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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Atchim!

Filho mais velho ficou dodói no meio de uma semana daquelas: sem carro (Ó-D-E-I-O revisão), com o marido doido por causa do trabalho e do maldito imposto de renda (tem mais alguém honesto aí, que paga imposto de renda certinho todo ano, em muitas parcelas?) e dia das mães chegando (ou seja, bancada lotadaça de trabalho).
E lá fui eu pro pronto-socorro de táxi com o meu grandão. Com três filhos e alguns cálculos renais, dá pra imaginar que já sou freguesa de PS, né?
Em uma das últimas torsões de tornozelo do meu atleta, foi um sufoco.
Mas não tem ser mais "safo" nessa vida do que mãe. Mães são capazes de inventar uma fantasia de última hora na porta da escola, usando uma caixa de papelão, barbante e um rolo de papel higiênico do porta-luvas do carro. Ou de ter ideias ótimas para as trinta rimas que a professora pediu e o filho lembrou de fazer antes de dormir. Ou de fazer um bolo à meia-noite (sempre me atrapalho com o calendário do lanche coletivo), usando um ovo, uma laranja e tico de farinha de trigo. Dá-lhe MacGyver. Se existe uma profissão perigo nessa vida, é a carreira de mãe.
Então, carregar o molecão de 1,75m (que não conseguia pisar de dor) hospital afora foi coisa pra zé moleza.
Anos de vômito, cocô (m**da ainda tem acento?) mole, inalações, bronquites, febres, viroses, cataporas e alergias me fizeram ficar esperta. Assim que ouço o primeiro chiado de algum dos pulmões da casa, já preparo o meu kit de sobrevivência no PS: minha sacolinha com tricô ou crochê; linhas; tesoura; agulha; barrinhas de cereal; revista velha pra reler e deixar lá para a próxima pobre alma que aparecer, pacote de bolacha e moedas para a máquina de refrigerante do corredor do hospital.
É batata: se eu não levo o kit, entro na sala de espera e tem 555 pessoas com máscaras, tossindo e espirrando alucinadamente, doidas por um doutor que lhes garanta que não é gripe suína. Mas, se eu me comporto como uma mãe prevenida e levo o kit, encontro a sala vazia e logo vem o enfermeiro nos chamar.
Quase foi assim, a não ser pela espera do marido que tinha ido buscar os outros filhos na escola.
E, como sempre, veio uma senhorinha conversar comigo. Invariavelmente, se eu saco meu crochê de muitas cores da sacola em qualquer sala de espera de qualquer coisa, aparece do nada uma velhinha simpática doida pra puxar assunto. E invariavelmente, a conversa começa assim: "que trabalho lindo você está fazendo, minha filha!". Acho que elas ficam à espreita. E a-d-o-ro!
No fim das contas, filho já está melhor e querendo ir ao cinema hoje à noite. E eu... atchim! passarei o final de semana resfriada...
Bom findi com sabor de cebion laranja com acerola pra vocês.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Companheiros e companheiras...

O miau purple Ana Sinhana saiu no jornal daqui como dica de compra diferente num dos bons bazares da cidade, que vai até dia 08 de maio.
O bichano apareceu sem nome, lenço nem documento. Mas pelo menos não foi nas páginas policiais, né?
Brincadeiras à parte, venho de novo falar sobre formas alternativas de expôr e vender crafts. Formas mais justas, solidárias e amigas de tornar viável a sobrevivência à margem dos grandes-mega-hiper-magazines, produções em massa e lucros abusivos que esmagam pequenos trabalhadores manuais.
Azeitar a roda da acumulação capitalista? Tô fuera, companheiro-crafter!!!
Então, aguardem que tá chegando mais uma edição do Estação Bazar, um pouquinho maior e aberto ao público campineiro.
Logo, logo...

p.s.: tem miau novo na loja, incluindo a reedição do foférrimo miau chocolate. Vai lá!

