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quinta-feira, 31 de março de 2011

Let'em in

"Someones knockin' at the door
Somebody's ringin' the bell"...
Minha casa não tem muro alto, nem portões eletrônicos como é comum aqui pela vizinhança. Mas devo confessar que tomo uns sustos quando o povo entra sem avisar, porque normalmente estou no ateliê lá no fundo do quintal, sozinha com meus botões e o rádio ligado (marido é especialista em tentar me pegar "no pulo").
Então, há um tempo decidimos colocar um sino na entrada de casa. Comecei a procurar e era só coelhinho, ursinho, passarinho e outros bichinhos fofos. Na boa, eu gosto dos bichinhos fofos, faço bichinhos fofos, mas tem umas coisas de jardim que são meio bocó demais pro meu gosto.
Fora isso, marido sempre me disse que hot mesmo era a bruxa e que a Branca de Neve, cantando com os passarinhos e limpando a casa dos anões, era uma tremenda chata.
Claro que quando vi o sino de bruxa, achei perfeito. Marido deu risada, minha mãe torceu o nariz, o pequeno ficou em dúvida, os grandes deram de ombro. E ela continua lá na frente, em cima do sino, recebendo bem quem é do bem.
E quando comecei a falar de sinos, lembrei da música deliciosa do Paul, Let'em in, e de um filme de medo, com neve, vampiro e criança, Let the right one in. Vi o original e torci um pouco o nariz para a versão americana, Let me in (porque eles tem que fazer versão de tudo que é bacana?).
Quem não curte filme de medo pode ficar com a música, que foi um momento gracinha no show do Macca.
P.s: por favor, relevem o muro que precisa ser pintado e a azulzinha com um pé na cova, que o jardineiro me avisou que já deu o que tinha que dar.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Bolo para convalescentes


Quando tive meus filhos, não conhecíamos quase ninguém por aqui e nem tinhamos parentes na cidade. Éramos só eu e marido. Mas sempre tem um anjo que vem socorrer uma jovem mãe desesperada e, no meu caso, foi minha prima Anna.
Ela, apesar de ser do lado não japa da minha família, é a pessoa mais japa que conheço, tanto que acabou se casando com um japa.
A Anna é mais velha que eu e sempre me contou que cuidou de mim quando eu era bebê e ela era moleca. Dizia que enchia uma bacia de alumínio bem da vó Amélia de cobertores e panos e me colocava dentro, pra ficar sentada (e eu devia adorar).
Mais tarde, em São Paulo, a minha alegria de sexta-feira era visitar a casa da tia e fingir que estava dormindo, pra ficar no quarto da Anna. Foi ela, junto com marido (na época namorado) quem me levou a muitas sessões de cinema pra ver Os Trapalhões e 007. Eles também me levavam pra praia e me deram minha primeira vitrolinha.
O marido da Anna morreu jovem e deixou saudade, porque era um cara brincalhão e muita figura, que me ligava ao meio-dia no meu aniversário e já ia dizendo que era só pra dar parabéns, pois precisava ir dormir, afinal ele estava no Japão.
E antes que eu comece a chorar, deixa eu contar da receita: a Anna, quando eu estava me recuperando da cesárea dos gêmeos, fazia esse bolo de fubá com pedacinhos de goiabada, além da melhor sopa de legumes de que me lembro. E vocês poderiam dizer: o que é que tem de especial em sopa e bolo simples?
Sei lá, deve ser mágica da Anna.
Como agora quem está convalescendo de uma cirurgia é minha mãe, fiz a receita do bolo ontem à noite pra levar um pedaço pra ela hoje: Vou confessar que marido me convenceu a desenformar o bolo antes de dormir (ele adora bolo de fubá, ainda mais com goiabada). Tem coisa melhor que bolo quente, devorado com vontade e culpa?
O bolo da Anna é grande e eu fiz numa forma de aro alta, de 20cm de diâmetro, mas ainda fiz mais cinco bolinhos pequenos, do tamanho de cupcakes grandes. Marido quem cortou e enfarinhou os pedacinhos de goiabada, mas acho que exageramos na quantidade porque, mesmo enfarinhados, eles ficaram no fundo da forma e o bolo grudou um pouquinho.
Bolo de Fubá da Anna
medida: copo americano (200 ml)

