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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Crônica do cotidiano: micos de viagem!

Algumas revelações aleatórias sobre a minha pessoa: eu tenho os quatro dentes do ciso e um dente de leite (e vivo a morte anunciada do miudinho desde menina); não importa qual o supermercado, eu sempre escolho o carrinho da roda podre, que vira pra direita quando eu quero ir pra esquerda; meu livro preferido é Dom Casmurro e eu sempre achei que a Capitu nunca foi adúltera, embora tenha certeza de que o Bentinho sempre foi manso e, por último: eu sou farofeira. #prontofalei!
Adoro um lanchinho, uma quentinha com torta de liquidificador, um tupperware com bolo gelado de côco e uma garrafa térmica com suco!
Lembro da primeira vez em que fui para Ribeirão Preto, conhecer a família do marido. Eu estava em Jaboticabal, na casa da tia Có (oi tia!) que, por sua vez, tem carteirinha carimbada quando se trata de farofa. Resolvi sair cedinho, mas a tia acordou antes e preparou um lanchinho simples pro caso de eu ficar faminta na longa viagem de meia hora: um baita sanduíche de pão com ovo e bife!
E lá fui eu conhecer os sogros, morrendo de vergonha do sanduba gigante e sem nenhuma fome pós-café da manhã. Quando cheguei, pensei em deixar o pacote no busão, mas a minha educação cristã me encheu de culpa e resolvi procurar alguma alma esfomeada. Só que nem tive tempo de agir... mal desci e já dei de cara com o namorado/marido. Éramos ele, o sanduíche e eu querendo morrer de vergonha!
Mas, nessas horas constrangedoras é que você descobre se realmente está diante da sua cara metade. Marido logo sentiu o cheiro, pegou o pacote de papel alumínio da minha mão, abriu e saiu comendo. Quando chegamos no carro do sogro, não tinha mais nem uma migalha pra provar minha farofice!
Esse preâmbulo todo foi pra mostrar que, embora os opostos sejam atraentes, a gente acaba é casando com o farofeiro master.
E foi com fome de farofa que pagamos um baita mico chegando no Chile, vindos do Uruguay. Cunhadinho tinha dito pro marido que os embutidos chilenos eram ruins e caros, nada a ver com os salames e jamóns uruguaios e argentinos. Então, na última passada pelo supermercado Ta ta, marido abasteceu uma sacola de bolachinhas, doce de leite, balinhas, chocolate e um salaminho afinal, tinha jogo do Brasil no domingo.
No aeroporto de Santiago, cada um pegou a sua mala na esteira e, quando vi, tava lá, maridão cercado pelos cães farejadores da polícia: Parecia cena de filme. E ele, na maior ingenuidade, foi fazendo carinho na cachorrada até que a policial perguntou se ele tinha carne na bagagem. Ele: "no!", enfaticamente; ela:"la canina sinalizó que tiene". E o caçula: "é o salame, pai!é o salame!".
Bom, pra encurtar a história, marido passou pela raio-x, os caras olharam a mala, se entreolharam e disseram: "jamón", como se fosse um pacote de crack. Ele foi processado (sim, processado!) e detido na imigração junto com outros perigosos meliantes, todos brasileños, claro: um, com uma maçã mordida; outro com um saco de feijão preto e um mineirinho com um queijim de nada, uai!
As fotos foram tiradas bem de longe com zoom e saídos rápido e de fininho. Esse é marido, com cara de no lo creo! No meio da confusão, marido teve que ler a acusação em voz alta, super sério, porque percebeu que a coisa não era brincadeira, nem pegadinha. Depois teve que assinar que compreendia a acusação e preparar sua defesa, em que afirmou ter se olvidado por completo que tenia lo jamón en su equipaje e os carabineros se reuniram numa salinha para o veredicto. Duas horas e meia depois, marido, réu primário no tráfico de embutidos, foi absuelto sem multa e convidado a assistir a destruição química do salame. E a canina Paloma, la fofoqueira, nem ganhou um teco!
Contando parece (e foi) engraçado, né?
Mas me fez pensar no exagero e na onipotência dos acusadores, aqueles mesmos que levavam estudantes pro estádio e, agora, na falta de comunistas pra perseguir, pegam salame em aeroporto. De qualquer forma, fica a anedota. Afinal, o que é uma viagem sem nenhum mico?

34 comentários:

Gabi disse...

Uia! Não sabia que lá era tão rígido assim. Post muito, muito informativo esse! De verdade, gostei.