domingo, 25 de abril de 2010

Domingo

Mais um sábado de correria. Saí cedo, pra aproveitar a manhã e a ajuda dos braços fortes do filho e buscar materiais difíceis de carregar lá no centro da cidade. Voltei com algo a mais e uma ideia pro blog, que espero colocar em prática logo.
No caminho, mais uma missão: comprar ingredientes pro almoço, que teria que ser a jato. E quando finalmente nos sentamos à mesa, tive um momento chilique: "será que nunca dá pra fazer nada com calma e sem pressa nessa casa?".
Claro, parte da culpa é minha mesmo, que programo um milhão e meio de coisas e ainda aceito o pedido do caçula de fazer cookies no fim do dia.
Mas depois do sábado vem o domingo. Ou seja, espero ter um dia calmo hoje, sem saídas programadas, um pouco de descanso e, como única tarefa, assistir ao filme que tanto quis ver no cinema e não achei companhia.
Como dizem meus filhos, hoje tô "de boa", com sensação de tarefas cumpridas para encarar as novas tarefas da semana que começa.
Aliás, vejam só o pequeno e colorido exército que foi alegrar o Lar da Vila, loja linda que fica num bairro muito amado da minha infância em SP, a Vila Mariana: Eu morava na Vila Madalena, mas ia quase todos os finais de semana pra essa outra vila, onde moravam meus tios e primos adultos, numa vilinha cheia de crianças. Essa era a maior diversão da minha meninice urbana.
Sucesso, Fabi!
E bom domingo.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Bolinhas

Tem bichinho novo na parada, arredondada em todos os mínimos detalhes, tricolor e fofa que só ela: Porque como disse essa apaixonada por bolinhas aqui, "nem tudo que eu amo é coberto de bolinhas... mas tudo que é coberto de bolinhas eu amo! A-m-o!"
Então, vai lá na loja dar uma olhada na novidade!
E se você ainda não votou no meu bolo na promoção de aniversário do the cookie shop, vai djá e fala que o n°3 é o mais bonito entre todos os bolos bonitos que as meninas fizeram.
E bom final de semana.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Votem 3!

Não minha gente, vocês não entraram no túnel do tempo, nem em um episódio de Além da Imaginação!
A festança estilo seventies da foto, com direito a bala de côco e brigadeiro colorido, faz parte da comemoração de um ano do blog the cookie shop, da queridona Paula.
A proposta era fazer um bolo marcante da sua infância e eu escolhi o Bolo Peteleco. Aproveitando para me livrar de um antigo trauma envolvendo um certo bolo-campinho-de-futebol, fiz o brasão do time amado do marido, o Botafogo de Ribeirão Preto-SP.
A historinha do trauma eu já contei aqui, lembram?
E a votação já começou! Vão lá no the cookie shop e votem em mim. E, se eu for "eleita" prometo só fazer bolinhos elegantes e apetitosos com o livro da Martha Stewart, prêmio gentilmente oferecido pelo the cookie shop. E claro, posto a receita pra vcs!
ps: meu nome não é Enéas!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Heranças

