima), como esse cactus fofo e minha boneca de pano, lá da madametrapo:

Claro que também tem brinquedos de quem ainda está em idade (cronológica) de brincar. E, como logo chega o Natal, fizemos uma limpa no quarto dos meninos. Muita coisa foi doada, outras fiquei com um pouco de peninha. Esse carrinho de madeira ficou por aqui, com outra função tão feliz e bem humorada quanto uma brincadeira. E acho que ficou perfeito com as plantinhas, fazendo às vezes de cachepô, em cima da carteira escolar na varanda:

Hoje ainda tenho a desculpa de ter filho pequeno e posso me divertir à vontade, sem dar bola para o julgamentos dos adultos chatos. Mas como será na hora em que eu me tornar uma old kidult? Será que isso passa?
Será que trocarei as coisas cute e coloridas por lenços de seda estampados?
Sei lá. Mas me agarro firmemente na possibilidade de ser uma vovó descolada, com netos idem que me acompanhem em todos os lançamentos da Pixar.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Home, sweet home



Cheguei ontem, quase hoje, do findi na casa da sogra, depois de encarar a estrada lotada após o feriado mais quente que já vivi. E nem estou sendo tão dramática quando dizem que sou (meus filhos andam tirando um sarro além da conta da minha cara, porque dizem que exagero, sobretudo nos riscos do trânsito. Mas eles nem percebem o que se passa quando xingo alguém e, logo em seguida, solto o meu "a gente podia ter capotado e morrido por causa desse @#$%¨&*¨&%#", pois estão sempre com fone de ouvido, joguinho na mão ou, simplesmente viajando pra outra galáxia).
Ressalvas feitas, chegar em casa é muito bom. Mesmo com enxaqueca. Mesmo com uma dor no braço que tá de matar. Mesmo com dor de estômago, por causa do remédio da enxaqueca e da dor no braço.
Mas o fato é que cheguei numa casa que acho que não é a minha. Juro, acho que estava com sono e entrei na casa errada. E só me dei conta hoje cedo. Minha casa não tem roupas e sapatos diversos espalhados pela sala, nem sacos de roupa molhada de piscina em cima da mesa. Minha casa não tem um monte de copos, xícaras e pratos sujos amontoados na pia. Nem camas reviradas. Nem agendas e capas e gadgets de computador perdidos às 6h da manhã. Nem flores murchas de tanto calor.
Não, minha casa é super organizada, impecável e cheirosa, mesmo com três filhos, marido e uma cachorra carente e bagunceira.
Definitivamente, entrei na casa errada, ou caí na dimensão errada, como acontecia nos episódios de "Além da Imaginação".
Se identificaram comigo agora?
Não, claro que não. Porque a casa da gente nunca está perfeita, nem milimetricamente arrumada. Senão não seria casa, não teria vida. Não que precisasse ter tanta vida como a minha, nesse momento, mas tudo bem!
Casa boa é aquela em que a gente tem espaço para inventar, para arrumar e receber do nosso jeito. Ainda estou aprendendo isso e fico repetindo como um mantra que um pouco de bagunça é bom e permitido, apesar dos meus chiliques com os quartos tão fora de ordem.
Afinal, não sou, nem pretendo ser uma Cambridge lady, nem tenho a cinturinha muito fina da herdeira Versace.
E desconfio de gente tão impecável assim, com tudo sempre tão arrumado apesar dos filhos e cachorro.
Tô longe disso. Mas, ainda assim, adoro a luz filtrada pela cortina colorida da cozinha, logo acima da pia (provisoriamente) bagunçada, enquanto tomo minha canequinha de café.

Como se dizia nos antigos desenhos do sábio Pica-pau, não há nada melhor que o lar.