Quando voltei de Buenos Aires, fiquei com medo de revistarem a minha mala e tirarem os doces de leite, que só trouxe o menor potinho encontrado de doce de leite Patagônia, no meio das roupas.
No fim, nem me olharam, mas vai que eu trazia um monte e teria que ver tudo sendo destruído? eu ia chorar!

Ah! nem valeu a super a pena... os outros doces de leite que comi por lá, eram mais gostosos.

bj

Fernanda Berbert disse...

Ana...ri demais da conta!! A cara do detento e uma piada!! rsrs Voce me fez feliz de novo!

Ana Matusita disse...

Fernanda, o que é que eu não conto chorando para ver vcs rindo?

Gabi, não tem problema nenhum em trazer doce de leite, nem salame ou qualquer outro produto industrializado da Argentina. Alías, achava eu que não tinha problema trazer de lugar nenhum...
bjs

Anônimo disse...

Serio que pegaram o salame????o mesmoa conteceu com o meu marido
ui,na passagem pela Alemanha mais precisamente no aeroporto de Frankfurt.ele foi detido porque resolveu trazer na bagagem de mao um despertador que mais parecia um bomba relogio de tao grande.E deu no que deu,so foi * solto* pq passaram pelo raio x e viram que era apenas um relogio...grande.
beijos,seu blog e lindo e divertido.

Marilia Baunilha e Patch disse...

Ana,

Adorei a maneira com que você transformou esse evento desagradável em motivo de risadas. Para mim, pelo menos. Adorei tudo, do preâmbulo ao desfecho. Que situação non-sense, hein?

Beijos,

Eneida

Aldaneire disse...

Menina, que aventura e história boa para contar heim? Essa ficou para a memória da família.
E só de imaginar o seu marido afagando os cachorros pensando que eles os tinham achado...simpático! foi hilariante.
Beijocas.

Arte Sana Sonia disse...

KKKK nem me lembre que eu já deixei salame apimentado que trazia de souvenir para meus amigos, mias ainda bem que no brfasil o pessoal e bem mais delicado e ate me deixaram comer um pacotinho.....mais que raiva!...
Bjs

Tuty - Moda.Arte.Mimos - Thiara Ney disse...

Ai Ana, mesmo já conhecendo a história me acabei de rir enquanto lia. Coitado do seu marido...
Bjinhos, e adorei te conhecer pessoalmente!

harumi disse...

ah, ana, estes micos são terríveis quando acontecem, mas é o que tornam as viagens inesquecíveis e únicas!
e concordo com vc: os opostos só se atraem na Física! achei adorável a atitude do marido de comer o sanduba da tia 'só para te livrar do mico com os sogros"!!! hehehehe.
beijocas,
da harumi

Cynthia Le Bourlegat disse...

Ana, vc fez um post de utilidade pública para farofeitos como eu (sou filha de farofeira, e adolescente morria com minha mãe querendo comprar coca litro no carrefour e comer na praça de alimentação do shops, hoje casei com marido farofeiro e acabei cedendo) Vc nao tem noção das farofa que eu trouxe da frança, bom saber que os hermanos não perdoam nem um salaminho, que maldade...(choquei com o processo rs)beijo querida

Katima disse...

Ana.
Parece cena de filme e contada por você ficou muito engraçado!
Acho que esses policiais não tem noção, escuta essa: uma amiga trouxe para mim um guirlanda dos EUA, de cipreste em forma de coração, quando chegou aqui o policial tomou dela e disse que poderia estar trazendo alguma praga para nosso país, é mole?
Que mal faz um embutido ou um cipreste, sem contar o queijim do mineiro?
Obrigada por me fazer rir logo cedo.
Beijos, Kátima.

Telma disse...

Ana, a história é mesmo hilária.... isso acontece com muito gente viu....
Minha mãe, sim minha mãezinha, de 70 anos, foi visitar a minha irmã que mora na Inglaterra e resolveu levar uma cuscuzeira, pra nordestina lá, matar a saudades de cuscuz.... e quando chegou no aeroporto em Portugal, foi chamada pela polícia, coitada, eles pediram para abrir a mala, pois tinha algo estranho, e quando ela abriu, era a "bendita" panela estranha, e quanto mais minha mãe explicava, menos eles entendia... e foram ficando bravos com ela, até que apareceu uma funcionária, que tinha tirado férias no nordeste e comeu o cuscuz e conhecia a panela "estranha"... e tudo terminou bem.....
Vida de viajante tem disso....
Beijos
Telma

Carina disse...

Ana, ri demais com sua história! Parece muito com as loucuras da minha família! Bjs

luciane disse...

