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terça-feira, 3 de maio de 2011

A noveleira e a decoradora...


Meu lado noveleira esteve em polvorosa nos últimas dias. Não, não gosto de dinossauros, nem de robôs. Mas me encantei por uma minissérie gringa e acompanhei os cinco capítulos de Mildred Pierce, produzida pela HBO.
A série foi baseada no livro (de 1941) e no filme (de 1945) com Joan Crawford. Na versão atual, o papel da dona de casa foi vivido pela estrela Kate Winslet.
A história é um dramalhão lascado: Mildred é uma mulher de classe média que se separa do marido em plena Grande Depressão americana e tem que sustentar sozinha as filhas, comendo o pão que o cão amassou com o rabo pra manter o padrão de vida. Determinada e trabalhadora, a dona de casa simplória se mostra uma self made woman e, ao mesmo tempo em que vence profissionalmente e enriquece no ramo da cozinha, sofre horrores em casa com a filha ambiciosa e sem nenhum escrúpulo.
A menina, Veda Pierce, faz a nossa Maria de Fátima de Vale Tudo parecer um anjo de bondade e amor filial.
Além do drama, da ambientação de época primorosa (é legal ver como a personagem vence a crise, num paralelo certeiro com o espírito de reconstrução da época), o guardarroupa é de babar, apesar da elegância singela da personagem, que muda de roupa mas não perde o jeitão de dona de casa ingênua ao longo dos anos.
E, claro, a decoração das casas, com todo o charme dos anos 30 e 40, me arrancou algusn suspiros, junto com os quitutes da personagem, que vão de frango frito a panquecas com blueberry.
Não vou contar muito mais que isso pra não cometer nenhum spoiler, mas preciso mostrar um pequeno diálogo entre Mildred e o rico, cafajeste, falido, porém charmoso e elegante Monty (sou do tipo que se envolve e adjetiva livremente os personagens, desculpem!) no momento da recuperação da mansão em que ele pendura na sala de jantar antigos cardápios e panfletos dos restaurantes dela, que fica em dúvida sobre a parede:

Monty: "Sente-se e tenha uma aula de decoração de interiores."
Mildred: "Amo aulas de decoração!" (a gente também, Mildred!)
Monty: "Sabe qual foi a melhor sala em que eu já estive?"
Mildred: "Não, conte-me."
Monty: "Aquela sua, ou do Bert, em Glendale. Cada coisa naquela sala significava algo para ele. E as coisas causavam algo em você, porque era tudo parte dele. E é por isso que a sala era boa. E você sabe qual foi a pior? Aquele seu living, na mesma casa. Nada ali, até o piano chegar, significou nada para você, ou para ele, ou para qualquer um. Veja só: um lar não deve ser um museu. Cheio de Picassos e tapetes orientais, como esse lugar aqui costumava ser. Deve ser mobiliado com coisas que realmente importam. Vamos deixar esse lugar do jeito que queremos!"
Nessa altura, eu quase aplaudi e achei mesmo que a sofredora Mildred teria um final feliz. E que o Monty era um cara legal.

...

Caindo na real, aqui em casa procuro há tempos uma mesinha para a sala. Minha sala (e minha casa toda) é pequena, mas encanei que precisava de um apoio um pouco maior do lado da Eames de balanço e que o criado mudo antigo deveria ficar do lado do sofá.
Depois de alguma procura casual por aí, me frustrei e deixei a ideia pra lá. Até me lembrar da mini penteadeira que pintei há alguns anos pro quarto da minha filha e que estava lá na casinha de brinquedos, já que a minha pequena cresceu, não ficou malvada como a Veda, mas virou adolescente e quis se desfazer do movelzinho infantil.
Ei-lo, já na sala:
E com as luzinhas acesas, de noitinha: Me lembro muito bem do dia em que busquei a penteadeirazinha, que tinha até banqueta. Lembro da dona da loja escrevendo no pedido "minipenteadeira NO OSSO", meio a contragosto, depois de eu falar que pintaria sozinha. E lembro do dia em que fiz essas florzinhas: Abrindo a gavetinha, antes cheia de lápis de cor, brilhos e fivelas de cabelo, achei o nome da minha princesa rabiscado: O tempo passa e as crianças crescem, mas as marquinhas de caneta, os rabiscos e lascadinhos do móvel feito com amor ficam como parte da memória da casa, como pedacinhos de uma construção agregados ao longo da vida, que fazem todo o sentido.
Então, antes de jogar alguma coisa fora, pense duas vezes e, se a sua memória afetiva acender alguma luzinha, arrume um cantinho e guarde mais um pouco, ou dê de presente para alguém que você realmente ama. Juro que é muito mais gostoso arrumar a casinha assim!

