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segunda-feira, 18 de março de 2013

Aprender a ser mãe...

A semana começou particularmente difícil. Eu, que sempre me achei uma mãe "de boa", não estou segurando bem o coração com a partida do filho grande para outra cidade, para estudar. Claro que tem o lado do orgulho, da alegria de ver as conquistas da cria e tudo o mais, mas mãe é mãe (dãããããrrr) e eu não seria diferente: estou sentindo saudades e tem pouco mais de 12 horas que ele saiu de casa.
Fiquei me lembrando que eu e o pai dele trilhados caminhos parecidos: eu, com 18 anos, saí de São Paulo e fui estudar a 300km da capital. Fui super decidida, afinal, sair de casa era o que eu queria desde os 14, quando pensei na possibilidade da emancipação.
eu, versão universitária!

Mas, chegando lá, bateu o medo e em dois dias eu liguei pra minha mãe, morrendo de dor de cabeça e dizendo que queria ir embora, que não suportava nem o cheiro da cidade (fui morar numa cidade em que havia produção de suco de laranja e açúcar, e a mistura dos cheiros doces do garapão com "bolo de laranja" foi motivos de enxaqueca por meses). Minha mãe me deu um resposta curta e grossa: "não te criei pra viver grudada na barra da minha saia" e bateu o telefone na minha cara. E eu fiquei chorando sozinha, no orelhão em frente do velório. Cômico, olhando de longe!
No fim das contas, acho que a rudeza da minha mãe foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido: no dia seguinte, arrumei um lugar fixo pra ficar, entrei num programa de ajuda da Universidade, abri conta no banco, comprei passe escolar. Enfim, comecei o meu aprendizado para a vida adulta, na marra e arrumando coragem sei lá de onde. Apesar de ter me sentido muito sozinha nos primeiros tempos, aprendi a me virar, a conviver em grupo (entrei em algumas furadas antes de achar a "minha" república) e a entender que ali, longe de casa, eu teria que contar comigo mesma.
Olhando a situação do outro lado, não sei se terei a mesma firmeza que a minha mãe teve. É claro que as coisas são diferentes, a estrutura familiar da gente é outra. Nem dá para comparar.
eu, versão mamãe e bebê!

O que eu sei é que a vida de mãe sempre nos testa e nos coloca diante de mudanças o tempo todo. E agora, terei que aprender a ser mãe de um menino universitário morando fora de casa. E já vou parar logo de falar, porque as lágrimas já recomeçaram a cair.
Filho, se você tiver saudade da sua mamãe velha, saiba que eu te amo e nem precisa me perguntar 6 vezes por dia (piada interna, galera, desculpaê)!

35 comentários:

Eva disse...

Ana, não sou mãe, então não sei bem o que dizer... mas fiquei tão emocionada com seu post que resolvi escrever só para falar que estou aqui na torcida para que este momento de descoberta - seu e de seu "menino" - seja marcado por muitas coisas boas.

Beth Salvia disse...

Ana eu saí de casa aos 18 anos, qdo quiz voltar meu pai não deixou, me tornei a mulher guerreira que sou. Tenho gêmeos, contei essa história pra ele, moro em Joao Pessoa-PB sou prof da universidade, fiz o concurso e vim com eles qdo tinham 10 anos. Quando fizeram 17 foram passear na casa dos meus pais em SP e ela fez prova no cursinho Objetivo, pra conseguir bolsa e por lá ficou, passou na Unesp e durante 6 anos, chorei muitas tardes, noite, final de semana, música de Wanessa da Mata, Los Hermanos, Céu até hj nem posso escutar, todos os anos ela vem e eu vou, mas...agora irá fazer o mestrado em Madri, o irmão mais tranquilo terminou agora a graduação e está indo embora pra USp dia 26, parece que estão arrancando de mim um pedaço, choro só de pensar em levá-lo pro aeroporto, mas é a vida tenho que suportar e não adianta eu me mudar pra SP, eles precisam viver, agora confesso fiz terapia quando ela se foi, o artesanato me salvou espero que vc curta e de muita força pra ele, chore por felicidade, desculpa o desabafo tambem peguei carona e olha que sou supeeeeer adepta a filhos independentes, rs bjão sou tua fã e sempre que quiser ouvirei sua saudade

brigadeiro de papel disse...