Quando se é jovem, certos presentes passam despercebidos, pois temos a mania de olhar a vida como se ela fosse estática, imutável. Como se lugares e pessoas pudessem ser preservados e mantidos ad infinitum.
Hoje, se eu pudesse voltar no tempo, visitaria mais vezes a minha avozinha. Comeria mais do biscoito de polvilho frito dela, que nunca cheguei a aprender a fazer. Penteria e colocaria bobes nos seus cabelos grisalhos e finos, sentindo seu cheiro da água de rosas.
E contaria a ela que pretendo continuar sua tradição de fazer uma colcha de retalhos para cada filho. Depois para cada neto. E, se viver tanto quanto ela, para os bisnetos e talvez tetranetos.
Guardo com carinho extremo as duas colchas que ficaram aqui em casa, uma minha e uma da minha mãe.
Todas as colchas feitas pela vó Amélia eram assim: Sempre com o mesmo miolo e repetindo as mesmas cores no centro, mas incorporando tudo que é pedacinho de pano.
Já a que ganhei foi um pouquinho diferente, para minha surpresa: E hoje está na cama da filha, junto com a almofada fofa que veio dessa querida aqui num sorteio pelo twitter.
(Harumi, antes tarde do que nunca, né? Sempre fico esperando o presente estar em uso pra mostrar aqui mas, nesse caso, demorei uma eternidade. Aproveito para dizer que amei o presente.)
Na cama do pequeno, a colcha foi feita pela minha mãe. E também é linda, ainda mais junto com o Petit:
As colchas antigas precisam de reparos. Alguns tecidos ficaram puídos com o tempo e as lavagens. E, confesso, hoje em dia, elas só ficam em uso em tempo de festa ou quando a saudade é muita. Mas tenho um certo receio de mexer nelas, que são absolutamente perfeitas em cada pequena imperfeição.
De vez em quando, sonho com a vó. E acordo com a sensação de ter ganho um carinho durante o sono. Ou de ter ouvido sua risada engraçada, entrecortada pela tossinha seca. Ou, então, de ter dormido no pé da máquina, ouvindo o barulhinho constante do pedal. E me pego pensando como é possível não existir a palavra saudade em outras línguas.
Miss you, grandma.

domingo, 18 de abril de 2010

Quac!


Desde sempre, sou leitora contumaz de livros, revistas e revistinhas. Na minha infância, o melhor momento era voltar da visita semanal à casa da tia na Vila Mariana e esperar quieta e com o coração acelerado que meus pais parassem na banca do Ibirapuera. E que não saíssem de lá só com o jornal de sábado, mas também com alguma figurinha, álbum ou gibi.
Eu era o tipo de criança que não pedia, só esperava (acreditem, tive uma infância de esperança eterna). Mas me garantia lendo os gibis dos primos grandes. Até Fantasma eles tinham. E também uma cópia caindo aos pedaços de Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho.
Lá pelos dez anos, resolvi a questão de como ter livros por perto: saí escondida e fui a pé até a biblioteca Álvaro Guerra, uma verdadeira aventura. Cheguei lá e descobri que havia um mundo de possibilidades e letras e que, para acessá-lo, eu só precisava de um comprovante de endereço.
Mas nunca deixei de gostar dos gibis. Exceto quando aparecia algum teste, desses meio semelhantes às revistas de peruas femininas. Naqueles em que as questões levavam o pobre leitor a se identificar como um dos personagens, batata: eu sempre, eternamente, seria o Pato Donald ou seu personagem similar em outras publicações.
Isso me irritava profundamente (quac!). Pôxa, menina pato Donald? Por que eu nunca era a Margarida, a Minnie ou pelo menos a Clarabela (quac!)?
Hoje em dia, só posso culpar as circunstâncias da vida. Todos os mínimos acontecimentos me levaram a ser irritadinha, neurótica e estourada. Já cheguei a pensar na possibilidade de uma conspiração universal das pequenas coisas contra a minha pessoa.
Ontem mesmo, camelando na 25 de março junto com uma amiga querida atrás de coisas lindas pra deleitar minhas clientes, chegou aquele momento de aperto. Não, não foi meu cartão de crédito estourado, mas sim minha bexiga cheia.
Enquanto eu trançava as pernas no caixa real (vulgo, saída do Rei dos Armarinhos), minha amiga descobriu um banheiro decente na loja. Paguei e corri pra lá e claro, estava ocupado. Minutos que mais pareceram séculos depois, eu e minha amiga ouvimos uma descarga. Mais uns minutos e a porta se abre: sai de lá uma senhorinha com sorriso amarelo, pedindo desculpas pela demora. Entro no banheiro e... quac! Tinha que ser eu a entrar no banheiro (rima não-proposital) pós-véia-com-diarréia?
Isso fora as inúmeras caminhonetes com plaquinha de "Faço Carreto" na minha frente quando estou atrasada, bem na estradinha de mão simples daqui do condomínio. Ou dos caixas de supermercado mais lerdos do mundo, que sempre "me escolhem". Quac!
Hoje mais madura e com menos momentos quac!, penso que talvez tudo isso tenha tido um propósito maior, alguma missão escondida por trás de tantos momentos quac! Talvez rir de si mesmo seja uma arte que a gente deva começar a aprender na mais tenra infância. Talvez, rir do outro (no caso, rirem de mim) seja um destino inevitável.
Bom domingo sem quacs! pra vocês.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

