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domingo, 28 de novembro de 2010

Desejo de chocolate

Sabe aqueles pequenos sonhos de criança, alimentados durante muitas sessões da tarde?
Eu tive muitos desse tipo. Não sei se era timidez ou falta de esperança de que a vida trouxesse alguma coisa boa depois da adolescência, mas nunca fui de contar pra ninguém. Ou seja, acumulei sonhos impossíveis através dos anos.
Eu sempre quis uma Polaroid. Daquelas brancas, com um arco-íris desenhadinho. Talvez seja meu lado japa, porque sempre gostei de fotografia. Na adolescência, eram rolos e rolos de filme pra revelar, que eu levava na lojinha do pai do meu amigo chinês, o J. Lee. Até o dia, lá pela quinta série, em que o J. Lee resolveu me acompanhar na volta da escola até a minha rua e na esquina, todo sem jeito, fez a fatídica pergunta: "você quer namorar comigo?". Falei um NÃO excessivamente enfático e ele nunca mais fez o trajeto comigo. E os filmes começaram a acumular numa caixa de sapato no armário.
Enfim, uma Polaroid parecia a solução perfeita. Pena que eu nunca tive uma.
Mas o bom da adolescência é que, um certo dia, ela vira uma lembrança cheia de passagens engraçadas, péssimos cortes de cabelo e músicas descartáveis. E então dá pra remexer no fundo do baú sem medo nem receio de antigos traumas ou mullets assustadores.
E, há uns dias, meu antigo desejo por uma Polaroid foi realizado através de uma Fuji Instax Mini Choco, maquininha instantânea tão mas, tão fofa que só poderia ter cor de chocolate, pra registrar momentos doces como hoje, mais um domingão de comidinhas boas com a família e os compadres e afilhados: Ou um outro dia da semana, em que o caçula pediu pra fazer uma coisa de chocolate juntos e comeu cookies até não aguentar mais: O outro lado bom de crescer é conseguir realizar pequenos sonhos, sem ter que escrever cartinhas, nem esperar o papai noel.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Corujas na loja!



Trio de corujas e kits apagão recém chegados lá na loja!
ana sinhana

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A minha trilha


Toda história de amor que se preze precisa ser escrita à mão, ter provas materiais de próprio punho. E junto com as cartas de amor, uma boa história precisa de uma trilha sonora. Sem trilha, sem clima pra ler as cartas...
Eu guardo comigo ambas as coisas, já que éramos de cidades diferentes e nos conhecemos numa terceira cidade. E tudo isso numa era pré e-mails, msn e sms (faz tempo, gente!).
A ida ao show do Paul foi como ouvir um resumo da minha história de amor, com o prêmio extra de ser cantada por um Beatle. É claro que outras 64 mil pessoas devem ter tido sensações parecidas, mas isso só tornou a coisa toda ainda mais especial.
Pensem no impacto do nana-nanananá de Hey Jude cantado em coro por um estádio inteiro, luzes apagadas e um monte de luzinhas de celulares, como se fossem estrelinhas...
Ou o refrão da chatinha (sorry fãs do John) Give Peace a Chance sob uma chuva de bixigas brancas invadindo a platéia.
Como disse meu filho: "chorei que nem uma mulherzinha!"
Um dos momentos em que mais me emocionei foi em Something, música que já ouvi muitas vezes cantarolada pelo marido, já que é do Beatle favorito dele, o George. Começou de um jeito esquisito, com o Paul tocando o ukulelê ganhado do amigo. Depois ganhou a força da guitarra, com o refrão lindo:
"You're asking me, will my love grow
I don't know, I don't know
You stick around now it may show
I don't know, I don't know"

Blackbird no violão, foi outro momento à parte. Fiquei pensando na filha tocando o solinho repetidas vezes, tão linda...
Em I've just seen a face, meu filho e meu marido cantavam hipnotizados a letra todinha. Essa era uma das nossas apostas, pois poderia ou não estar no setlist. E ainda bem que estava.
Eleanor Rigby foi demais. Exceto pelo passa-fora que dei no moço que, no meio da muvuca apertada, me cutucou pra pedir licença, interrompendo minhas lágrimas e meu desafino. Fui grossa, uma verdadeira cangaceira como disse uma amiga minha. Comprar cerveja nessa hora? Quase heresia.
Claro que teve o clímax, com os fogos em Live and let dye, a aula de rock que foi Helter Skelter, a emoção de Let it be...
E o bis sendo chamado com a platéia toda cantando um "hello, hello, I don't know why you say goodbye, I say hello".
Ver Sir Paul com um pique de menino-beatle, esbanjando simpatia e dizendo que estava se divertindo muito foi demais. Aliás, ele e a banda, que tocava com reverência, admiração. Os caras faziam gracinha o tempo todo; o baterista era uma figura à parte (a macarena improvisada de Dance Tonight foi divertidíssima).
Atrás de mim, um garoto gritou por duas vezes: "obrigado, Meu Deus!"
Acho que a sensação que permanece depois desse show é bem essa, a de ter recebido um presente dos céus. Um presente que começou entre cartas, beijos e LP's há muitos anos atrás.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O pré show

