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quinta-feira, 4 de março de 2010

Amor de amigo


Eu já entendi que vocês, seguidores e seguidoras do meu Brasil varonil, adoram vir aqui pra chorar e rir (ou chorar de tanto rir) das minhas desventuras cotidianas. Porque acontece da vida ser muito engraçada nas suas mini tragédias diárias e eu sou bem do tipo que acha que as melhores histórias, por mais triviais que sejam, são as que a gente vivencia como protagonista ou coadjuvante.

E, como não poderia deixar de ser, atraímos pra nossa novela um elenco que combina, que dá liga ou, como diria minha avó que está no céu, "orna" conosco. E o magnetismo da minha loucura não nega: temos amigos bem doidivanas, que embarcam de cabeça nos nossos micos e programas de índio. E digo "temos" porque chega uma hora na vida em que ou os amigos são amigos da família toda, ou não são amigos. Depois de casar e ter filhos, a individualidade vai pro espaço e nem amigo imaginário escapa. Ou ele senta à mesa e almoça com todo mundo, ou vai ter que comer o pão que o marvado amassou lá fora.

Recentemente, recebi permissão de amigos queridos de trazer as histórias engraçadas que vivemos aqui pro blog. Eu sempre fico meio ressabiada em falar algo que não devo, ferir suscetibilidades e perder a amizade, sei lá. Então, a permissão foi benvinda.

Por isso, senta que lá vem história:
Once upon a time, in a far far away kingdom... meus filhos pequenos foram para uma pré-escola e conheceram dois grandes amigos, que hoje são seus amigos de infância mais antigos. E eu e marido ficamos amigos dos pais das crianças: Mr. X e a Mrs. L, pais da bela R e a Miss T, mãe do L (isso tá parecendo um daqueles artigos dramáticos de jornal popular). As crianças cresceram, vieram mil mudanças nas vidas de todos, mas a amizade continuou. Pra falar do primeiro casal, será preciso um longo capítulo à parte, pois as duas figuras são protagonistas de tantas histórias que nem sei se consigo listar a mais divertida.

Como a permissão pra soltar o verbo veio da T, vou voltar lá pro começo, quando combinamos de fazer sushi aqui em casa. Tudo o que me lembro é que o sakê rolou solto e, se eu fosse agir de má fé, colocaria aqui provas incontestáveis de bebedeira, como uma foto de alguém dançando com uma cuequinha do Batman na cabeça (até hoje não entendi de onde veio isso, mas garanto que era uma cuequinha limpa).

Depois desse evento, vimos que nossos destinos estavam atados para-todo-o-sempre-amém. Não tinha volta e estávamos todos de rabo preso. E tantas outros episódios engraçados rolaram desde aquele dia, muitos aqui, no quintal de casa. Nos tornamos um grupo restrito, que até aceita a presença de amigos comuns, desde que passem pelo corredor polonês da avaliação coletiva.

E, recentemente, fiquei sabendo que Miss T tem uma certa mágoa com relação a isso. Como moça solteira e desimpedida, ela procura por um moço bacana, também solteiro e bem apessoado. E eu e o grupo acrescentaríamos, não necessariamente nessa ordem: que torça para o Botafogo ou Ponte Preta, ou ambos; que beba socialmente e sem excessos; que não seja fumante; que pratique ou tenha praticado alguma arte marcial; que toque algum instrumento musical e, de preferência, não seja pagodeiro; que tenha conhecimentos mínimos de informática; que goste de criança e de cachorro; que saiba fazer churrasco e pizza (e, portanto, que não seja vegetariano); que seja muito, mas muito bem-humorado; que jogue Wii; que tenha paciência e bons conhecimentos gerais para eventualmente ajudar em lições de casa e trabalhos em nível de ensino médio; que saiba desentupir caixa de gordura, mas sempre de luva; que adore festas juninas escolares; que tenha um bom emprego, mas que permita disponibilidade para viajar em caravana; que tenha carro grande (pois a gente, de vez em quando, as meninas curtem umas comprinhas nas viagens); que não tenha medo de andar (em cima) de elevadores, caso Mr X precise de alguma ajuda eventual (nosso amigo é engenheiro na área).

Fora esses pontos básicos do currículo, não somos muito exigentes e não entendo o por que de Miss T, de vez em quando, não nos apresentar eventuais namorados.
Certa vez, eu, marido, Mr. X e Mrs. L, combinamos de ir a uma pizzaria e não conseguimos encontrar Miss T por telefone, de jeito nenhum. Quando chegamos na pizzaria, qual não foi nossa surpresa ao vê-la com seu novo namorado, tomando vinho, no maior romance?