República das corujas

Mandei o sofá daqui de casa pro spa. Ou melhor, vou contar a verdade de uma vez: ele foi é pro rehab, porque estava um caco, mais decadente que a Amy Winehouse nos seus piores dias.
Quando o caçula viu, começou a chorar baixinho, falando que eu mudo tudo em casa, que isso não é justo, que já mudei o carro, a mesa, agora o sofá. E que ele gostava daquele jeito, com o "furaco" e tudo. Mereço.
Já marido quando viu o colchão com a manta que coloquei no lugar, disse que só faltava o violão e o vaso de samamabaia pra casa virar uma república estudantil.
Qualquer hora dessas preciso sentar e escrever sobre os tempos de república. Procurei nos meus escaninhos mentais e achei umas histórias ótimas pra partilhar aqui.
Enquanto isso, mostro as corujas aboletadas no colchão-sofá provisório: E de lá elas saíram direto pra loja, assim como alguns gatinhos. Vai lá conferir!
E bom fim de semana.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Pão nosso de todo dia


A minha relação com a cozinha vai muito além de tê-la sempre bonitinha. Cozinha boa, no meu entender, é aquela que sempre tem um cheirinho de café pela manhã, de feijão borbulhante no almoço, de bolo de vez em quando. Mesmo sob pena de ter uns paninhos de prato queimados por acidente nas beiradas, ou o tampo da bancada irrediavelmente manchado, ou colheres de pau rachadas por atitudes intrusas no liquidificador funcionando.
Mas a qualidade da comida, aqui em casa, é inversamente proporcional à quantidade de trabalho na bancada do ateliê. Como tenho trabalhado sozinha, se a bancada enche, é nuggets na mesa.
Isso me tortura, me aflige deveras. Assim como o olhar conformado do marido no meio da semana, quando pergunta se eu não prefiro que ele leve as crianças pra almoçar fora pra me dar um tempo.
E mama lá tem descanso?
Por mais fofa que seja a atitude, mães são seres que se culpam e se atormentam de forma constante. E me pego invadida por pensamentos enviados pela dona Nóia: "será que a comida do restaurante é boa?", será que o cozinheiro lava a mão, higieniza as verduras?". E aí, cenas horríveis, também fruto da sádica dona Nóia, me invadem: vejo uma cozinha melequenta, com um gato soltando pelos à espreita dos ratos da despensa, e um cozinheiro grande e peludo segurando um frango com uma mão enquanto coça a bunda com a outra. Terrível.
Então, ultimamente tenho lançado mão de ajudinhas extras, que antes me pareciam meio heréticas: a máquina de arroz e a máquina de pão.
A primeira eu prefiro usar quando faço gohan, aquele arroz empapadinho que nós japas amamos comer com furikake, conservas suspeitas e legumes em suas variadas formas.
Já a máquina de pão foi um impulso do marido. E eu, que adoro dar uns murros de vez em quando, torci o nariz e continuei fazendo meu pão na raça mesmo. Passamos a usá-la em dia de pizza pra bater a massa. E digo que é uma mão na roda.
Até que no começo da semana me vi sem pão pro lanche-janta do fim do dia. E como sopinha sem pão fica sem graça, coloquei a máquina pra agir. Inventei uma receita, baseada nos pães de máquina que andei comendo na casa da minha amiga Rosana, ricos em sementinhas e outras boas intervenções.
Ficou ótimo; a máquina está de parabéns.
E ontem ousei um pouquinho mais e fiz um pão doce, com maçã e passas.
Ficou tão bom que vim aqui compartilhar a receita com vocês.
Na falta da máquina, dá pra adaptar e fazer a receita na mão, numa boa.
Mas, se você amiga dona-de-casa, anda cansada, estressada e tem esse gadget na cozinha, manda ver. Até a Palmirinha há de entender e nos perdoar!
Pão de maçã e passas

