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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Inesquecível

O aniversário dos filhos grandes foi há uns dias. E junto com os quinze anos veio o conflito de gerações: mamãe e papai festeiros querendo farra, filhos caseiros firmes na recusa de fazer o gosto dos progenitores. Na verdade, nem posso reclamar, pois sou festeira pras comemorações alheias, mas bem mais reclusa com relação ao meu próprio aniversário.
Durante as negociações, lembrei do primeiro aninho deles. E de todos os erros que incorri naquela festa. Só vou contar aqui porque meus enganos do passado podem servir de exemplo para as gerações futuras.
Então, pais desavisados, nunca, mas nunca mesmo, caiam na conversa da dona do buffet (aliás, não contrate buffet, faça a festa na sua casa, que é um motivo a mais pra fazer algo pequeno), que te enrola dizendo que conhece um palhaço SUPER legal, que faz um show que é o máximo, anima o parabéns e, ainda por cima, cobra bem baratinho.
Só uma mãe muito trouxa cairia nessa. E essa mãe soy yo.
O começo do show até que foi razoável, embora o palhaço tivesse aquela cara de "ai-meu-saco". O cara chegou com roupas normais e armou todo um cenário pra se trocar na frente das crianças; se maquiou e, quando foi se trocar, tirou as calças e estava de cuecas, felizmente. Mas não era uma cuequinha de coração, ou algo assim engraçadinho. Era uma cueca MESMO, com jeito de que havia sido vestida há muitas horas. Daí, claro, rolou um certo desconforto da platéia adulta, que era maioria.
Depois dessa apresentação inesquecível, vieram as pretensas palhaçadas.
Até hoje, me sinto em falta com as tias e primas platinadas que o maldito ofendeu com uma lista interminável e ofensiva de piadas de loiras. E morro de vergonha só de lembrar que ele abordou meu orientador, um sujeito bem formal, perguntando se ele queria ver o pinto do palhaço. Meu professor, todo constrangido, disse que não mas, mesmo assim, o bobão tirou do bolso um docinho que tinha pego na mesa, em formato de passarinho. E ainda enfiou o quitute na fuça mais que horrorizada do outro, enquanto fazia "piu" sem parar!
Como se não bastasse o embaraçoso show de horrores, acho que sou culpada pelo trauma do meu filho que, por anos, apertou mais forte a minha mão diante de outdoors anunciando a chegada de todo e qualquer circo na cidade, ou quando via o cartaz do remake do "Palhaço Assassino", na parede lá do fundo da locadora.
Mas até que fui rápida e aprendi com o primeiro erro que crianças pequenas precisam é da tranquilidade do lar, dos colos mais chegados da vovó/vovô, tios e padrinhos. Festa grandes são cansativas e um tanto assustadoras. Também aprendi que bebês não precisam ser simpáticos. Forçá-los a ir no colo daquela tia da prima da sua vizinha, que quase arranca a criança dos seus braços para aparecer na foto de família carregando o pimpolho é, no mínimo, traumático. Não faça isso, pois a conclusão óbvia é que se você não aguenta o papo furado da pessoa, o colo dela também não deve ser agradável.
Muitos anos depois, a pequena comemoração de nascimento (percebam que ninguém por aqui falou em festa de aniversário de quinze anos, ok?) da minha filhota e do meu filhotão foram assim, caseiros, só com a família e alguns amigos queridos.
Fiz comidinhas mexicanas (embora o México não tenha contribuído com um belo jogo contra nuestros hermanos argentinos), bolinhos e os tradicionais brigadeirinhos. E foi bom demais. Provavelmente, porque os filhos da gente nunca cresçam, só mudem de tamanho e fase da vida. E continuem inocentes diante de palhaços perigosos e senhorinhas mal-intencionadas.

24 comentários:

Fabiana Pereira disse...

Eles crescem tão rápido né?

Eu ainda lembro do 1 ano da minha mais velha da Hello kitty, com ela correndo que nem uma doida, toda suada.
Ela agora tem 17!

As melhores festas são as caseiras e simples.

Parabéns para as crianças não tão crianças assim :-)

Natália Rosin disse...

