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terça-feira, 28 de junho de 2011

Antes & Depois: almofada

Quando a sua faxineira é fixada por simetria e precisa de duas almofadas mais ou menos do mesmo tamanho, uma pra cada lado do sofá, fica complicado esconder a almofada velha e detonada, cuja capa já foi pro beleléu. Eu tentei até esconder dentro do armário mas, todas as terças e sextas ela voltava misteriosamente pro lado direito do sofá.
Então, o jeito foi arrumar tempo pro novo surgir do velho. Eis o antes: E o depois: Bem melhor, né?
agora tenho até o próximo dia de faxina pra ajeitar algo pro lado esquerdo do sofá...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Parabéns!

Ontem foi um dia em família, para comemorar os 16 anos dos filhos queridos, que vieram ao mundo juntos, na mesma barriga, mas são tão diferentes quanto amados.
Foi um dia doce e ensolarado, como se o mundo comemorasse a vida que compartilhamos e esse amor que não acaba.
Teve o churras preparado pelo papai com alegria, saladinhas, risadas e cupcakes no capricho. Pra dizer o quanto amamos vocês, Bia e João!
E hoje entendo que o sentido da felicidade mais plena que poderia existir na minha vida é saber que, se tivesse que voltar ao passado eu faria tudo de novo, só pra ter vocês ao nosso lado.
Com amor,
Mamãe.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Polenta Old School!


Outro dia, fazendo essa receita de polenta, fiquei tentando lembrar o nome de um filme italiano que vi junto com marido há um tempão atrás. Mas minha memória anda traiçoeira e escondeu em algum escaninho empoeirado o nome do filme.
Uns dias depois, passando pela Livraria Cultura, não é que eu vejo o dvd do filme bem no meio do corredor? Sincronicidade pura!
O filme é A Viagem do Capitão Tornado, do Ettore Scola, belo filme com os belos Vincent Perez e Emanuelle Béart. E eu me lembrei enquando mexia a panela de polenta porque, em uma das cenas, a trupe faminta dos atores devora uma tábua imensa de polenta.
E foi mais ou menos isso o que aconteceu aqui em casa!
Fiz a polenta com milho fresco ao invés de fubá e ficou mais leve, muito cheirosa e cremosa. O molho pode ser o seu preferido. Nessa versão, usei cogumelo fresco do tipo Portobello, fácil de achar no mercado, cebola, salsinha e tomatinho uva.
Polenta à moda antiga
5 espigas de milho verde
cerca de 1 litro de caldo de legumes
temperos a gosto (usei pimenta calabreza, salsinha, cebola e sal).
Tire os grãos de milho com uma faca e bata no liquidificador com um pouco de água. Passe por uma peneira grossa, reservando 1/4 da mistura sem peneirar (isso faz com que a polenta fique com um jeitão mais rústico, mas sem ter muitas casquinhas ou partes grossas). Refogue a cebola picadinha no azeite até dourar, junte o milho e os temperos e vá acrescentando o caldo de legumes. Se quiser uma polenta mais molinha, pode colocar mais água. Mexa até começar a borbulhar, então tampe a panela e deixe cozinhar até adquirir a consistência desejada, mexendo de vez em quando.
Coloque na travessa, rale um tanto de queijo parmesão e cubra com o molho que preferir. Para o meu molho, refoguei meia cebola no azeite, acrescentei os cogumelos picados e deixei cozinhar um pouco. Coloquei os temperos (salsinha, sal e cebolinha picada) e os tomatinhos cortados ao meio. Refoguei só mais um pouquinho, pros tomates não sumirem no molho.
Fica uma delícia para uma noite fria. E rende o suficiente para uma trupe faminta!
Bom feriado!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Antes e depois do guardassol, agora colorido e sem hífen!

