Páginas

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Ovos (nem sempre) frescos

(poster vintage daqui)
Ontem à noite, depois de um dia atribulado na rua, resolvi parar no supermercado embora eu evite essa tarefa aqui por perto depois de uma certa hora. Isso porque o único aberto é o pior de todos; aquele em que a verdura é podre, o pão é duro e o atendimento, o pior possível. Já vi rolar barracos homéricos no caixa, com clientes espumando de raiva.
Há quinze anos atrás, quando nos mudamos pra cá, nossas famílias acharam que a gente tinha pirado. O bairro era longe de tudo, com uma única padaria e um mercadinho familiar. E nós, moradores recentes de um condomínio que se formava, éramos tratados como forasteiros, já que muitas das famílias fundadoras do distrito ainda estão aqui.
Mas o tempo passou, o bairro cresceu, vieram outros condomínios, padarias e supermercados. Nessa urbanização acelerada, acabamos nos sentindo um pouco roubados do nosso paraíso pessoal, sossegado e arborizado - provavelmente como os pioneiros se sentiram com o primeiro condomínio.
O último supermercado a abrir foi um desses de segmento classe D de uma grande rede nacional. Acho que me acostumei com os pequenos comércios familiares, bem com cara de interiorrr, em que o avozinha-matriarca da família arruma as verduras vindas da horta local todas as manhãs e o neto mais novo trabalha no caixa. É só em lugares assim que é possível ver uma abóbora de 1 metro e meio de altura vestida de branca de neve, exposta na banquinha de frutas até ser doada para o leilão da festa da padroeira. Só aqui, acho ovo caipira fresquinho, desde que não seja Quaresma, "porque galinha de verdade não bota ovo nessa época", me ensinou a dona da banca de frutas.
Nesse cenário, antipatizei de cara com o mercado das frutas estragadas e decidi que só entro lá em último caso.
E foi isso que aconteceu ontem, quando lembrei de atender a um pedido do caçula: ovinho de codorna. Numa paradinha rápida, já no estacionamento achei que tinha algo estranho no ar. Fui direto para a seção das frutas e verduras (podres) e avistei a caixinha de ovos. Logo que peguei na mão, achei por bem verificar a validade, virei a caixinha e... ecati! um ovo podre caiu na minha mão!
O tamanho absurdo do fedor nauseante que impregnou minha mãozinha de fada era inversamente proporcional ao tamanho dos mini ovos!
Corri pra tentar lavar me lavar e dei com a cara na porta: o banheiro estava fechado. Quando perguntei pra uma funcionária, ela toda sem graça me disse que eles haviam fechado as portas, por causa de um aviso de... assalto!
O supermercado seria assaltado naquela noite, pela segunda vez. Com aquela sensação de só-comigo-mesmo-que-essas-coisas-acontecem, saí de lá correndo, a tempo de ver os camburões da polícia chegando pra evitar a ação dos meliantes. Nem sei o que me assombrou mais, se foi a catinga de ovo ou o assalto anunciado.
Cheguei em casa sem os ovinhos, num bodum lascado e comecei a lavar a mão com tudo que achei na frente: sabonete de rosas, sabonete antisséptico, esfoliante de figo, sabonete líquido, álcool, limão, vinagre, óleo de amêndoas...
O resultado foi que a minha mão ficou cheirando uma mistura de todas essas coisas, além de ovo podre.
Hoje, acordei sem vontade de cumprimentar ninguém e com a ideia fixa de que devo ser menos flexível com relações às minhas promessas e convicções.

24 comentários:

Vitor Hugo disse...

Ewwwwwww!!! Acho que só encontrei uma vez, um ovo ruim.

Ewewew, hahahah

Lara disse...

Ana,
Adoro ler as suas histórias! Saudades da vida nesse distrito aí...
Beijão
Lara

Cela disse...

Ai, eca. :x

Eu não compro ovos, meu pai sempre traz fresquinho da fazenda. :D Eu não vou lá muito porque minha rotina não permite, mas ele vai umas duas vezes por semana. Às vezes traz duas dúzias, porque sabe que eu uso bastante pra fazer bolos e tudo mais, e dou um pouco pra uma vizinha que é querida como uma vó. :)

Beijos!

Florzinha disse...

que nojinho...

Ju Padilha disse...

Ana do céu!!!
não sei nem o que comentar... aliás isto lembra bem uma expressão que eu e minha amigas da facul costumávamos usar em situações, vamos dizer, inusitadas: é o vale! o das sombras mesmo!!!
kkkkk
beijinhos e que amanhaã seja um dia tranquilo!

Gabi disse...

Oi!

vc conhece aqueles ovinhos achatados de inox, para tirar cheiro das mãos?

Na Liberdade tem para vender e tb são conhecidos como 'sabonetes de inox'. Eles funcionam bem e acredito que tirariam os odores da sua mão.

Acho que o assalto anunciado é mais assombroso.
Tomara que vc descubra logo um fornecedor de ovos mais fresco, mais perto da sua casa.

boa noite!

Caroline RBC disse...

Eeeeeeca!
Você acaba de viver um dia horroroso de cidade grande, kkkkk. Quase toda vez que saio de casa me deparo com péssimos atendimentos, riscos de assalto e nos supermercados e padarias promoções de produtos vencidos...isso é o que chamamos de "civilização", tudo dentro da "normalidade"...a estressada sou eu...rs
Boa sorte da próxima vez,hehe!

Cheiro Doce disse...

Nossa, que experiência traumatizante!!
Ovo podre é um dos piores odores que existem.. ieca!

Beijos
Ana

Marina Mott disse...