Ahh eu também acho que festinhas em casa são muito mais aconchegantes e memoráveis. Eu fiz festa de quinze anos em salão (depois de ser influenciada pelas festas de todas as minhas amiguinhas, já que eu era a mais nova... rsrs, porque eu sempre disse que nunca ia querer) e tenho um certo arrependimento. Não significa muito pra mim hoje em dia lembrar daquela festa.
A de 1 ano da Cecília vai ser assim, em casa, só com as pessoas mais chegadas, e tenho certeza que vai ser muito feliz =)

Karina disse...

Ótimo post.
Com certeza inesquecível

Cristiane Iannacconi disse...

aiai... tambem tenho pavor de festa em casa de festas... prefiro fazer uma festa pequena e produzir eu mesma a decoração, assim garanto que será tudo sustentável. dá um trabalhão, mas acho q já peuei o jeito mesmo, rs.
parabens pelo lindo blog. Bjs,
Cristiane
www.ciclicca.blogspot.com

Ana Matusita disse...

Oi Karina! legal que vc gostou!

Oi Natália! A Cecília merece uma festinha mega fofa, como certamente vcs irão fazer!

Oi Fabiana! Fala se o tempo não é cruel com a gente?
bjs

Ana Christina S. & Tetê disse...

Nossa, Ana...adorei, li e pedi para o meu marido ler tb, amamos...demos boas risadas! bjos

josi stanger disse...

Oi Ana, nota dez pra festa! (essa festa) porque a primeira serviu de lição, não é mesmo? Eu não fiz festa de 1 aninho pra Bea, mas fiz uma festinha de 2 anos, pois ela aproveitaria melhor... Já o Théo ganhou uma festa de 1 aninho porque eu queria comemorar também uma decisão importante pra mim... fechar o escritório e cuidar dos filhos. E a festa foi muito boa mesmo, até hoje os visinhos lembram pois organizei uma festa junina na minha rua, (que é rua sem saída, e isso facilita muito). Já para os quinze anos da Bea, a idéia não é gastar horrores pois nem temos essa grana ainda, mas queremos fazer uma viagem pra Alemanha... e aí, o bicho pega... vamos ter que economizar bastante.
Beijinho e inté mais...

Taia Assunção disse...

Hehehe...só você Ana para revirar meu baú de emoções. No aniversário de um ano da minha filha Gabriela o avó de primeira viagem fez questão de festança. Eu, ainda menina e sem opinião própria acabei cedendo. O circo foi montado, digo a fazenda. Uma empresa de outra cidade foi contratada e pintos e galinhas apareceram por todo lado. Filhotinha rolando de colo em colo forçada a beijar todos os convidados. O que salva minha lembranças foi à participação luxo da tia-avó que fez doces maravilhosos e bolo com fios de ovos. Depois de seis e sete anos nos aniversários de um ano do Raul e Natacha tudo foi feito por mim. E assim foi até os dez anos. Depois disso, só bolinho a cinco e viagens. Graças a Deus nunca tive a infeliz idéia de por um palhaço nas festinhas...rsrsrs. Mas confesso que nesse ano estou "murchinha" estarei longe dos três nos aniversário. Gabi fez 22 anos no dia 15 de junho, Raul fará 17 no dia 05 de julho e Tachinha 16 em 18 de agosto...snif.

Glau disse...

que festa linda!
dei mta risada com a história do palhaço, será que ele não estava bêbado ou era sem noção mesmo? :)

bjos, Glau

Ana Matusita disse...

Glau, era o palhaço mais abestalhado do universo, juro! Vou ver se tenho foto da figura aqui...

Josi, viagem pra Alemanha é infinitamente mais bacana do que vestido de frufru e valsa de cadetes, vai por mim!

Taia, faz festa conjunta no jardim quando chegar! e não sofra, por favor.

Ana, foi tão trágico, mas hoje parece cômico, né?
Bjs

Ana Matusita disse...

Cristiane, o seu comentário tinha me escapado, desculpe!
Eu também prefiro um milhão de vezes as festas no jardim, que são mais gostosas e aconchegantes!
bj,
Ana

Taia Assunção disse...

