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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Vamos a la playa, o-o-o-o-ô!


Como toda família de classe média paulista, tivemos nossa sagrada semana ao sol em janeiro. É quase como um compromisso, uma cláusula contratual depois que você se casa e tem filhos. Mesmo que eles reclamem do momento em que são acordados de madrugada pra começar o processo de saída, até a hora de subir de novo a serra.
E sim, a saída é de madrugada, porque a ida para a praia é o momento em que toda a neurose, toda o distúrbio obssessivo-compulsivo por aqui é liberado. Trocando em miúdos, marido fica doido.
Começa assim:
1) revisão do carro, entre o Natal e Ano Novo. Coisa que ninguém merece, muito menos os técnicos da concessionária;
2) ida a algum atacado da cidade, pra compra de mil caixinhas de suquinho, achocolatado, batata frita, arroz parbolizado (que ninguém come) e amendoim (o detalhe é que todos os saquinhos de amendoim voltaram intactos. acho que vou fazer uma promoção e dar de brinde na loja virtual, que tal?);
3) momento de tensão pré-grand finale: encaixar todas as cinco cadeiras, três guarda-sóis, três conjuntos de pés de pato e máscaras de tamanhos variados, malas, travesseiros, três notebooks (sem os quais a revolta seria certeira), coleção de gibis, compras e muitas outras coisas úteis que certamente seriam usadas, se a gente estivesse de mudança pra passar alguns anos na praia). Nessa hora, ninguém se meta a incomodar o homem da casa que, por sorte, jogou muito TETRIS durante a faculdade e sabe como ninguém aproveitar cada milímetro do porta-mala;
4) estudo meteorológico da semana: esse é feito pelo marido e pelo sogro (mesmo à distância, ele nos mantém informados das previsões, inclusive dos meteorologistas americanos que, pelo menos dessa vez, acertaram mais que os nacionais);
Depois de tudo encaixado, filhos resmunguentos no banco de trás, celulares carregados e tanque cheio, começa a descida da serra. Sempre otimista, marido afirma que a chegada será em menos de três horas, a tempo de irmos para a praia ainda pela manhã para, logo depois, almoçarmos deliciosos camarõezinhos na beira do mar. Lêdo engano, pois aí entra a segunda cláusula contratual do verão: o congestionamento na serra.
Cinco horas mais tarde, acontece o desembarque no cafofo, tirando malas e tranqueiras debaixo daquele sol de lascar.
Logo depois, a sessão me-besunta-que-eu-gosto. E lá fomos nós pra praia propriamente dita, com protetor solar até nas orelhas, prontos pra empanar as bundas na areia feito coxinhas gigantes. Só alegria!
Juro que, no primeiro dia, me senti meio como se estivesse presa num episódio daquela série de filmes ridiculamente engraçados, Férias Frustradas (I, II, III, IV, V...). Tive um bad feeling, que ficou pior à noite, quando a filha resolveu dar um chilique de madrugada, tossindo, chorando e reclamando do calor, de dor de garganta e de uma suposta alergia ao pastel de camarão. E eu tendo pesadelos, sonhando que uma ambulância do SAMU chegava com a equipe do Doutor House pra atender a menina. Coisa de maluca.
Mas o importante é que Ubatuba tem praias lindas, que eu adoro desde moleca. Aquelas mais escondidas, acessadas por trilhas à pé (nenhuma beleza vem sem esforço, né?). Mesmo que a volta tenha que ser feita por barco e, nesse caso, mesmo que o motorista do barco seja doido. E que o barquinho quase vire (tá, exagero da big drama queen aqui). E que eu solte um palavrão cabeludo, mortificada de medo. E que marido filme tudo.
Passado todo e qualquer susto, ainda encontramos amigos queridos na cidade e pudemos passar uma tarde deliciosa juntos, em terra firme.
E, pra finalizar com chave de ouro, marido finalmente cumpriu uma velha promessa e fomos até Paraty, cidade que é tão linda quanto eu imaginava. E essa ida ainda me rendeu um contato bacana (depois eu conto aqui se der certo). Juro que nunca levo lição de casa pras férias mas, de vez em quando, tenho a sensação que as oportunidades ficam à espreita, esperando que a gente as abrace. Tomara!

Enfim, compromisso cumprido, cá estou eu de volta, um pouco mais morena. Embora meus cabelos não sejam tão negros quanto a asa da graúna, se eu ficasse mais uns dias na praia iria virar ume versão véia da Iracema, exceto pela parte do subtítulo do romance. E, claro, já voltei com força total ao trabalho, entregando encomendas e me preparando para mais um (bom) ano.
E que assim seja, para todos nós!