É Ana... que situação difícil!!!
Realmente esse papo de criar para o mundo é lindo até o dia que o mundo faz o convite e nossos filhos o aceita.
MAs confie em tudo o que você fez até agora por ele e com ele.
Tudo dará certo!
Beijos cheios de energia.

Nina de Oliveira disse...

Ana, super me identifico. Nem vou me estender, mas apenas dizer que o meu, de 21 anos agora, está em Lisboa, desde setembro passado. Fez aniversário lá, em janeiro e eu aqui...
Volta em julho. Difícil que só.
Beijos

Juliana Kimura disse...

Ana! Me identifiquei muito com seu post.. Rs

Morei 3 anos em Limeira (quer mais cheiro de laranja todo dia, a toda hora? rs), por conta da faculdade, e voltei esse ano pra casa da mami, pois consegui estágios tudo por aqui... e sério, eu não via a hora de voltar a morar com a mãe! não tem coisa melhor ter o aconchego do lar, o colo da mãe... aprendi muitas coisas morando fora, aprendi até matar barata haha mas o que eu mais aprendi é o valor e o significado da palavra família!

homem é muito menos sensível, e muito mais fácil de gostar da farra de morar fora, em repúblicas e festas quase todo dia, rs... mas tenho certeza que ele vai voltar pra sua casa, um homem mudado, de quem vc terá (mais) orgulho ainda!

às vezes ele pode gostar tanto de morar fora e não voltar... acontece também... brincadeira! não chora! rs

Beijos, adorei o post

Lílian disse...

Chorei, Ana!

Lílian disse...

Ana, mando por aqui, pois não achei seu e-mail.
Haverá um encontro em prol de um garotinho que precisa muito operar aí em Campinas e lembrei de você, pois tem contato com outras artesãs. Sei que está em cima da hora, mas se puderem colaborar com a presença ou doar alguma peça, será muito bem-vindo. A Bruna é uma amiga e realmente não tem condições financeiras de custear todos os gastos médicos do filhinho. Segue o promocional do evento: http://www.roteirobabycampinas.com.br/site/abraco-de-mae-acao-beneficente/
Beijo e obrigada

Ana Matusita disse...

Oi Lilian, vou tentar ajudar com produtos mas, se não der tempo, farei uma doação pessoal para o Juan.
Obrigada por avisar!
bj,
Ana

Lílian disse...

Fico feliz, Ana !!! Este é o espírito. Se todos ajudarem com um pouquinho, o Juan conseguirá a cirurgia. Beijo grande. Obrigada!

Cida Alves disse...

Olá Ana...
Ai que dor...também sou assim,só de pensar em ficar sem eles...já choro.
Que mãe a sua hein Ana?? Bahhh chorei só de ler!! Durona por demais...sei que te fez crescer...mas não é fácil!
Desejo o melhor pro seu filho,que ele tenha sempre bons amigos,pois isso é muito importante!!
Bjus e feliz semana!!

Taia Assunção disse...

É dureza, Ana...estou me roendo de saudades dos meus, vou ver as meninas em maio, o Raul, só em setembro...aff. Mais de 8000 mil quilômetros nos separam. Noutro dia, minha caçula precisou ser operada e eu aqui, sem passaporte, sem poder ir ajudá-la...chorei rios de lágrimas. Seu menino ficará bem e espero que você também. Beijos!

Cris Nagawa disse...

Ana,

Também sai de casa cedo, e fico imaginando a hora que isso acontecer aos meus filhos, mas por outro lado, temos que pensar que criamos os filhos para o mundo...que aliás atualmente está bem mais perigoso...mas nossos filhos também estão em outro momento...
Tenta ficar tranquila, e pensa que tudo vai dar certo...

Valérie Roberto disse...

A melhor coisa que sua mãe fez foi ter batido o telefone rsrs. A minha mandou eu voltar e isso (com mais uma centena de coisas) influenciou minha chegada na vida adulta de maneira negativa.

É doído o filho sair de casa, o meu está com 15 anos, é filho único e já fala de sair :-(

Mas este é aquele momento que a gente empurra eles da árvore para aprenderem a voar, como os passarinhos.