1/2 xícara de purê de maçã (cozinhei numa panelinha três maçãs Gala muito miudinhas cortadas em pedaços. Mas acho que duas de tamanho normal, uma pitada de canela e só um fundinho de água bastam);
1 xícara de leite;
3 colheres (sopa) de manteiga sem sal amolecida;
3 colheres (sopa) de açúcar mascavo;
3 xícaras (chá) de farinha de trigo branca;
1 xícara (chá) de farinha de trigo integral;
1 colher (sopa) de farinha de linhaça;
2 1/2 colher (chá) de fermento seco para pão, ou 1 tablete de fermento fresco.
1 punhado de uva passa.

Junte os ingredientes na máquina, começando pelos líquidos e siga o programa de pão doce da sua possante.
Se estiver fazendo na raça e for usar fermento fresco, comece dissolvendo o tablete em 1 colher de açúcar, junte a manteiga, o resto do açúcar, o purê de maçã e depois vá juntando as farinhas aos poucos, alternando com o leite. Se for necessário, ajuste a quantidade de farinha ou líquido. Sove a massa. Deixe crescer e leve ao forno em formas de pão até ficar douradinho (não sei bem o tempo, pois como disse, usei a maquininha).

E bom lanche!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

No sábado...


Junte:
Uma casa adorável e todos os seus pequenos e delicados detalhes:

Um lanchinho caprichado:
Tecidos, meias, linhas e açúcar:
E faça a mulherada feliz:
Foi no sábado, em São Paulo.
O legal é saber que os amigos queridos da gente sempre estão por perto, prestigiando, divulgando e dando aquela forcinha. Sem vocês, nada teria tanto sentido!
Obrigada, queridos!
Como eu já disse antes, os primeiros eventos do nosso Estação Bazar foram pequeninos, para convidados. E isso por pura falta de espaço físico, pois a vontade era de receber uma galera grande e animada!
Quem sabe, logo, logo...

Para ver mais docinhos, siga a trilha de açúcar. Para se divertir com os meiosos, caminhe entre pés quentinhos. E para o colorido dos crochês, siga o fio!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Curtinhas aleatórias

*Ontem de manhã, logo depois de deixar os filhos na escola, parei pra comprar pãozinho, coisa que raramente faço. Quando entrei na padaria, uma mulher toda de preto e pastinha me olhou como se eu fosse de outro mundo. Só aí é que me dei conta de que, juntando o frio com a preguiça, saí de casa parecendo a Lady Gaga dos mendigos: calça de plush roxa (detalhe é que dormi com ela), tênis velho, sobretudo vermelho e luvinha preta de dedo de fora. Só faltou o gorrinho com brasão do time.
O pão com manteiga estava delicioso.

*Filho grande anda irritado porque todos os dias alguém liga no celular dele perguntando sobre o Moisés. Ele, que é menino educado, explica que foi engano. Eu (que sou uma mãe doida pra voltar à época dos trotes telefônicos de adolescente) fico falando pra ele gravar uma mensagem dizendo que o Moisés saiu pra levar umas tábuas logo ali no Monte Sinai, mas assim que ele voltar a gente dá o recado.

* Sei que já falei, mas não custa repetir: amanhã começa o Mercado Nacional, bazar cheio de lindezas.
E também amanhã terei outro mini-bazar em SP, dessa vez na casa dessa querida aqui e entre meias e docinhos. Essa segunda Edição do mini ainda não será aberta ao grande público. Mas quem sabe logo a gente não arruma um espaço fino, elegante, cheio de gente linda e sincera e chama todo mundo?
Dedinhos cruzados!
Bom final de semana a todos.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Cores de outono