Acho que vou seguir seu conselho...ainda que falte o do meio que está no MT e não poderei ver. Obrigada!

Patricia disse...

Oi Ana, eu tb prefiro festas caseiras! Já fiz em buffet, mas me arrependi.
Os meus tb preferem em casa, por causa das comidinhas que são bem mais gostosas que as de buffet e tb por causa da bagunça gostosa.
Os aniversários só com quem convive com a criança são os melhores !!!

Beijo
Patricia Tedeschi

Ana Claudia disse...

Estava lendo seu blog enquanto meu marido assistia o jogo Portugal x Espanha e comecei a dar boas risadas... ele ficou tão curioso que me pediu para ler também. Adoramos!!! Depois de algum tempo descobri que as festas caseiras são muito mais divertidas e ficam guardadas na memória dos nossos filhos como momentos realmente especiais!
um grande beijo e parabéns pelo Blog!

Nina de Oliveira disse...

Ana, que lindo!
Que atmosfera deliciosa.
Teus filhos são sábios em quererem ficar no aconchego desta lar tão especial.
Beijos grande e parabéns pelos filhos.

Nina

Laély disse...

Ana, que saia justa! Sofri por você e pelos pequenos mas, tudo bem, que a gente deve ter alguns micos na vida, pra se lembrar e rir.
Também prefiro as festinhas assim, tipo, eu diria: "mais família"...rsrs
Abraço!

Jane Benvenutti Schaab disse...

Adorei sua história. Meu filho menor (9 anos)faz as festas na escola em que trabalho e na qual ele estuda. Só assim todas as crianças participam.
O filho mais velho tem 29 e o do meio 27.
Jane

Milena disse...

Concordo contigo,Ana.Gosto mais das festas informais,onde conversamos,vemos as pessoas e estamos juntos.Porque celebrar é isso!!!
E me fez lembrar de uma festa que o rapaz enfiou-se numa roupa de super-herói que devia estar guardada há muito tempo e não cabia mais nele.A mulher do contratado foi ao banheiro ajudá-lo(coisa que entendemos depois da demora) e ele voltou super-apertado naquele disfarce,motivo pelo qual as crianças riam dele e puxavam a sua roupa e eu,já com os olhos embaçados de tanto chorar,de rir!!!
Bj

Lina Gatolina disse...

delícia de festa...
logo logo o meu menino faz 15 também...
bjs
denise

Susi disse...

Ana, por favor nem procure a foto desse palhaço, deixa assim ja passou!
Prefiro as festinhas feitas em casa, sao mais gostosas em todos os sentidos, essas de buffet ou casas de festas sao sempre iguais e impessoais é aquele kit e pronto e tem sempre um palhaço sem graça.
Nota 10 pra sua.
bjks

harumi disse...

bem, eu nunca gostei de palhaço, agora é que não vou me esforçar pra gostar! rsrs.
adorei o seu relato e vou guardar pra quando for a minha vez de aniver-de-um-ano-de-filho!!!
aqui em casa somos festeiros tb, mas ano passado fizemos uma festinha em casa, com bolo caseiro e amigos e foi ótimo!
beijocas.
(fiquei com vontade de brigadeiro com estrelinhas.....)

Claudia disse...

Bem, aqui em casa, a palavra festa também é proibida pela filha mais velha, que tb já fez 15 anos e não quis comemoração. Por sorte, ainda tem o pequeno, que neste aniversário de 4 anos, terá uma festa de pirata (tão bom quando eles ainda não escolhem os super-heróis!rs)

beijos.

Ah, acabei de inaugurar uma lojinha virtual com louças de bolinhas e fofuras pra casa, se der, passe lá.


www.casadaclaudia.weebly.com

Paty disse...

Foi um dia muito gostodo e especial, amei!

Katia Bonfadini disse...

Ana, eu amei seu texto!!!! Como você escreve bem e de maneira gostosa... A história do palhaço seria engraçada, se não tivesse sido traumática. Que sujeito sem noção! Não tenho filhos, mas acho ótima a ideia de comemorações mais intimistas em casa. Um grande beijo!