Reformar nem sempre é vantajoso. E, no caso do velho guardassol, talvez não valesse a pena mesmo, considerando o preço de um novo. Quando meu marido comprou o nosso, lembro que custou uma pequena fortuna mas hoje, no mundo globalizado dos guardassóis ding ling o mais racional seria descartá-lo e comprar um mais barato, de plástico.
Mas ontem de manhã, quando fui dar aquela passeada pelos blogs amigos, vi essa postagem toda colorida da Susi, do Copy & Paste, moça com tremendo olho clínico para belezuras decorativas.
E pensei no nosso guardassol esquecido num canto, todo rasgado. E no quão bravamente o bichinho resistiu a muitas festinhas de quintal; e nos vários remendos depois de alguns dias de sol, como quando o vento forte o levou pra casa da vizinha e quebrou uma das hastes.
Lembrei até do dia em que marido chegou contando que havia comprado uma coisa pra casa que eu iria adorar e trouxe do porta-malas do carro o guardassol de madeira e tecido cru, todo lindão. Naquele momento, nossos sonhos domésticos ainda estavam começando e era uma delícia ter essa cumplicidade de buscar coisas pra casa sabendo o quanto o outro iria gostar (também foi assim que comprei a estante de livros do marido, pechinchando numa venda de garagem. E ele adorou!).
Então, tem lembranças que valem o esforço e o custo da reforma, sobretudo quando a gente pensa que nem sempre as coisas foram tão fáceis e acessíveis e que a grana já foi bem mais curta. Lembro que logo que viemos morar na nossa casinha, era um luxo ter grama no quintalzão e mais luxo ainda plantar cada canteiro, comprar cada móvel e construir nossa vida.
Por isso, depois de ver guardassol domingueiro da vizinha de blogsfera, mostrei pro marido e lá fomos nós pro fundo do quintal, no meio da bagunça, resgatar o nosso. E comecei a reforma.
Vejam o antes, com a função extra de pit stop para pombas cansadas e o tecido todo detonado:
A ideia era usar todo e qualquer pedaço de tecido colorido dupla-face do meu armário, sem grandes preocupações em combinar cores. Para o molde, cortei uma das partes antigas e usei como guia no corte das partes novas, deixando 2cm de margem de costura. Tive que fazer algumas emendas, pois que nem todos os pedaços de tecido eram do tamanho certinho. Fui juntando as partes ao longo do dia, com calma domingueira, e já era tardão da noite quando terminei. Chamei meu prendado e animado marido pra finalizar a obra ou seja, martelar a madeira que segura o topo: Hoje, apesar do solzinho do fim da tarde já ter baixado, eu e os filhos tomamos um chazinho debaixo do guardassol colorido, agora muito mais charmoso: Me empolguei e tirei um montão de fotos dos dois (filho grande estava fazendo a siesta nessa hora): Agora há pouco, enquanto eu editava as fotos, marido me ligou pra saber como tinha sido o dia. E perguntou: "cadê a postagem do nosso guardassol"?
E aí, alguém vai ter coragem de dizer que não valeu a pena?

sexta-feira, 17 de junho de 2011

=)

Essa noite sonhei que eu e meu caçula estávamos passeando por vielas estreitas e cheias de detalhes interessantes em Paris. E, de repente, me vi no cenário de um filme que nem me lembrava que tinha visto!
Acordei com uma sensação boa que tenho de vez em quando, como se tivesse ganhado um presente enquanto dormia. Deve ser mensagem subliminar da quitandoca e da colacorelinha!
E no twitter, a Carol me falou que começar a fazer caderninhos de viagens dá certo, então, dedinhos cruzados!
Bom final de semana!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Amigo engorda?

Acho que já contei que fui numa nutricionista e estou fazendo reeducação alimentar, não contei?
Decidi isso depois de não caber mais em mim, que dirá nas minhas calças. E também decidi por causa, errr, do sobrenome da doutora: Magro! Sim, Dra. Magro!
Claro que ela foi super indicada por amigas minhas mas, se você estivesse olhando numa lista de anuncio gratis classificados à procura de uma nutricionista, vai me dizer que não seria alguém com esse nome a escolhida?
Pensei que se essa predestinada não resolvesse meu problema, ninguém mais resolveria. E entre os conselhos da doutora, está o de só encontrar meus amigos uma única vez por mês. Porque amigo engorda!
Apesar da crueldade dessa afirmação, tenho percebido que é uma verdade absoluta; vira e mexe é pizza na casa de um, churrasquinho na casa do outro, lanchinho não sei onde. E como eu não quero virar uma magrela solitária (com ênfase maior no solitária), não vou virar um ser antissocial que se nega a encontrar os amigos. Só não posso comer até ter que abrir o botão da calça...
E também não posso fechar as portas de casa pros amigos, então, olha só o que eu e a minha vizinha Angelita do manual da dona de casa.com fizemos no sábado: Foi assim: a Ângela estava folheando um livro de receita aqui da minha cozinha, quando viu a receita de Raspberry Éclairs e falou, de brincadeira, "vamos fazer essa receita"?
Quando eu respondi que sim e contei que tenho um pé de framboesa carregado no quintal, a Ângela ficou entre o incrédula e feliz da vida, como uma boa dona de casa ficaria.
Raspeberry Éclairs
(do livro Cupcakes, Muffins & Baked Goods)
para as bombinhas:
55gr de manteiga sem sal
2/3 xícara de água
1/2 xícara de farinha de trigo peneirada
2 ovos batidos
para o recheio:
1 1/3 xícara de creme de leite fresco
1 colher (sopa) de açúcar de confeiteiro
framboesas frescas e morangos
para a cobertura:
1 xícara de açúcar de confeiteiro
2 colheres (sopa) de limão
gotinhas de corante alimentício rosa

