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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Modo de fazer: cachecol pra comadre

Minha comadre se mandou, partiu, foi embora e me deixou aqui suzinha nas Campinas. Sim, eu tô dramática, mas não é de graça. A comadre faz uma falta imensa, assim como o compadre e os afilhadinhos. Ela é aquela amiga com quem eu falo ao menos uma vez na semana quando não temos nenhum assunto novo, mas mesmo assim precisamos colocar a conversa em dia; é a amiga com quem partilho os finais de semana de mesa farta, crianças brincando e gula no fim da tarde; é pra ela que eu conto primeiro as minhas alegrias, planos e até as angústias. Entendeu o drama?
A amizade entre as nossas famílias começou de um jeito engraçado: o marido e o compadre, que se conheceram durante uma disciplina do mestrado, acabaram se cruzando de novo dando aula na mesma faculdade e ficaram amigos. E marido sempre chegava dizendo: "tem um amigo meu do trabalho que contou uma tal história da mulher dele tão parecida com outra tal história sua..."
E isso se repetiu por várias vezes, até que eu fui trabalhar no mesmo centro de pesquisas que a (futura) comadre, a gente se conheceu e a afinidade foi imediata: ficamos amigas. Também pudera: minha comadre é daquelas pessoas tranquilas, bem humoradas... nada a ver comigo, a estressadinha ranzinza, que não gosta de chegar atrasada em sessão de cinema e liga umas quinze vezes da porta pra atormentar (né, comadre?).
Então, quando a comadre e o compadre contaram que iriam passar um ano muito, mas muito longe daqui a trabalho, eu juro que fiquei feliz de verdade. Afinal, uma conquista de um amigo que a gente ama e por quem a gente torce é motivo de alegria. Mas o tempo foi passando e  o dia da partida foi se aproximando. E eu fiquei com aquela pontinha de aperto no peito, pressentindo a saudade.
E como o único jeito que conheço de enganar o tempo é manter as mãos ocupadas, um final de semana antes da despedida eu tricotei um cachecol pra comadre, já que ela saiu daqui num dia de verão e chegou na nova morada em pleno inverno.
A lã é bem grossa, preta com um jeitão aveludado, mas não sei dizer qual é a marca, pois já tinha o novelo em casa. A agulha de tricô é n°12.
Coloquei 13 pontos na agulha de segui tricotando em ponto pipoca:
1 meia, 1 tricô, 1 meia, 1 tricô... até o final da carreira.
Na próxima carreira, se a anterior terminou com 1 meia, comece com 1 meia novamente para dar o efeito pipoca e siga intercalando.
Tricotei até ter cerca de 1,80m, mais ou menos. Na verdade, a melhor medida é ver no corpo o tamanho desejado e, como eu tenho a mesma altura da comadre, fui experimentando o cachecol até achar que ficou com bom tamanho (por sorte, estava na casa da sogra e lá tem ar condicionado na sala! hehehe!).
Para finalizar, fiz um acabamento nas beiradinhas com crochê em ponto baixo (usei agulha n°3,75).
E ficou assim:
 E chegou o dia da despedida e eu fui bem valente desejar que o ano dos meus grandes amigos seja cheio de boas novidades. E que passe rapidinho!
=)

5 comentários:

MUITO POUCO EU SEI disse...

já comentei lá no face, mas não resisti em falar de novo aqui. Adorei o cachecol, a cor é linda, a lã belíssima, diferente, boa para o frio cortante. E a história do por que do cachecol melhor ainda. Ah, e também adorei você falar do jeito de enganar o tempo porque eu também uso esse jeito pra passar o meu tempo, pra resolver meus problemas. beijo
Berê

harumi disse...

ah, com todo este carinho, este cachecol é o melhor do mundo e vai aquecê-la de uma forma toda especial!!! muito fofos, ana, o cachecol em si e vc! (^_^)

Nathalia disse...

Que amizade bonita, Ana! Quero uma dessas para mim! O cachecol ficou muito lindo, e com esse tanto de carinho que você colocou nele, vai esquentar sua amiga direitinho!
Beijo!

julia disse...

Lindo. Vai esquentar o frio e o coração...

Unknown disse...

Comadre,
Que texto lindo!
Hoje de manhã eu passei um frio danado, daí voltei pra casa e troquei o cachecol que eu estava usando pelo que vc fez, que é muito mais quentinho e aconchegante!
Beijos e saudades,