Essa ida aomercado foi punk!! Parece mesmo que toda a vez que a gente vai contra nossa idéia orinal a gente se estrumbica, né? Por outro lado, talvez o ovo podre tenha te salvado da muvuca anti-assalto...Beijo, Ana!!

Glau disse...

Eu tbem prometi pra mim mesma e tento repetir como mantra: dê mais atenção ao seu feeling. Mas no final sempre caio em algumas roubadas!

Adoro seus textos!
Bjao

Karina. disse...

Oi Ana!

Suas histórias sempre muito engraçadas, rsss...
Moro no litoral de SC, a cidade é pequena e tranquila com mercados também pequenos. Na rua onde moro, ainda é possível ver coisas como no interior, marcar na conta para pagar no final de mês, o dono do mercado entrega e troca o gás de coinha de quem comprou, vende gasosa em garrafa, vende verduras fresquinhas... Tudo muito simples.
Mas, já se observa um crescimento local nos dois últimos anos.
Não lembro de ter entrado no mercado onde tudo é ruim... e Supermercado assim, não tem jeito!
Pior é o cheiro de ovo podre...
eca

Sonia/sbspsp disse...

Que história menina........ mas o que importa é que vc está bem.... e o cheiro da mão vai sair...kk
bjs
Sônia

Milena disse...

Porque insistimos em algo que sabemos não prestar???
Tenho um mercado desse tipo,perto.
É um local,inclusive,bizarro.
Apesar de ser pequeno,de bairro,o dono usa a lógica(dele)que não tem nada por perto,então vai tu mesmo!
Eu tô fora!
E como você,gosto do atendimento único,onde há a conversa,o olhar no olho,não a pasteurização do bom dia,volte sempre!
Nunca peguei ovo estragado,porque não sou nem louca de chegar nessa seção!
Bjs

maristela disse...

Ana, estou aprendendo a duras, duríssimas pena que não devemos nunca abrir mão de nossas convicções. Podemos nem estar tão certas, mas pelo menos se errarmos, erraremos conscientes e com convicção de que fizemos o melhor.

Eliane disse...

Ana compre 5 codornas instale num viveiro e vc tera ovinhos frescos todo dia. As nossas aqui faleceram de velhice faz pouco tempo.Quanto a mercado aqui tambem tem um desse!! mas já aconteceu no melhor que tem aqui de eu achar fruta velha. Mas não se strese que da rugas. Um beijo da Eliane.

Ana Matusita disse...

Oi Eliane! Vc me fez lembrar da minha avó, que tinha viveiro e deixava uns bichos soltos. e falava que codorna a gente amarra com barbante no pé da mesa, pra bichinha não fugir! haha

Oi Maristela! Isso é que é teimosia! A gente insiste e não aprende!

Oi Milena! Local bizarro? Tô fuera!

Oi Sonia! Já saiu, graças aos céus!

Oi Karina! Adoro esse cenário de cidade pequena no litoral que vc descreveu!

Oi Glau! É nóis nas roubadas, amiga! Pelo menos, rende umas boas histórias, né?

Oi Marina! Eu realmente não tinha pensado por esse lado... melhor a mão de ovo podre do que refém de assalto, né? Imagina a minha cara no jornal? "Comprou ovo podre e foi assaltada!"haha

Oi Ana! Nem tão traumatizante assim...

Oi Caroline! Tô fora dessa "normalidade"da "civilização"!

Oi Gabi! Conheço sim. Vou procurar na próxima ida à Liba!

Oi Ju! Adorei e vou adotar: é o vale!! hahaha

Oi Florzinha! e olha que vc nem cheirou a minha mão...

Oi Cela! que moça privilegiada que vc é!

Oi VH! Bota "ewwww" nisso!
bjs

Ana disse...

quase me mijei de tanto rir aqui xD por isso eu sempre comento com meu namorado que teu blog é dos poucos que vale a pena ler...

espero que o cheiro melhore, tenta a técnica da Ana Maria, lava a mão com uma colherzinha de aço :3

L. Prado disse...

Oi Ana, aqui em casa temos duas patas lindas q dão ovos gigantes e deliciosos. Mas sei q só com um quintal gigante como o daqui de casa isso é possível. Se for seu caso, seria mto legal :D Eu adoro as nossas patinhas :)

Tania Brandão disse...

Noossaaaaaa!
Esse mercadinho é mesmo um "perigo" em todos os sentidos...
Ecaaaaaaa.......
ecaaaaa........ ecaaaaaa....
Tania

harumi disse...

ai, ovo podre ninguém merece! e suas mãozinhas de fada menos ainda!!!!!
que o seu resto de semana seja melhor!!! beijocas estaladas.

Flavia disse...

Parabéns pelo seu blog..amo ese mundo...mais ainda nao tive coragem de ter um..não sei por onde começar...Parabéns novamente

Erika disse...

Ovo podre, ninguém merece mesmo, Ana!!
Adoro quando você compartilha suas histórias...agora a ideia das galinhas no quintal...adorei! Me fez lembrar de minha avó.
beijocas

Lígia disse...

Nossa Ana,que surpresa descobrir que você é de Campinas... Adoro seu blog,seus trabalhos me inspiram, sou sua seguidora e também sou de Campinas... Sou do interior, e sinto saudades..., me vi nesse seu episódio no mercado rsrsrsrsrsrsrsr...
Bjks
Lígia

Maysa disse...

Olá,
Adorei sua história, tirando o desespero inicial q vc deve ter passado, agora se torna cômico.
bjos
Maysa - http://mulhermultifacetadain.blogspot.com/