Aqueça o forno a 180 graus e, enquanto isso, bata no liquidificador:
4 ovos
1 copo de leite
1 copo de óleo de canola (não sou muito fã de receita de bolo com óleo, então coloquei só até a marquinha do copo)
1 copo de fubá
Na tigela, misture:
2 copos de farinha de trigo branca
2 copos de açúcar (usei cristal)
1 colher (sopa) de fermento em pó
Despeje o líquido na tigela dos secos aos poucos, mexendo com colher de pau. Despeje metade da massa na forma untada e enfarinhada, então coloque os pedacinhos de goiabada levemente passados na farinha. Coloque o restante da massa e leve ao forno. Faça o teste do palito quando o bolo estiver douradinho.
Enjoy!

segunda-feira, 28 de março de 2011

Casa, comida e roupa lavada


Minha vida e minha casa amanheceram viradas do avesso. Na verdade, estou numa correria alucinada há dias, entre a minha casa e a da minha mãe, que se recupera (bem) de uma cirurgia. E, no olho do furacão, ainda tive um bazar em SP no sábado e dormi na casa dos meus amigos mais queridos do Brás (nunca sei se é com Z ou S).
Hoje cedo, pensei em esticar o meu soninho, mas percebi que a faxineira tinha dado o cano... perfeito para uma segundona, né não?
Enquanto estou aqui caraminholando com vocês, a pia está cheia de louça pra lavar (inclua-se uma panela gigante que deixei queimar no fogo enquanto editava fotos pra loja), a máquina cheia roupa pra estender, e a gaveta de legumes da geladeira está uma meleca, me esperando pra limpar.
Alguém aí tem o telefone da Mulher Maravilha?
Então, lembrei de uma amiga que me escreveu outro dia que não sabe como dou conta de tudo.
Querem saber como? Hein, hein?
Eu NÃO dou conta! Simples assim.
Resolvi que não vou ser mais caxias e que, de vez em quando, vai faltar meia e cueca nas gavetas. E que cada um que se vire com seu uniforme de kung fu. Afinal, alguém vai ficar doente por causa disso?
E se eu nunca mais passar as toalhas, lençóis de malha e as calças jeans e só recolher do varal, dobrar e guardar? Alguém morre?
E se eu delegar tarefas do tipo: um lava, o outro enxuga ou um dobra, o outro guarda ou, ainda, um limpa o cocô da cachorra do quintal e o outro tira o lixo e cada um arruma sua cama? Vai dar calo na mãozinha ou vão me acusar de explorar trabalho infantil?
E faço aqui um juramento solene: se a faxineira tiver entrado no programa de demissão voluntária, nem vou sofrer (juro que não vou).
Cresci vendo minha mãe se esfalfar de limpar a casa, se negando a qualquer atividade social com os filhos pra ficar entre o tanque e a pia. E me lembro de ouvir inúmeras vezes, enquanto ela arrancava a pintura do fogão de tanto esfregar produtos químicos variados: "a 'dona fulana' vem aqui e ela é muito reparadeira e linguaruda". Ou, mudando de lado no tabuleiro: "nossa, o fogão da 'dona fulana' estava um nojo, nem sei como ela consegue fazer um café naquela casa"!
É claro que gosto da casa limpa e cheirosa. O problema está em não cair na cilada diária de se tornar escrava do lar, nem wonder woman dos tempos modernos, que se desdobra em muitos turnos. Tudo tem limite.
Para amar a casa, o melhor é estabelecer de vez quem é o dono de quem, sem missões impossíveis, nem sofrimento.
Assim, quando chegar a hora do seu seriado favorito, amiga dona de casa, abunde-se no sofá com os pés pra cima e, como diria o Frankie, relax!
Porque, além das contas pra pagar no começo do mês, uma coisa é certa: a louça não vai fugir da pia e ainda estará esperando por você ao final do programa.
Boa semana!