Pré-aqueça o forno a 200graus. Leve a água e a manteiga para ferver numa panela grande e de fundo grosso. Adicione toda a farinha de uma única vez e bata com o fouet até que a mistura se solte dos lados da panela. Deixe esfriar levemente, então adicione os ovos batendo vigorosamente.
Para assar as bombinhas, forre o fundo de uma assadeira com papel manteiga e faça as bombas com saco de confeitar. Se não tiver um, não tem problema: faça o desenho das bombas a lápis no papel e vá preenchendo com colheradinhas de massa (eu e a Ângela fizemos duas receitas, cada uma de um dos jeitos e ambas deram certo). Leve ao forno por 30 minutos, então faça um furo pequeno em cada bombinha com uma faca e volte ao forno por mais 5 minutos, para secá-las por dentro. Deixe esfriar bem sobre uma grade ou na própria forma.
Para o recheio, bata o creme de leite e o açúcar até o ponto de chantilly (uns dois minutos na batedeira). Corte ao meio e recheie as bombas com o chantilly e as frutas.
Misture o açúcar com o limão e corante até engrossar (se for necessário, junte um tiquinho de água, mas bem pouquinho). Achamos que uma xícara de açúcar foi exagero, pois sobrou muito, mesmo fazendo duas receitas de massa. Mas não deixe de fazer a cobertura, porque as bombinhas não levam sal, nem açúcar e o recheio também é pouco doce. No final das contas, tenho que concordar com a sisuda, porém magra (não só no nome) doutora: amigos engordam!
E eu contribuí com algumas receitas um pouco menos gordinhas, porém nada lights, no dia dos namorados de duas queridas: a Thaís, menina das abóbadas aladas fez o blondie de limão siciliano e a Nat, do natzfirefly fez meus biscoitinhos de limão e a panqueca de maçã!
E olha a Ângela contando mais detalhes da nossa experiência bombástica!
Fiquei toda prosa!
E posso não chegar ao fim da vida lá muito esbelta mas, certamente, nunca serei uma pessoa sozinha.

domingo, 12 de junho de 2011

♥♥♥Para o meu namorado!♥♥♥


Eu sei que essa é uma data comercial, feita pro comércio de rosas vermelhas, chocolates em formato de coração e colares de pérola lucrarem adoidado com as nossas parcas economias. Dia dos namorados tem que ser todo dia ou, pelo menos, de vez em quando.
Então, fica combinado assim: hoje e sempre que der, a gente faz uma coisa gostosa, um agrado e muito carinho!
Eu ganhei café da manhã e fiz o almoço preferido do marido, eterno namorado.
E, parafraseando o Paul, o stop motion é pra todos os namorados e namoradas, mesmo que ainda não tenham encontrado sua cara metade. Feliz dia e muito amor para todos!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Na cozinha: gnocchi do ♥!