23 comentários:

Susi disse...

Ana, bem vinda!
Estava com saudades de ler suas historias sempre bem humoradas,comecei meu dia rindo e consegui imaginar algumas cenas da narrativa de hoje.
Ficou bacana a foto nova,gostei de te ver de frente.
bjs

Ester disse...

Oi Ana!!
Que bom vc de volta!! Com três filhotes não poderia ser diferente né? Me vejo nas suas histórias e me divirto muito!
Quem sabe, dia 23 iremos tbém para Ubatuba, no entanto, teremos no mínimo 15 horas a mais de estrada, mas tudo vale a pena pra ver meus pimpolhos radiantes.
bj

Patricia disse...

Ana, passo por toda essa saga também ! Acho que toda família é meio parecida. Em fevereiro to indo pra lá tb. Vc recebeu meu email ? Quero combinar com vc para comprar um gatinho.
Bj
Patricia Tedeschi
pstedeschi@gmail.com

Erika disse...

Ana,
Achei um barato sua descrição da sua aventura praieira-classe média.
Eu, que moro em Santos, vivo o drama ao contrário: vejo a cidade ser invadida, todas as vagas para carros ocupadas, as padarias e supermercados e os melhores lugares na praia invadidos por uma legião de branquelos carregados de cadeiras, guarda-sóis e geladeiras de isopor...mas já faz parte do verão e não posso reclamar, afinal tenh um restaurante e como a minha clientela santista foge (e eu sou obrigada a ficar), adoro os turistas que chegam à cidade nessa época.
Saudades da sua prosa. Um ano lindo pra você!!

cristina disse...

Ana,
Adorei, dei muita risada!!
Eu moro em Santos-SP (sou felizarda)
e realmente praia é tudo! É claro que nem todo dia a gente vai à praia com aquela empolgação das férias (até porque a vida anda né?) mas é sempre muito bom!
Beijos,
Cris João
(www.recomadres.blogspot.com)

c r i s disse...

Ai Ana, também adoro Ubatuba, e Paraty é uma graça...mas vem cá, você se arriscou no banana bolt? Tenho boas histórias do tal...rsrsrsr...Nestes últimos anos desistimos de ir nesses períodos e nos feriados, pois o nível de estresse não permitiu mais...todo mundo se transforma, ai que meda!!rsrsrs...
Mas apesar de tudo, é tudo de muito bom ir à praia, né?
Ah, que pena sobre o cortador de dinossauro, não posso nem comentar com o pequeno, senão lombriga na certa...
Bjo...

harumi disse...

oioi, ana!
tava com saudades!
ah, paraty é tudo de bom, né? e se rendeu coisas é melhor ainda! o bom astral de lá faz tudo dar certo, acho! vou torcer!
bom ano!!!!

beijocas.

Mara Porto disse...

Oi Ana, quanto tempo!! e eu estou aqui arrumando as minhas coisas para os meus 15 dias sagrados na praia, ano passado por conta de reforma aqui fiquei só 5 dias, ams estou louca pra ir, sempre é um descanso pra mim. levo meu crochezinho para as tardes e já que meus filhos já cresceram e não tem mais birra de não querer ir, vou só com o pequeno, rsrsrss. Bom ano pra vc.

Inusitados acessórios disse...

Oi Ana!
Adoro seus textos! São sempre engraçados! :)
Ainda não conheço Paraty mas seiq a cidade é linda e fofa, assim como seus trabalhos! Só pode sair daí uma parceria mto legal! Tomara! Dê notícias!
Beijos!
Bruna.

Dricca Kastrup disse...

Nossa, tem uns bons anos que não vou pra praia... Quem sabe em fevereiro ?
Hmmmm acho que não... Abrir mão das noites fresquinhas da serra no verão não é minha praia.

c r i s disse...

Oi Ana, voltei pois lembrei de algo a respeito do cortador dinossauro que você mencionou,a minha mãe também ganhou um que não dava o tamanho para pão, mas ela usou uma vez para um omeletinho com aquele arroz temperado para suchi em baixo e não é que ficou bonito e gostoso? Se você quiser tentar, pois me conta se ele gostou... bjinho

Jose Ramon Santana Vazquez disse...

...traigo
sangre
de
la
tarde
herida
en
la
mano
y
una
vela
de
mi
corazón
para
invitarte
y
darte
este
alma
que
viene
para
compartir
contigo
tu
bello
blog
con
un
ramillete
de
oro
y
claveles
dentro...


desde mis
HORAS ROTAS
Y AULA DE PAZ


TE SIGO TU BLOG




CON saludos de la luna al
reflejarse en el mar de la
poesía...