Foi um ataque coletivo de indignação (não pensem que foi ciúme). Miss T estremeceu diante dos nossos olhares de "a casa caiu, minha filha". Sentamos de longe, em silêncio, observando o casalzinho. Nem entendi por que eles foram embora tão rapidamente.

Não me lembro a inicial do nome do moço, mas poderia ser Mr. M, pois o apelidamos de Mudinho. O moço não falava nada, nadinha, a não ser que o assunto fosse futebol (ah, detalhe da lista de exigências: a vaga para fanáticos por futebol já está bem preenchida no grupo, então o gosto pela arte da bola deve ser moderado). O romance não deu certo, infelizmente. Também teve o Havaí 5.0 ou Franjinha. Sem maiores detalhes.

Sei que a vida de solteira nesse mundo globalizado e competitivo é muito complicada. E a gente tenta ajudar no que pode, ainda mais quando uma amiga amada se mostra assim, chateada. Em nome do grupo, prometo que vamos moderar nosso comportamento super-protetor e reduzir o grau de exigência. Tudo bem, Miss T, o carro dele pode ser pequeno.

13 comentários:

Fala Mãe! disse...

Ana querida! Vc sabe que eu adoro um causo, né rs? E sabe que eu como moça do interior eu sei de muitos, que infelizmente morro de medo de contar rs...
Espero de coração que a MissT encontre sua tampa de panela, panex ou Le creseut, e que seja aprovado pela comissão rs.
beijos
Cynthia

harumi disse...

kkkkkkkk...
ana e miss T, fiquem calmas, pois tenho certeza que um dia virá o cara-certo, a tal tampa da panela.
E acho certíssimo a 'comissão' cuidar do bem-estar e proteger a querida e amada Miss T, mas não exagerem, viu? rsrs
beijocas.

Rita de Cassia disse...

Ana, não deve mesmo está sendo fácil para Miss T. Qual criatura vai preencher todos esses "pré-requisitos", vocês não são fracos não hein?!
bj

Erika disse...

Ana querida,
Que graça a vida teria se ela não fosse temperada por causos?
Graças a Deus, minha história também é recheada de episódios engraçados e muito "rabo preso"...delícia você compatilhar com a gente esses momentos ótimos...e também torço para que Miss T encontre um candidato que a ame e ainda preencha todos os requisitos desses amigos TÃO exigentes! rs
beijocas

zenaide storino disse...

Oi,Ana.
Adoro suas estorias e coisas do seu cotidiano,que graca teria a vida sem isso,ne?Parece que voce vai ter que nos "alimentar" com mais dessas hilarias estorias,amamos.
Grande abraco.zenaide storino.

Roberta M. disse...

Mas que amigas mais generosas vocês, listinha tão basiquinha!! Miss T não vai ter problema nenhum em achar Mr.Right, ainda mais podendo ter carro pequeno!! Muito boa história!!kkk, beijos

Gamela disse...

Achei a maior graça!!!
Um beijão procê, Mrs.A ...
Fátima.

Luciana Betenson disse...

Ai, será que não tem um ribeiraopretano para a Miss T.? Assim, quem sabe, vocês viriam mais para cá... :-) Ana, sem brincadeira, eu também amo as suas histórias, como muitos já disseram por aí! (É mais ou menos assim no Google Reader: "oba! Tem post novo da Ana Sinhana!") Um beijo,

Tai Moterani disse...

Oi Ana!
Te conheci lá no bazar da Severina, lembra? Finalmente meu blog tá saindo do ovo, e já linkei vc lá, ok?
Bjo!

Eliane disse...

Snif,snif,snif chorei de tanto rir. Desse jeito miss T tá ferada kkkkkkk, com essa listinha só procurando de vela acessa. beijos

c r i s disse...

Oi Ana, coitada da Miss T, mas cá prá nós, feliz dela de ter amigos como vocês, né? até que a listinha de exigência tá boazinha, ué! Bjo querida, ri um monte!!

Laély disse...

he, he, he!...Espero que não seja tão exigente assim, comigo...rsrs

Carlinha disse...

Fiquei imaginando o olhar da moça quando vocês chegaram a pizzaria!
... acho que vou ter pesadelos com isso....
rsrs