Ana, tô rindo muito aqui! A cara do teu marido tá sensacional!
Os chilenos não são para brincadeira! Nós já fomos várias vezes de carro para lá e sempre nossa bagagem é inteira revistada. Eles tiram tudinho e depois nós é que temos que montar.
O pior é que ANTES eles te fazem assinar um papelito dizendo que não tem nenhuma comida. E se acharem uma folha de alface velha, vc é processado por falsidade ideológica, além de virar traficante de alface.
Mas eu gosto de viver perigosamente e uma vez arquitetei um plano para poder traficar embutidos e queijos da Argentina para lá, porque realmente no Chile eles não sabem fazer estas coisas. No nosso carro tinha um compartimento embaixo do banco do passageiro, eu coloquei todo meu contrabando de carnes defumadas, geléias, salames e queijos lá. No porta luvas, um pacote com cerejas. Paramos na aduana, preenchemos o papelito e lá veio o fiscal sanitário e o policial revistar o carro. Antes, eles perguntam com solenidade, para te dar mais uma chance: não há nada no carro? E eu fiz meu teatro. "Me desculpe senhor,esqueci este pacote de cerejas e blá,blá,blá...". O policial ficou tão brabo comigo, me fez descer do carro para me dar bronca na frente de todos na fila. Me explicou que eu poderia ser presa, blá,blá,blá.... Pedi desculpas com a maior humildade e fui jogar minhas cerejas criminosas no lixo. O policial ficou tão satisfeito de ter me passado uma descompostura pública que esqueceu de revistar o carro! Exatamente como eu imaginava que iria acontecer.
Apesar do mico, consegui passar toda a minha "muamba" de salames e geléias!
Me senti uma traficante internacional!
kkkkkkkkkkkkk
Mas já frequentamos o juizado especial no Chile, porque o Leo parou o carro na contramão em uma rua de chão batido onde não existiam placas! Daí tentou argumentar e acabou brigando com o guarda. Resultado: levou umas 5 autuações, inclusive por desacato, e tivemos que ir ao Juizado no dia seguinte. Mas a Juíza se condoeu da nossa situação, porque realmente não existem placas no lugar, e o Leo só pagou a multa do desacato, Us$ 100,00...
A polícia chilena não é de brincadeira!

Ju Padilha disse...

kkkkkkkkkkkk
muuuito bom Ana!!! a foto do no lo creo ficou a melhor!!!!
beijinhos!

Thaís disse...

Demais essa crônica da vida real! Me peguei rindo sozinha da situação! E da inocência do Lorenzo!
Lembrei do carregamento de Ají que eu e Félix trouxemos do Chile. Aquela cara de culpados, traficantes, com os bolsos cheios de pimentas e sementes, passando pelos 10324 Kms da alfândega chilena, policiais fortemente armados, cães farejadores...Só respiramos qnd chegamos no Brasil e vimos o policial federal com alguns botões da camisa abertos, o cinto frouxo, a barba por fazer e fumando um Hollywood! (tá essa parte foi uma hipérbole)

ANA REGINA disse...

Oi Ana!
Que loucura amiga!
Por isso todos querem vir ao Brasil, aqui todo mundo chega, carregando tudo o que pode e não pode e fica por isso mesmo.
Tanta confusão por um salame!!!!!
Bjks no coração

priscilla barros disse...

ana, uma viagem tem que ter um momento desses, é meio que obrigatório! só assim ela nunca vai ser esquecida.
o caçula vai contar pros netos..

muito engraçado! (principalmente porque no final não pegou nada..)

ano passado o meu cunhado estava super apreensivo, pois estava com 5kg de arroz japonês na bagagem de mão - além de outras iguarias.

o mais hilário foi o pessoal da esteira perguntar o que era aquela enorme quantidade de material orgânico.. e quando ele respondeu totalmente sem jeito, todos caíram na risada. coitado. ;)

farofeiro sofre!

a minha cara metade desde criança é adepta à farofagem.. disse que a família ia pra um rio e levava um isopô cheio de onigiri. hahaha
imagina a cena. :)


bjs!

ateliê cupcake hortelã! disse...

Ana! Quanta emoção nessa viagem, hein?! Rssss... a cara do marido de "não acredito que isso está acontecendo" é ótima! Que bom que levaram tudo no bom humor, assim até esses momentos ficam divertidos! :)
Beijinhos, beijinhos!
Cissa

Daniela Mayumi Kodaira disse...