terça-feira, 22 de março de 2011

Vida selvagem


Nem tudo nessa vida é glamour e morar em casa, tampouco. Acho engraçado quando as pessoas invejam meu quintal... fico pensando nas poças de água e lama que se formam com a chuva, no mato que cresce loucamente e me fez contratar um jardineiro mensal e no cocô da cachorra, que é obrigação dos meus filhos recolher.
E aqui já vou começar a mea culpa: não sou fã inconteste de ter bicho em casa e sempre fui honesta com relação a isso, embora ache admirável quem se ocupa com a questão dos bichinhos abandonados. Fora o meu único cachorro, um cocker chamado Argus que tive na adolescência, nunca mais morri de amores por outro animalzinho.
Mas marido sempre disse que criança precisa de bicho. E eu concordo. Tivemos o Pongo, um dálmata lindo que foi ficando agressivo e psicótico, até morder minha filha (que era quem mais o amava) no rosto. Imaginem a cena: eu, grávida de 6 ou 7 meses do caçula, pulei a janela, dei um bico no cachorro, peguei a Bia no colo toda ensanguentada e saí correndo. Quando parei, minhas pernas e braços tremiam tanto que eu mal parava em pé. Felizmente, não foi nada grave, mas tivemos que despachar o cachorro pra um lugar sem crianças ou grávidas.
Um ano depois veio a Lucy (in the Sky with Diamonds), a cocker mais banana do universo, que tinha medo da tartaruga (embora nossa tartaruga fosse um ser selvagem, que fazia grunhidos e mostrava os dentes) e que está com a gente até hoje. Ela já é uma senhorinha, mas continua malandra. Outro dia, roubou um salame de cima da mesa numa festa no quintal. E havaianas, as legítimas, são irrestíveis pra ela: sempre tem um pé faltando.
E embora eu diga pra ela todos os dias: "eu não gosto de você, sua folgada", ela insiste em ir pulando até a porta do ateliê, onde fica deitada fazendo seus barulhos de cachorra doida.
Mas o fato é que nem só de animais domésticos vive meu quintal. Fora um ou outro beija-flor lindo, as chatinhas maritacas ou outros muitos passarinhos e borboletas que passam por aqui, com a chuva temos recebido a visita do meu terror, os sapos. Esses me deixam paralisada de pânico e olha que não sou de ter medo fácil.
Também aparece na rua, todo fim de tarde, uma familinha de saguis, que caminha pelos fios dos postes e, de vez em quando, vem atrás de frutas aqui em casa (pena que não achei as fotos).
Há uns meses, apareceu um porco-espinho, animalzinho muito fofo, porém perigoso pra quem tem cachorro (as fotos de bichos com espinhos atravessados são horríveis, não procurem!): O bichinho assustado, andou meu muro inteiro conforme eu fui tentando espantá-lo, pois na casa do lado também tem cachorro. Foi a sensação de uma noite de sábado!
E, no último domingo de madrugada, a Lucy começou a latir mais louca que nunca. Marido foi lá no fundo ver o que acontecia e voltou atrás de uma lanterna e da câmera, pois, segundo ele, tinha um bicho muito estranho que poderia ser um Gremlin (!), um gato de perna bem curta ou um rato mutante no cobertinho onde dorme a Lucy. Era o gambá mais bundudo de todos (não que eu tenha visto muitos):
De novo, a lenga-lenga: cutuca a bunda do bicho e espanta pra desalucinar a cachorra e voltar a dormir, pois eram quase duas da madrugada.
Enfim, morar em casa tem desse tipo de emoção que quem mora em apartamento da cidade talvez não entenda ou ache lindo, bucólico ou engraçado. Eu, que me achava a mais urbana das criaturas, já me acostumei a ver da minha porta capivaras popozudas atravessando a rua tarde da noite, enquanto me despeço de algum convidado de olhos arregalados. Faz parte do meu show.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Kit I ♥ cookie!