O tempo virou. Chuva, vento e um friozinho muito bom. Mas bom mesmo seria acordar tarde nesses dias de muita canseira. Porém, não reclamarei mais, sob pena de vocês me acharem a chata de galocha (sem trocadilhos climáticos).
Então, aproveito o friozinho de começo de outono para mostrar as cores que andam aparecendo por aqui: E também tem:


Gostou?
Não sabe como conseguiu viver até agora sem uma sinhaninha, carteira ou miau?
Então vai lá no Mercado Nacional, que começa sábado:
Hoje levei minhas sinhanices pra lá e fiquei babando no tanto de coisas bonitas que vi.
Mas, se vc não é daqui de perto, também pode ir até a loja. Ou me mandar um e-mail: anamatusita@gmail.com. Ou um sinal de fumaça.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Uruca? tô fora!

Depois de um feriado de Páscoa de comilança absurda, só poderia vir mesmo uma semana de urso hibernando na caverna, pra digerir todo o bacalhau e chocolate, né?
Nã-nani-na-não!
Embora eu me sinta contrariada pensando que deveria ter me preparado antes para não ficar na correria de última hora, sei que é impossível. E não devo chorar sobre o leite derramado, nem pela costura por fazer. Assim como sei que sempre que estou com pressa a linha vai embolar mais vezes, alguma coisa vai quebrar ou eu vou furar o dedo.
Catastrofista? Eu?
Não. Na verdade, meu lado paranóico é um bom leitor de sinais. Daquele tipo de sinal que mostra que os pequenos contratempos sempre (me) acontecem nas horas mais impróprias. Como se tivesse alguém me manipulando feito marionete, só pra ver minha reação tresloucada. Exemplo: ontem no almoço, enquanto eu tentava me conter e agir com naturalidade diante do maior camarão que minha bocarra já mordeu, é claro que uma pessoa do outro lado da mesa, por cima do vaso de flores e do enfeite de Páscoa, tentou se livrar da casca do crustáceo, que foi arremessada espirrando limão no zóio de quem?
No meu, óbvio. E lá se foi a finesse.
Isso sem falar no pão com manteiga que caiu da minha mão boba hoje cedo, antes mesmo da primeira mordida. Adivinha que lado atingiu o chão?
Ou na sopa que acabei de bater no liquidificador destampado. Ainda bem que é de tomate, bem vermelha pro teto combinar com o resto da cozinha.
Esse é meu lado "ó dia, ó céu, ó (...)". Lembram da hiena tristonha do desenho, que preconizava nuvens negras com esse bordão?
Só não posso completá-lo porque, segundo o avozinho do meu marido que hoje mora no céu a palavra atrai o seu significado. É mais ou menos como pronunciar o nome de você-sabe-quem. Chama o bicho.
Mas meu outro lado, aquele pragmático que faz listinhas, diz que será apenas uma semana curta pro tanto de coisa que tem que sair desse ateliê. Sem folga, direito a acordar mais tarde ou dar uma relaxada, como diz meu pequeno. Uma semana assim, espartana, pra compensar a esbórnia ainda não digerida.
Por via das dúvidas, vou ali tomar um banho de sal grosso.
E boa semana.