Confesso que ainda estou em êxtase e está complicado escrever sobre o show do Paul McCartney em SP. Digamos que foi uma experiência única e pessoal, embora vivida junto com outras 64 mil pessoas.
Por agora, separei algumas fotos dos momentos antes do ídolo subir ao palco. Foi muito tempo na fila, sentada no chão, deitada, em pé. E deu até pra fazer amizade com o povo em volta.
A fila: A espera:


Beatlemaníacos, na pele e nas roupas:


Fã de outro ídolo: A melhor camiseta:
Quando o coração acalmar e as palavras voltarem a fluir, eu conto mais!

sábado, 20 de novembro de 2010

Um minuto!

(foto tirada pelo filho)
Sempre temos a sensação de que o tempo não está do nosso lado. E no final do ano, com a invasão dos panettones e luzinhas de Natal nas prateleiras, tratamos o relógio quase como inimigo, como se estivéssemos numa corrida contra o próprio Papai Noel.
Mas a verdade é que um minuto da sua vida pode fazer toda a diferença. Um beijo bem dado de um minuto (ufa!) tira o fôlego e arranca um frio lá do fundo da barriga; um minuto a mais, no final de um jogo de basquete, pode significar uma diferença enorme, de muitas cestas (e o mesmo vale pros amantes do futebol, pois um minuto de prorrogação pode ser uma tortura).
No meu primeiro parto, eu tive a sensação de que virei mãe num minuto e mãe de novo no minuto seguinte (pra quem não sabe, fui uma premigesta gemelar aka mãe de gêmeos logo de cara. Tão rápido, tão intenso!
E na maior ingenuidade falei há uns dias que nada que acontecesse nesse novembro seria tão especial quanto o show do Paul. Lêdo engano...
Lembram do stop motion do filho, feito com música dos Beatles e em parceria com o melhor amigo?
Eu nem sabia, mas meu filho se inscreveu no Festival do Minuto e, pra nossa surpresa e deleite, o vídeo da joaninha teve uma nota alta da curadoria e é finalista!
A música teve que ser trocada por uma do amigo. E ficou melhor ainda, mais com a cara dos meninos, mais autoral e divertida!
E se você, querido leitor, tiver um tempinho, se inscreva na página do festival e dê nota pro vídeo nos meninos (ou para outro dos muitos vídeos divertidos que estão concorrendo)!
Falando em tempo, hoje estou em ritmo de contagem regressiva para o show de amanhã. Já ouvi o setlist e senti que vai difícil segurar o coração. E, depois do show, entrarei em contagem regressiva para vários resultados importantes na vida dos meus filhos. Afinal, ser mãe é torcer, sofrer na arquibancada e na retaguarda, de vez em quando xingar o juiz e arrumar briga com a torcida adversária. Mas, sobretudo, é ficar feliz por viver junto deles qualquer resultado e toda pequena conquista.
Depois de morder a língua nesse novembro, fico cá com meus botões pensando que, quando a gente tem um filho, as chances de uma grande surpresa a qualquer minuto são enormes. Quando se tem três filhos, como é meu caso, as chances se elevam à terceira potência. Pode até ser um pé quebrado, escarlatina ou dor de garganta, mas as fortes emoções são sempre uma certeza.
Bom sábado a todos!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

WP #14: vestido novo

O problema de lidar todos os dias com tecidos lindos é a vontade que dá de vestí-los. Já falei uma vez que minha mania de comprar tecidos é antiga e veio muito antes que eu aprendesse a fazer uma casa de botão. E essa mania me rendeu muita dor de cabeça.
Lembro de uma vez em que comprei um linho verde lindo e levei numa costureira que um amigo indicou. A mulher era uma assassina da linha e agulha e matou o pobre do pano fazendo uma mortalha. E ainda disse que a culpa era minha, porque o "DEGOTE" (ela falou assim mesmo, com G) do modelo era muito complicado de fazer. Humpf!
E eis que eu tinha um tecido lindo, guardadinho desde o meu aniversário, quando ganhei um café da manhã delicioso das minhas amigas. Fez um dia lindo e a Fa, amigona querida, apareceu com um vestidão super fofo. Papo vai, papo vem, acabamos com as gostosuras do café e saímos correndo pra comprar tecidos, com a missão de reproduzir a belezura. Fiz um pra Fa (pena que não fotografei) e ficaram faltando mais dois.
No último feriado, resolvi fazer o meu, já que há tempos não rolava um projetinho de fim de semana por aqui. Eis o resultado:
O sol não veio, o vestido ainda precisa de uns ajustes, mas achei lindo assim, pendurado embaixo da parreira, esvoaçante e leve.
Orgulho puro!

sábado, 13 de novembro de 2010

Serão e horas extras no feriado...