Se você ♥ fazer biscoitos, vai amar esse kit. O pano de copa tem varão para pendurar na cozinha e brinca com uma versão da famosa frase inglesa "keep calm and carry on".
Além do pano de copa e varão para pendurar,vem também com três cortadores fofos de gigerbread man & girl e coraçãozinho, mini adesivo de parede de ginger que é um mimo, cartão com receitinha e seis tags "de" e "para", caso você queira presentear alguém bem querido!
Então, vá já pra cozinha!
Lá na loja.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Kit I ♥♥♥♥ Cupcakes!



Kit novo, em vermelho e turqueza, lá na .
Para enfeitar a cozinha e, de quebra, fazer cupcakes lindos!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Ecobag reciclada

Acho bem simpático quando as lojas distribuem sacolas reutilizáveis de tecido, um jeito bem legal de incentivar o consumo consciente.
Porém, nem sempre as sacolas são as mais lindas, além do que andar com um logotipo enorme pendurado no braço não é nada charmoso. Quando uma amiga deixou aqui em casa uma sacola de algodão cru, daquele bem fortão, logo fiquei pensando num jeito de dar um up, uma melhorada no visual: Então, medi o logotipo da sacola e escolhi um pedaço de tecido e um botão bonitos, há tempos guardados: Dobrei as beiradas do bolso, acertando com o ferro de passar pra ficar bem marcado. Passei uma costura pra firmar e fiz a casa do botão. Costurar o bolso na sacola é meio desajeitado, mas é fácil (é só tomar cuidado para não costurar com a parte de trás ou as alças.
E, rapidinho, surge a sacola nova: Mais charmosa e pronta pra carregar as compras: Rápida, reciclada e bem mais charmosa!

terça-feira, 15 de março de 2011

Pão como antigamente

Nem sempre dá tempo de ir pra cozinha preparar o pão nosso de cada dia. Mas, confesso: ando meio cansada dos pães de fôrma comprados e, como moramos longe e o pão francês fresquinho mais próximo fica a 5km, tento fazer pão em casa quando posso.
Essa receita de pão de leite eu e marido fazíamos nos tempos de república, junto com nossos melhores amigos. Cada um dava uma forcinha na sova (de vez em quando gritando o nome de algum professor...) e o pão ficava super macio, ao ponto de sumir da assadeira antes de esfriar, em muitas noites de risada com qualquer bobagem na TV.
Saudades daquele tempo, em que um pão podia virar uma festa altas horas da noite. E em que comer carboidrato depois das 18h era puro deleite, sem culpa nenhuma.
Definitivamente, o ritual de formar duas pequenas bolinhas e deixá-las no copo com água, na maior expectativa de vê-las subindo, me traz boas lembranças.

Pão caseiro
Ingredientes:
3 ovos
2 tabletes de fermento fresco para pão
1/2 xícara de açúcar
3/4 xícara de óleo (usei óleo de côco, mas pode ser girassol ou canola)
2 xícaras de leite
1 colher (sopa) de sal
1 kg de farinha de trigo
Bata o leite, óleo, açúcar, ovos e fermento no liquidificador. Despeje o líquido numa bacia e junte a farinha aos poucos. Sove a massa em superfície lisa até que fique uniforme. Separe duas bolinhas e volte a massa para a bacia, que deve ser coberta com pano seco para crescer. Coloque as duas bolinhas num copo com água.
Quando as bolinhas subirem à superfície do copo, é sinal de que o fermento agiu, inflando a massa de ar (o que a torna bem macia).
Ligue o forno a 180 graus, transfira a massa de novo para uma superfície lisa e divida em seis partes iguais. Forme os pães, colocando 3 em cada assadeira.
Em cada pão, gosto de pincelar uma gema batida misturada com um colher de sopa de café pronto, sem açúcar.
Aí é só levar ao forno até que os pães estejam bem coradinhos, pra depois comer quentinho! Um dos nossos foi devorado puro pelo caçula, com coalhada seca por mim e com requeijão pelo filho mais velho.
Enjoy!

segunda-feira, 14 de março de 2011

WP/2011 #7: saia arrastaaaando no chão!