15 comentários:

Ruby Fernandes disse...

Lindo, como tudo na sua casinha transpira amor! Adorooo!
bjo querida =D

Nina Dias disse...

oi Ana, Queri ter começado a assistir a série, mas não deu! Mas eu assisti o filme com Joan e adorei o drama, é muito bom e bem característico americano! Adoro clássicos, por tudo, vestuário, decoração, elegância, acho o máximo...Tenha boa semana bj Nina

Carol disse...

O significado de coisas que temos em nossas casas e que nos fazem bem só trazem boas energias e bons sentimentos.
Sua casa reflete sua alma e seu amor pelo belo.
Tenho comigo coisas que ganhei de pessoas queridas, família, amigos e amigos virtuais, e que fazem parte da decoração de toda a casa. Como gosto.
Beijos

Tati disse...

Eu achei que fosse um filme! Lembro de ter lido alguma coisa sobre isso, mas perdi a idéia de assistir pelo caminho! hehe.
Ana, por essas e outras que sua casa é tão acolhedora!!

Bjos

Iris Barcelos disse...

Sua casa me passa uma paz!!!!Bjssss.

Telma - Minha casa. Minha Vida. disse...

Ana, que mesinha mas linda, e muito mais por conta da história que ela carrega, uma história simples, mas é a história sua e de sua filha, e isso não tem preço, se torna na verdade, um memorial, essas coisas na nossa casa. Pois quando algém vê e pergunta o que significa, vamos nós contar um pouco da nossa história, ou mesmo só relembrar para os nossos filhos.
Perdi a série, que pena, será que eles vão repetir?? Tomara.
Um grande beijo
Telma

Ana Matusita disse...

Oi Telma, é verdade! Os objetos acabam guardando histórias!

Oi Iris! Minha casa não é lá o lugar mais tranquilo do mundo, acredite!

Oi Tati, como eu disse no começo é uma série baseada num filme e livro.

Oi Carol! Minha casa é só uma casinha simples!

Oi Nina! Também gosto de alguns clássicos!

Oi Ruby, obrigada!

Bjs

Marion disse...

Hehehe! Tb herdo peças que eram da minha filha (agora adolescente) que vão para outros lugares da casa... Legal, não? Abs.

Ana Paula disse...

Oi Ana,

adorei esse cantinho, é muito charmoso!

Abraço,

Ana Paula
Salinha do Crochê

Laély disse...

E no clima de novela, quase rolou uma lagriminha depois do diálogo sobre decoração!
Sua casa é sempre receptiva e cada detalhe tem a ver com você. Digo isso, como testemunha ocular! rs
Abraço!

Amehlia Digital ® disse...

Aninha, vc é uma linda e sua casinha tem jeitinho mesmo de casa de família, adoro!
Delícia essa penteadeira...
Tb tenho luzinhas, uma dentro de casa e uma coloquei na área, já até postei no blog...e fica bom, né =}
Um bejim grande procê!

vanessasantolin disse...

Amei tudooooo! Assisto a série e me identifiquei na hora como o diálogo, foi impactante. Me senti bem por saber que não fui a única a achar lindo aquele texto e a série em si. Estava começando a me sentir meio bobona por gostar dele... aí vi que não estou só!
Adoro seu trabalho justamente por conseguir transmitir esta intimidade e leveza de sentimentos. Parabéns por tudo.

Taia Assunção disse...

Que lindo Ana...tão bom esse carinho para nossas casinhas. Menino do meio voltou para o MT e eu desmontei o apartamento dele. Acabei pegando alguns móveis para a minha casa e os da minha casa passei para frente...uns eu vendi e outros a menina mais velha foi oferecer numa creche. Beijocas!

Andreia disse...

ana, obrigada pela recomendacao, estou amando a serie!

Cy disse...

Oi, Ana.
Conheci o seu blog agorinha mesmo e já estou aos prantos com o seu texto, principalmente com o último parágrafo. Muito lindo o que você escreveu sobre as crianças crescerem. Liga não, é que tô morrendo de saudades do meu lindo que está passando as férias com a avó. Graças a Deus que ele já, já vai voltar!!! :)
Grande "xêru".
Nancy