E eis que chegou junho, mês do friozinho, das festas juninas e do dia dos namorados. Só coisa boa, tudo junto.
Ainda ontem, pensei numa série de coisas gostosas e românticas pra mostrar aqui, inclusive, receitas. Mas fui surpreendida pelo amado: de manhã, comentei que o friozinho tinha me dado vontade de comer gnocchi e que a gente poderia fazer no final de semana, porque não tinha sequer uma batata (ingrediente básico) na geladeira.
Fui cuidar da vida e, mais tarde, quando voltei pensando em alguma coisa rápida para o almoço, o cheirinho bom e o calor gostoso vindos da cozinha me pegaram de surpresa: marido improvisou um gnocchi com batata desidratada, que a gente sempre tem pros domingos de pouca inspiração e muita preguiça. E não é que ficou uma delícia?
Portanto, a receita que agradou meu estômago e meu coração é do marido:
Gnocchi:
(rende o suficiente para um almoço de família faminta)
4 xícaras de batata em flocos
1 xícara de farinha de trigo
2 gemas
1 colher (sopa) de manteiga
sal
água quente para hidratar a batata
queijo parmesão para ralar sobre a massa
Leve para ferver uma panela grande com água e um fio de azeite. Hidrate os flocos de batata até formar uma massa maleável, mas não muito mole. Assim: Junte os outros ingredientes, amasse e faça as cobrinhas de massa, para cortá-las em pedacinhos em superfície enfarinhada, desse jeito: Coloque os pedacinhos aos poucos na água fervente, espere que subam à superfície e retire com uma escumadeira, deixando escorrer num escorredor de macarrão com uma bacia embaixo (tome o cuidado de não deixar a bacia tocar o fundo do escorredor): Depois de tudo cortado e cozido, ajeite numa travessa, coloque mais azeite e o molho que preferir (ontem o escolhido aqui em casa teve tomate, carne e manjericão). Coloque o queijo ralado e sirva bem quentinho!
Bom apetite! Chega um certo momento na vida em que a gente percebe que o romantismo tem menos a ver com velas, escurinho e flores. O romantismo de um eterno namorado se constrói assim, no dia-a-dia, no revezamento das fraldas e do almoço.
Mesmo assim, não dispenso as flores, nem os jantares românticos!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Eu ♥ bolinhas!



Eu realmente adoro bolinhas. Acho o padrão mais fofo e fácil de combinar que existe. Só não gosto quando as bolinhas estampam a pele das minhas crianças. Não contei aqui, mas meu caçula teve uma catapora daquelas, que durou quase duas semanas. De dar dó!
Já na pele dos gatinhos, acho lindo!
Lá na loja.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Antes, durante e por enquanto...

Hoje deu um certo desespero quando me vi no meio de tanta bagunça em tão pouco espaço; toda véspera de bazar é assim: eu esparramo tecidos, sianinhas e miles materiais por qualquer cantinho vazio do ateliê. E não acho nada. E arranco os cabelos de irritação.
Nem faz muito tempo, tirei tudo do lugar, mudei móveis, limpei, joguei coisas velhas fora - foi a tal faxina de ano novo. Mas é só junho chegar e, batata! A bagunça se instala ao mesmo tempo em que começa a faltar material, então é hora de arrumar tudo de novo e fazer a lista de compras para o próximo semestre.
Por enquanto, vou me virando como posso, fazendo o que é de praxe: uma varridinha todo final de dia, uma passadinha de pano na mesa e nas bancadas e umas pequenas arrumaçõezinhas.
Pra lembrar que tudo pode ser pior, resgatei a foto da faxina de começo de ano, que nem tinha tido coragem de mostrar aqui. O ateliê, que todo acha uma lindeza nas fotos, estava assim: Uma zona de guerra, né?
Na hora da arrumação, decidi mudar a escrivaninha de lugar e realmente usá-la como escrivaninha, evitando a tentação de mantê-la como eterno depósito de todo tipo de coisa. Depois de limpa, mas ainda com o visual antigo, ela ficou assim: E já que eu estava com a mão na massa, resolvi aproveitar uma sobra do papel de parede que coloquei na minha sala. Tirei o tampo de vidro da escrivaninha e substituí tecido, foto e flores recortadas pelo papel rosado que eu adoro. E, durante o processo, a escrivaninha ficou assim: Existe uma certa polêmica em torno dessa escrivaninha, que ganhamos da nossa madrinha de casamento. Durante muito tempo, ela foi compartilhada aqui pelo casal de economistas e, por mais que eu sempre tenha tido o desejo de pintá-la, marido nunca permitiu. Essa pendenga já foi motivo de muita cara feia, afinal o nosso ex-escritório virou um ateliê e marido ficou desabrigado, falando o tempo todo que o escritório "dele" virou um craft room (tentem imaginar o tom de deboche).
De vez em quando, ele cisma em querer retomar o território, mas esse nosso tabuleiro de WAR já está sob domínio rosa há algum tempo. Então, quando vê que a coisa é mais complicada, ele afirma que vai construir um barraco em cima da nossa extinta horta (essa parte do barraco me incomoda um pouco, mas faz parte do jogo), que vai levar a escrivaninha dele, o ar condicionado e o armário dos livros.
Enquanto essa guerra fria doméstica segue, eu continuo com a escrivaninha de madeira escura, porém mais bonitinha depois de arrumada. Por enquanto, ela está assim: E, espero eu, que continue (mais ou menos) arrumada por algum tempo. Ou até que o ateliê possa se mudar pra um canto maior, afinal, sonhar não custa nada... E vocês? Alguma pendenga por espaços de trabalho em casa?