Ela não é minha afilhada, nem minha sobrinha. Mas é como se fosse. E no carnaval a danadinha veio aqui e se encantou pelas saias de gente grande. Depois, pegou a fita métrica, colocou no pescoço bem do jeito que eu faço e começou a brincar de trocar os papéis: ela virou a costureira e eu a criança.
E, claro, o pedido implícito era uma saia, arrastaaaaando no chão e de pula-pula. Na minha tentativa de interpretar a língua das princesas de três anos, entendi que deveria fazer uma saia longa e bem rodada.
Medidas tiradas, tecido de joaninha combinado com petit pois escolhidos, comecei o projeto: Como íamos nos encontrar no dia seguinte para o almoço, prometi que levaria a saia. Levei duas horas para cortar, franzir e costurar tudo. E cumpri minha promessa:

Claro que, no melhor da brincadeira, a saia pula-pula arrastaaaaando no chão atrapalhou um pouco e foi deixada de lado: Já os meninos são mais felizes e não precisam de tanta vaidade pra se divertir...

sexta-feira, 11 de março de 2011

Jantar à luz de velas

Hoje foi um daqueles dias de "segurar as pontas" pra todo mundo. E, de noitinha, depois das tarefas cumpridas e com a sensação de que as minhas próprias pontas ficaram soltas, vem o caçula falando: "bem que a gente podia fazer um jantar especial, né mãe"?
E eu, com frio na espinha só de pensar nos pratos mirabolantes que poderiam ser requisitados perguntei, resignada, o que ele queria comer.
A resposta: purê de batata, salsichão com mostarda de mel e pepininho!
Toda sexta à noite é assim: só dois pratos, um pra mim, outro pro pequeno. Porque os irmãos já tem aquela vida social intensa de final de semana. Hoje mesmo tá rolando uma festinha aqui no quintal, com direito a violão, Beatles e Pink Floyd. Os adolescentes daqui são antiquados, né? Mas meu ouvido agradece o fato de não ser Restart, nem Luan Santana.
Claro que eu e o pequeno não fomos convidados, embora marido dê umas incertas por lá logo que chega do trabalho, pra fiscalizar a baladinha. O capricho da produção vem de graça, com direito a velinhas e flores. Porque crianças são fáceis de agradar, pedem pouco, ficam felizes e elogiam. E aqui o caçula ainda sugere o post pro blog, olha que fofo!
Até me esqueci das tais pontas soltas...
Ah, antes que alguém queira bancar a tia velha: sim, aqui em casa se come salsicha. De vez em quando é a vegetal mas, quase sempre é a tradicional, indeterminada e deliciosa que faz a alegria da galera.
Nem só de arroz integral e pão de centeio vive o homem!
Bom final de semana.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Mulher, todos os dias!


Eu me tornei mãe bem jovem, ainda recém formada e no primeiro ano de mestrado. E no meio da confusão das aulas, tese e gravidez, veio a notícia: gêmeos. Lembro de ter saído muda da sala de ultrassom, com a foto de duas "bolinhas" na mão, que entreguei ainda catatônica pro meu marido. Desde o início, foi muito complicado, mas é o tal negócio: tudo depende de como encaramos as novidades e os desafios. E eu me apaixonei, de cara, pela ideia de me tornar mãe.

Só que tem sempre um urubu pra bater as asas em cima da felicidade alheia e, certa vez, estava eu no banheiro quando ouvi duas colegas da minha turma de mestrado chegando. Uma delas era assim a aluna mais promissora, aquela com o orientador mais famoso e a melhor bolsa de mestrado. E foi dela que ouvi: "(...) ela nunca vai terminar a tese, nem arrumar emprego. Imagina, com gêmeos pra criar?! essa já era (...)."