Ana, amei seu post! adoro farofa também, sempre levo lanchinho... mas lindo é ver que vc e seu marido são tampa e panela! Divirtam-se sempre, em todas as ocasiões! e dividam as estorias aqui com a gente! beijos

Vêu... disse...

Puta merda...Hein è engraçado até, mas na hora imagino o ódio de serem barrados por uma coisa que ai ai aia, tinha "dogas imaginaria" no salame auhuahauhaua


Bjos e ótima semana é inresistivel n passar por aqui =)

Vêu...

Dri Morango disse...

Micos fazem parte de qualquer viagem que se preze. hehe
Lembri de quando eu era comissária da Varig. Um mico atrás do outro.
Nunca me esqueço quando o agente da alfândega abriu minha mala grande e só tinha duas garrafas de coca-cola de 6 litros. Isso mesmo...6 litros.
Me senti uma contrabandista. Felizmente ele tb amava coca-cola e ficou por isso mesmo. em tempo...comissários não podem trazer nada. Pelo menos não podia.
Amei seu post e as fotos estão ótimas.
Como disse a Harumi, na hora não são egais, mas depois fazem toda diferença.
Bjks emais uma vez, parabéns pelo post.

Patricia disse...

Adorei sua maneira de contar a saga ! Tem que ter muito bom humor pra nao ter deixado isso atrapalhar.
Tb sou farofeira até e muitas vezes levo pra praia uns lanchinhos que minha filha morre de vergonha ! kkk
Beijo
Patricia T.

Bia (Desafios Gastronômicos) disse...

Excelente post! Estou aqui no escritório rindo baixinho... Sua narrativa foi super divertida, mas imagino que, na hora, não deve ter sido nada engraçado!

Beijos! Bia (www.desafiosgastronomicos.com.br)

Andrea Guim disse...

Oi, Ana!
Vim te convidar pro no SORTEIO no meu blog. Bora lá participar!

Obs: Sou apaixonada pelo seu trabalho!
Beijins,
Andrea Guim

maricota disse...

nossa, dei muita risada Ana, mas imagino a tensão. Da primeira vez que fomos ao Chile os caras abriram nossa mala e desarrumaram tudo atrás de contrabandos de maçãs ou queijos! Na segunda vez a gente já estava esperto, e os cachorros e guardas também! Eles não perdoam mesmo! Bjs, saudade =)

Maria Teresa disse...

Boa noite Ana, amo seu jeitinho gostoso e alegre de contar as suas peripécias. Rimos muito aqui em casa por conta deste post, abraços carinhosos

Jacque - Na espera feliz disse...

Ana! Você não está sozinha! Eu e uma amiga já pagamos este SUPER MICO chegando ao Chile com parte de uma COXINHA na bolsa... rs rs rs no nosso caso só tivemos que jogar a coxinha no lixo e pudermos seguir viagem sem processo! Mas a cena foi hilária pois o cachorro pulou no peito da minha amiga ficando de pé... rs rs rs imagina o susto e o mico?!

Kátia C. Silva disse...

hahahaha...adorei a história! Mas não sabia que eram tão rígidos em relação a essas coisas não!
Bom, valeu a "piada" e a experiência, não é??rs...
Bjo, bom dia!!

Adriana disse...

KKKKKKKKKKKK ri muito com essa sua estória. O marido fazendo carinho nos cachorros, o filho denunciando, a cara do marido no processo. Muito engraçado. Parece até aquele filme "Férias Frustadas". bjs

Laély disse...

Ana, a história da farofice no aeroporto não seria a mesma, sem a explicação inicial! Mas, que truculência, não?

mArCeLe disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkk
Minha irmã disse que lá eles suspeitam até da sombra e não dão nem meio sorriso... Imagino o apuro! (a cara dele foi o melhor).
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Larissa disse...

Oi querida Ana, conheci seu blog hoje por acaso e estou vendo todos os seus posts antigos. Morri de rir com a história do salame e saiba que pior que pagar mico quando se viaja é pagar mico quando se mora fora. Moro na Inglaterra e estou todo dia pagando mico kkkkkkk Amei suas toalhas, acho que alguns meses antes da minha próxima visita ao Brasil entrarei em contato com vc. Beijos

Adri disse...

Oi, Ana! cheguei nesse seu post de 2011 procurando sei lá o quê na internet e estou aqui morrendo de rir! A história, a foto, a cadelinha X-9... os micos de viagem são umas das melhores lembranças :) Ah, e as almas gêmeas se reconhecem, meu marido também é como eu: o estômago em primeiro lugar! Rs. Beijos.