p.s.: no último final de semana, já comecei a mudar a parede da bancada. Lembram do porta-linhas enorme? Se foi...
p.s.2: o bazar que mencionei será em SP, na Liberdade, lá no Café Kohii, sábado das 10 às 17h e domingo das 11 às 16h. Espero vocês lá!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A espera

Logo no comecinho da semana, pensei que os dias seriam curtos e, como nunca faço, elaborei um cronograma com as tarefas todas por dia, pra dar conta de tudo.
Santa ingenuidade, Batman!
Antes de me programar, eu deveria ter me lembrado da primeira grande lição sobre ter filhos: a partir do momento em que nos tornamos pais, nosso tempo não é mais nosso. A começar pelo sono. Nunca mais dormimos o suficiente. Primeiro, porque os filhos chamam pra mamar; depois, porque acordam assustados no meio da noite e se esparramam entre a gente, bem à vontade; e, na atual fase aqui em casa, porque incorporamos uma função extracurricular: a de motoristas.
Mas, juro, apesar da função mãemotorista ser muito chata, mil vezes ter dirigido mais do que o habitual nesse começo de semana. Já antecipo que estamos todos ótimos e no conforto de casa, antes que os mais afoitos comecem a se preocupar.
O fato é que tive que levar o filho grande para o pronto socorro na segunda-feira, por causa de um monte de picadas de carrapato seguidas de febre. Parece exagero, mas aqui onde moramos, por causa dos casos fatais de febre maculosa, achamos que seria melhor pecar pelo excesso e não pela falta (segunda grande lição do manual da paternidade!).
Depois de assistir as novelas das seis, das sete e das nove, fomos atendidos. E o médico, ao fim da consulta, disse que meu filhão teria que ser internado para os exames e para já começar a medicação, mesmo sem sabermos (ainda) o resultado.
Não fiquei desesperada, pois senti tudo aquilo como uma precaução, um cuidado com a vida valiosa e amada do meu menino.
Troquei a "guarda" com o marido lá pela uma da manhã e voltei logo cedo, na terça, sem ter conseguido dormir.
Aí sim, foi um teste de paciência, tanto pela espera da especialista, quanto pela inquietude juvenil que, o tempo todo, dizia que aquilo tudo era "um absurdo", que iria arrancar o soro e voltaria de ônibus pra casa. E pelo sono, porque nem as mães são de ferro!
E, nesse meio tempo, tentando não olhar para os caninhos e furos nos braços longos do meu menino, me peguei conversando com o Seo Waldemar, que habita o hospital há 33 longos dias à espera da sua terceira cirurgia. Tudo por causa de uma reles sinusite, que acomodou um fungo raro e lhe paralisou o rosto.
O mais impressionante era o bom humor do Seo Waldemar. O homem tratava com simpatia cada um que entrava no quarto, dos enfermeiros de todos os turnos até a faxineira (essa, inclusive o cobrou se ele já havia verificado "aquele negócio" na internet para ela).
Mais uma vez, pensei na passagem das horas, talvez mais lenta pra quem teve que se acostumar à monotonia do hospital. E na espera, tão mais angustiante nesse caso. Naquele momento, perdi qualquer ânsia de me lamentar ou de pensar no trabalho acumulado sobre a mesa.
E pensei na única espera que dá saudades e nas únicas pessoas que esperamos por longos meses, sem nem sentir irritação. Sim, somente os filhos são capazes de nos fazer esperar com alegria. E nos fazem até ter saudades da espera em si (qual a mãe que nunca se pegou pensando com nostalgia no barrigão de grávida?). Só eles tomam nosso valioso tempo, criando uma contagem diferente na nossa vida.
Uma vez mais, fico imaginando que só o tempo e a conquista de seu próprio momento de espera farão meu filho entender o hiato forçado dos últimos dois dias. Um dia, meu filho será pai e só então esse tipo de "absurdo" fará sentido. E, quando chegar a hora, espero que eu também possa participar de mais esse recomeço de contagem. Tudo a seu tempo.