Família foi pra casa da sogra e eu fiquei aqui, suzinha, trabalhando e com uma cólica do cacete (sorry, mas com cólica minha educação vai pro escambáu).
Mas, pelo menos, a produção tá rendendo e além de muitos gatinhos, tem carteiras e bolsinhas de mão novas: ana sinhana
Bom domingo, bom feriado!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Eu vou ver o Paul!

Esse último mês foi intenso. Ou melhor, está sendo intenso. A feira em SP foi uma correria (que, aliás, começou bem antes do evento, só pra justificar minhas ausências!), mas deu pra matar a saudade de amigos queridos e conhecer outro tanto de gente querida!
Agradeço as visitas e o carinho de quem apareceu!
Só que o frenesi desse novembro de clima estranho não acabou. Logo que cheguei em casa, exausta e saudosa, vi um pacotinho plástico rasgado de forma afoita em cima da mesa. Imediatamente, meus olhos ficaram marejados (acho linda essa palavra e nunca consigo associá-la com emoções que não sejam positivas!). Tirei de dentro do pacotinho dilacerado seis pequenos pedaços de papel, ciente de quem um deles era meu e também de que pretendo guardá-lo de lembrança até ser velhinha, pra mostrar pros meus netinhos.
O tal papelzinho, quem vai mostrar aqui é um ilustre morador da minha sala: EU VOU VER O PAUL!
Eu vou ver, ouvir, cantar e chorar muito. Só de pensar nesse dia, já tenho vontade de chorar. E por mais que marido me lembre que um mar de gente estará entre nós e nosso ídolo, e que se for o Ringo disfarçado de Paul a gente nem vai saber, nem ligo. EU VOU VER E OUVIR UM BEATLE AO VIVO!
Talvez eu seja uma espécie em extinção, pois cresci numa época em que os ídolos eram tão marcantes ao ponto de participar "ativamente" da minha formação. E mesmo que os Beatles, no meu caso, sejam ídolos emprestados da geração da minha mãe, nem importa.
Paul e John foram meus primeiros professores de inglês. Eu e minha grande amiga de meninice, a Cláudia (aliás, cadê você? será que estará lá no meio do mar de gente comigo?) assumimos a tarefa de ouvir os discos na vitrolinha dela, pra depois copiar as letras num caderno que ficava uma semana comigo, outra com ela. Depois, traduzíamos tudo com o Michaelis na mão. Não sei que fim teve o caderno, mas a lembrança é tão boa que meu olho já está embaçado de novo.
Também me recordo bem da tristeza confusa que senti quando ouvi no noticiário que o John tinha sido baleado. Nunca entendi como alguém tira a vida de um pai voltando de um passeio no parque com o filho e acho que isso não é coisa que se entenda, em qualquer idade.
Bem mais tarde, comecei a namorar meu beatlemaníaco marido e o primeiríssimo presente que ganhei dele foi uma mixtape de várias fases da banda, começando com Anna. E, no primeiro dia dos namorados, ganhei Taxman em LP.
Seremos três gerações da mesma família: sogro, cunhados, marido e eu e filho grande, que repete nossos passos pelo menos no quesito (bom) gosto musical. O menino ficou tão doido com o show que, enquanto o pai sofria madrugada adentro para conseguir comprar os ingressos, fez junto com o amigo Cury um stop motion simpático ao som de dig it!

E há uns dias, voltando adormecido no ônibus escolar quase causou um acidente: a motorista, que tinha a TV ligada no Globo Esporte naquela hora, tomou o maior susto quando o menino deu um berro de desespero. Isso tudo porque o apresentador anunciava a morte de um ídolo do esporte chamado Paul, ao som de live and let die. Meio dormindo, meu filho se sentiu realmente desesperado, já que afirmou que nada nessa vida o impedirá de ver o beatle. Por sorte, nosso Paul tem dois braços e duas pernas e não oito tentáculos. E também não adivinha resultados futebolísticos... quem morreu e criou toda a confusão foi Paul, o polvo...
Não acho que seja possível acontecer nada mais grandioso e importante nesse novembro. É claro que o amanhã sempre pode nos surpreender mas, de imediato, tudo o que sei é vamos realizar um sonho aqui em casa: vamos ver o Paul!
Bom findi pra vocês!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Baby Bum

Costura daqui, pinta ali e eis que chegou o dia: a Baby Bum feira infantil de 2010 começa amanhã e vai até domingo. Meu pequeno exército de felinos já está lá, a postos para começar a brincadeira!
E eu sigo logo mais e espero vocês para uma visita!