AFECTUOSAMENTE
ANA SINHANA

DESEANDOOS UNAS FIESTAS ENTRAÑABLES OS DESEO FELIZ AÑO NUEVO 2010 Y ESPERO OS AGRADE EL POST POETIZADO DE LA CONQUISTA DE AMERICA CRISOL Y EL DE CREPUSCULO.

José
ramón...

origamistico disse...

Gosto muito de ler o blog. E espero em breve poder comprar um pinguim...
vou fazer um sorteio no meu bloguito, estou te convidando para participar.
até
Mariana

Tiago Scala disse...

Uau... além de hilário o texto foi muito bem escrito. Dá pra imaginar as cenas e as caras! rs...

Princesse Sofia disse...

Ah Aninhas eu acho o máximo estas tuas aventuras com o maridão e os meninos!!hihihi
Beijocas!

Eliene Vila Nova disse...

engraçado escrei uma mensagem ontem e nçao vejo aqui, será que não esperei enviar?
louquinha eu;kkkkkkkkk
amiga espero que tenhas voltado muito inspirada
e azul combina com todas as outras cores, ainda mais você que é especialista do bom gosto na hora de misturar estampas, adoro.
um final de seman abençoado
beijos

Andrea disse...

Que bom que está de volta, Paraty realmente , tira tudo que está de errado e só deixa coisa boa... é meu quintal de casa, pintou baixo astral corro pra lá.... beijos!

Simone Izumi disse...

Um super ano para vc e sua família!
Olha, família buscapé só muda de endereço,né??rs...na minha infancia, levávamos oniguiri, carne empanada e refrigerante no porta-malas que era aberto no horário do almoço. Antes de subir a serra, tomávamos um banho tcheco de garrafão que levávamos de casa...e desmaiávamos no carro, todos ardidos de sol e semi milanesa.
Muitas memórias...bjs, si

Laély disse...

Só agora pude ler sobre a sua odisseia na praia.
Já posso ser consultada sobre as previsões para 2011. Lembra, que eu avisei sobre possíveis congestionamentos, né? ( Novidade...)
Achei muito engraçado "besuntar a bunda" e, melhor ainda, a possibilidade de ser atendida pelo Dr. House. Mas, o melhor de tudo: a sua capacidade de fazer graça, com as situações mais prosaicas!
Tenho muita vontade de conhecer Paraty. Quem sabe, um dia rola?...
Abraço, querida!

Carine Calé disse...

Oi Ana,

Adoro suas histórias, me vejo nelas, quando eu era criança, adolescente e morava em SP, todas as férias de verão deveria ser no mínimo 1 semana na praia... e como era bom!!!

Hj tenho praia aonde moro, mas infelizmente vamos pouco, pois o maridão trabalha demaisss.... e nas férias temos que ir matar as saudades do nosso Brasil!

Mas tudo na vida vale a pena!!!

Ah... vc escreve maravilhosamente bem, parabéns!!!

beijinhosss
Carine

In-Vestida disse...

Olá Ana! Adorei seu texto. Como sempre, cheio de bom humor e deliciosamente escrito. Bjusss

SILVIA PINI disse...

Nossa Ana, quase nos encontramos em Ubatuba!
Morri de rir dos passos de "vamos a lá praia", pois me vi no episódio tal qual. Inclusive na noite mal dormida da filha, que no meu caso, foram os dois filhotes, mas consegui, claro, super mãe, contornar.
Ahhh...agora no retorno das férias (no meu caso Cuiabá - Bauru- Ubatuba - Bauru - Cuiabá - ufa! Uns 2000 km, tô precisando descansar. Que descansar que nada! Hummm, lembrei, como passei o mês das férias fora, a casa tá bagunçada, preciso fazer aquela faxina de início de ano, doar, jogar, organizar, arquivar e blá blá blá...Mesmo, assim, já conto os dias das próximas férias. Vai entender!
Um abraço querida. Tenha um ótimo ano com muito sucesso, digo, muito mais sucesso.
(Este ano quero me dar o luxo de ter um produto famoso de ANA SINHANA, ah se vou)

Rosângela disse...

Lendo e rindo...rs Também fui a la playa com minha trupe! Quase nos encontramos lá Ana!
Já rascunhei o texto com as aventuras na praia, que inclui visitas às Santas Casas de Ubatuba e Paraty e perda das chaves do carro na cachoeira do Prumirim.
Quer saber de uma coisa? Sempre volto com saudades dessas doideiras que a gente se mete!
mil bjks