sábado, 3 de abril de 2010

Discutindo a relação


Há determinados tipos de relacionamento que tem data de validade, prazo certo para expirar: você se apaixona pela pessoa, vive um período de encantamento, parte para algo mais sério, ama e odeia. E passa a se irritar até com o arrastar da havaiana da criatura pelo quintal. E chega a hora de dar um tempo, umas férias, já que nenhuma relação de verdade é unilateral (a não ser as paixões platônicas que nutrimos pelos professores do ginásio) e o outro lado deve sentir o mesmo.
Pra quem cogitou que eu estaria falando do meu maridôncio, sai pra lá, urubu!
Estou falando da minha ajudante do lar, assessora de assuntos de organização e higiene, fiel escudeira, vulgo empregada doméstica.
Depois de trabalhar com a gente por muitos anos, a moça engravidou do 2° filho. Entre assustada e feliz, ela percebeu que os meses de licença seriam insuficientes pra cuidar do novo rebento. Isso já aconteceu há alguns anos atrás e, apesar de entender e apoiar a decisão dela, sinto calafrios na espinha quando lembro das estagiárias (era assim que marido as chamava: estagiária 1, estagiária 2, estagiária 3...) que passaram rapidamente aqui pela nossa casa, sem dar tempo nem de guardar seus nomes, mas com muitos estragos e louças quebradas pelo caminho.
Da primeira vez, eu até quis dar uma de mulher maravilha e manter a ordem na sala de justiça sem ajuda. Durou pouco tempo. Quase pirei. Agora, mais velha e mais sábia, vi que preciso de uma menina super-poderosa pra ajudar. E comecei a busca pela ajudante de super heroína.
Há uns dias, começamos a recordar as ex-estagiárias. Uma delas, uma senhora de certa idade e quadris avantajados, começava o dia mais ou menos animada. Ao longo da manhã, já andava meio cambaleante pelo quintal e ficava com o olhar vago, parada na lavanderia. Foi quando percebi a garrafa de pinga meio vazia: a popozuda batizava o café.
Mas eu pasmei mesmo quando ela nos pediu emprestado o livro erótico, escrito pela prima do marido. Detalhe: ela já estava quase terminando de ler durante o expediente. Aí, achei que era hora de encerrar o estágio, mas dei o livro de presente pra ela, junto com o pagamento.
Sei que não sou das patroas mais fáceis de agradar. Aliás, desde pequena.
Lembro que ficava com babás e empregadas desde muito cedo, pois minha mãe trabalhava fora. Eu tinha uns 5, 6 anos e uma delas me assustava falando de mortes e acidentes horríveis, picadas mortais de animais peçonhentos e certas coisas que ela fazia com o namorado que eu não entendia direito. Depois, me ameaçava dizendo que eu não poderia contar nada pra minha mãe, senão ela me traria de presente uma cobra na bolsa.
Na minha análise infantil, percebi que teria que agir sozinha, sem nenhum adulto por perto pra me apoiar. Fiquei desenhando placidamente na mesa da cozinha. Quando percebi que a fulana abriu a porta da sala munida de balde pra jogar água na frente da casa, não tive dúvidas e agi rapidamente: tranquei todas as portas.
Lembro da mulher se esgoelar do lado de fora, até a hora da minha mãe chegar.
Aí, senti que era hora da porca torcer o rabo: lá vinha bronca.
Mas como toda mãe é uma caixinha de surpresa, vi a minha dispensar a empregada em fúria. E contratar um perueiro pra me levar da escola até o trabalho dela, onde iniciei tardes felizes, que passava quietinha, desenhando em papel de rascunho.
Anos mais tarde e já com meus irmãos, minha mãe aparece com uma moça muito boazinha e gente boa que dormiria conosco nas noites de curso de estética (tem coisa mais anos oitenta do que mãe que fazia curso de esteticista?). Numa dessas noites que, por sorte a mamis chegou mais cedo, a babá baiana começou a ter uns troços, pedir água, depois bala, a falar esquisito. Ela havia esquecido de mencionar no currículo que era filha de mãe de santo e, vez ou outra, baixava alguém pra dar um hello. Coisa mais surreal.
E mais surreal ainda foi a caixinha de surpresas achar que dava pra levar na boa, então a mocinha continuou cuidando da gente. Quase morri de medo. Cada vez que ela vinha em casa, eu tremia e suava, temendo a visita de algum mizifio. Até que um dia, com todo mundo dormindo, a moça começou a fazer uns barulhos esquisitos de novo. E eu quieta, quase chorando de pavor, rezava tudo o que sabia. E os barulhos esquisitos aumentavam.
Mas não era santo nada. A moça estava era tendo um ataque fortíssimo de asma e, se dependesse de mim, ia sufocar, coitada!
Depois dessas rememorações todas, cheguei à conclusão de que não tem jeito e, como diz o marido, ajudante perfeita só se for um robô conectado ao meu cérebro. Ainda assim, é capaz de dar um tilt de vez em quando. Ou baixar um santo.