Acho que nunca me encolhi tanto na vida, nem nunca me senti tão desamparada. Não tive vontade de chutar a porta, nem de argumentar com um bom barraco, como seria de praxe. Na verdade, naquele momento, senti pela primeira vez a angústia de ter que me tornar uma mulher adulta. E mulheres adultas sofrem, se culpam, sentem o peso do mundo nas costas mais o peso dos filhos nos braços enquanto mexem uma panela, escrevem uma tese, atendem o telefone ou carregam uma lata d'água na cabeça.

Juro que, ali mesmo, já comecei mentalmente a exercitar o discurso do meu fracasso: cuidar de dois recém-nascidos, numa cidade nova e sem família por perto seria muito difícil. E mais difícil ainda seria fazer tudo isso e mais a tese de mestrado. Desculpas perfeitas ensaiadas de antemão. Claro que não compartilhei a morte anunciada dos meus planos profissionais pra ninguém e segui a vida.

Mas o tal poder feminino de que a gente ouve falar nos discursos de candidatas, nos filmes e demais panfletos, tem um quê de verdadeiro que se manifesta nessas situações adversas. E talvez seja a metáfora perfeita pra descrever a força com que levei o primeiro ano de vida dos meus pequenos filhos. Não sei bem como tudo aconteceu, pois até hoje quando me perguntam como era a minha vida com dois filhos pequenos e uma tese, eu tenho uma vaga lembrança, como se tivesse vivido em transe entre mamadas, fraldas, primeiros passos, choros, dentinhos e risadas. Só sei que sobrevivemos todos e a minha tese foi apresentada com nota dez, distinção e louvor.

É claro que fiquei feliz por ter conseguido concluir o mestrado e seguir em frente com os meus bebês no braços mas, pensando bem, eu me sentia muito mais orgulhosa de um outro feito: ter amamentado dois pequenos e frágeis seres que nasceram com pouco mais de 2kg e se tornaram crianças fortes e saudáveis. Dentre as muitas facetas do espelho feminino, acho que ser mãe pode ser a mais poderosa.

Dar a vida e alimentar os filhos é quase como um superpoder conferido unicamente às heroínas. E quando paramos para pensar sobre isso, parece muito natural dar conta de todas as outras situações, sejam profissionais ou pessoais. Depois das contrações, do parto e da amamentação, nada é tão forte ou tão intenso que não possa ser superado. Nenhum grande feito, como ser presidenta da República, é impossível depois da maternidade.

Frágeis, porém corajosas; por vezes apaixonadas mas sempre responsáveis; severas quando necessário, mas também flexíveis; um tanto culpadas, mas orgulhosas das crias, somos uma contradição em processo, capazes de grandes conquistas e descobertas. E seja com as águas de março ou em qualquer outra época do ano, acredito na força feminina da mãe e filha, dona de casa e esposa, profissional e estudante mas, sobretudo, acredito na força da mulher combativa, forjada no amor de quem dá a vida e luta por ela, todos os dias.
Então, feliz Dia da Mulher, todos os dias!

domingo, 6 de março de 2011

Pequenas alegrias domésticas: guardachuva colorido

"chove lá fora e aqui, faz tanto frio..."

Os dias andam chuvosos. E pressinto a chegada de mais cinza, ventos, raios e trovões com uma notícia que tive hoje.
Há algum tempo atrás, vivi dias bem cinzentos, independente do céu lá fora ou da previsão do tempo. Talvez porque, de vez em quando, a gente permita que o cinza se instale e seja difícil sair dele forçosamente.
Pode parecer excesso de lugar comum, mas tudo tem seu tempo (embora nosso desejo sempre seja tudo já, agora, imediatamente). E, aos poucos, a cor voltou e dominou meus dias. Então, por mais que o cinza seja uma cor da paleta atual, espero também contar com o resto do arco-íris.
O guardachuva colorido foi comprado num sinal de trânsito, exatamente pelas cores chamativas, pra tornar os dias encharcados mais coloridos e tentar evitar o buraco negro doméstico para onde vão todos os guardachuvas pretos.
Bom carnaval.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Soupe du jour - tomate, cenoura e correria

Hoje foi um daqueles dias em que eu corri de um lado pro outro e, no fim das contas, ficou o cansaço e um monte de coisas pra fazer. Fiquei com a sensação de que era só começar alguma tarefa que alguém já me chamava ou eu tinha que sair por algum motivo. No fim da tarde fui ao correio, depois de buscar o caçula no kung fu.
Antes, na hora do almoço, mal pude dar a primeira garfada e os filhos grandes me ligaram. Eles haviam saído logo cedo pra participar de uma manifestação contra o aumento da tarifa de transporte urbano (o gosto pelas passeatas tá no sangue, dos dois lados!). Só que na hora da chuva e da fome me chamaram pra buscá-los.
E, de manhã, segui resignada para o meu castigo mensal: a temida sessão de depilação a laser. Acho que todas as profissões tem algo legal que diz muito sobre a escolha de quem a exerce mas tenho que dizer uma coisa sobre as depiladoras e fisioterapeutas: são seres dominados pelo sadismo, só pode. E dotadas de uma pistola que dispara laser e um óculos de proteção maneiro, se deixam dominar ainda mais pela vilania.
Só sei que meu dia começou com os sovacos em brasa, apesar da temperatura agradável, quase outonal, que faz por aqui. E, no fim da tarde, terminou como já falei: ainda com muito o que fazer e bem cansada.
Porém, tenho um marido que chega em casa tarde da noite, muito mais cansado depois de dar aula e encarar a estrada. Então, juntei meu restinho de força pra uma das sopas preferidas da casa: a de tomate.
Dessa vez, juntei duas cenouras e uma cebola, que refoguei no azeite e deixei cozinhando com caldo de legumes. Em outra panela, cozinhei tomates italianos (uns oito), até soltar a pele. Tirei os tomates, bati no liquidificador e passei pela peneira grossa (marido prefere passá-los na passadeira, um tipo de peneira de metal com uma manivela mas o esforço e a sujeira que fica em volta me fizeram pensar duas vezes). Depois bati as cenouras, juntei tudo, salguei e deixei apurar mais um pouco.
A sopa densa, de um vermelho alaranjado, mais uma fatia de pão com queijo e um copo de vinho era tudo que eu precisava. Conforto pra barriga pra me preparar para a folia. E se você está cansado como eu, indico o trio elétrico nesse carnaval: TV, DVD, PC. Sem folia, nem batuque, nem furduncio.

terça-feira, 1 de março de 2011

WP/2011 #6: cheirinho de lavanda

Há uns dias, meu vaso de lavanda secou. Acho que a combinação muita chuva num dia, muito sol no outro, matou a planta delicada. Então, cortei os galhos secos e retirei as florzinhas. Os galhos, juntei num maço e pendurei na janela e, a cada ventinho, o ateliê fica super cheiroso. O mais legal é que quem entra desprevenido, logo sente e elogia o cheiro bom: Já as florzinhas, deixei secar e coloquei no meu vidro de lavanda francesa muito fina, que ganhei há um tempo atrás mas já está acabando. O projetinho cheiroso de lavanda é simples: usei a lavanda, um pacotinho de gaze (sim, gaze de curativo, pra manter a lavanda guardadinha, mas deixando escapar seu perfume) e fitas pra fazer uma alcinha: E foi fácil assim: coloquei a lavanda e alfinetei as duas partes, colocando a fita (ou sianinha ou o que tiver por perto) dobrada formando uma alça e costurei com cuidado pra não deixar escapar as sementinhas: Depois é só pendurar os sachezinhos super cheirosos nos cabides, no armário ou deixar na gaveta: É garantia de roupas cheirosas, gastando pouco e com um mínimo de trabalho!