Força aí!!

Glau disse...

Querida, fica aqui meu beijo e meu abraço bem apertado. Dói pra caramba, né?

Ana Matusita disse...

Meninas, obrigada pelo carinho! Pra vcs verem como as coisas são, ontem meu menino voltou com o pai (meu marido dá aula na mesma universidade em que ele vai estudar) e está em casa. Enfim, acho que ele não está assim, desesperado pra se ver livre da gente!
bjs

harumi disse...

ana, uma beijocona estalada afundada na sua bochecha e um abraço apertado de urso!

Agulhas, Colheres e Afins disse...

Que linda historia, estou em lagrimas. Força amiga.
Bjs

Mirian Trédicci disse...

Olá Ana!!!
Navegando por aí me deparei com seu site e vim te visitar....
Deparei com esta historia muito parecida com a minha. Este é o quarto ano que minha filha foi estudar a 400 km daqui, digo que foi o dia mais triste da minha vida qdo a deixamos naquela cidade desconhecida!
Voltei chorando o caminho todo!
Ana! fique tranquila, td vai dar certo...eles se adaptam muito rápido.
A saudade nunca passa, mas a gte aos poucos vai superando.
Boa sorte pra ele e fique em paz.
Gostei muito do seu site! Parabéns!!
Um beijo

Karina. disse...

Ai, ai, ai....
O meu tá doido pra vazar de casa e morar na cidade vizinha...
O coração apertado faz parte da profissão "mãe". :)

Marcia Venturato disse...

Oi Ana, terminei de ler com lágrimas nos olhos. Sou mãe de um rapaz, somos só nós dois em casa, então....
É a outra fase começando.
A foto de vcs dois é muito linda.
abraços

Bel disse...

Oi Ana! Fiquei emocionada também ao ler seu relato. Tenho um bebê de 3 meses e talvez há um ano eu não seria capaz de compreender sua falta. Hoje sei o quanto dói ficar longe da cria, nem que seja por um dia! Força! Ele vai precisar muito de vc ainda!!! bjs

Luciana Betenson disse...

Ai meu Deus!!... senti aqui, no meu coração também. Fique firme! Pelo que eu (pouco) vi, você vem fazendo um bom trabalho como mãe :-) Bjs!

maristela disse...

Tô com os olhos cheios de lágrimas. Meu filho também está indo. Só não foi ainda porque as aulas da Universidade Federal Fluminense só irá começar dia 22 de abril. Ele estará a 900 KM longe de casa. Deus me ajude e ajude ele. Ele super feliz e confiante (graças a Deus), mas eu, coração apertadinho... Vai me contando tudo para ver se eu fico melhor.
Bjs

vida disse...

CALMA MINHA QUERIDA OS DIAS VÃO PASSAR E VC VERÁ QUE ELE É CAPAZ DE SE CUIDAR SOZINHO E A SAUDADES VAI SER PARA SEMPRE MAS É COISA DE MÃE O BOM É A GENTE VER QUE ELES PODEM CONTAR COM A GENTE E NEM PELA DISTANCIA ELES ESTARÃO SÓS E NEM VC POR ESTAR SE SENTINDO SÓ DEIXO DEIXOU DE AMAR SUA MÃE ELE PELO MENOS SABE QUE TEM PARA ONDE VOLTAR SE TD DER OU NÃO CERTO, TODA MÃE PASSA POR ISSO,MESMO QUE FOR O INVERSO QUE FOI O QUE ACONTECEU COMIGO, MUITO PIOR ACHO EU,BJS AMIGA E FORÇA HOJE É MUITO FÁCIL COM A INTERNET,TELEFONE BARATO O AMOR É O QUE NTERESSA

Cela disse...

Já viu Toy Story 3? Todos os meus amigos que saíram de outras cidades pra estudar aqui em BH se identificaram. :)

Héstia disse...

Eu tive uma oportunidade de emprego no Acre quando fazia meu curso de Aux de Emfermagem e minha mãe NÃO me deixou ir. Eu fiquei super triste e com raiva no tempo. Eu já era de maior e ela não deixou! Depois meus pais tiveram que se mudar e eu já casa fiquei aqui no interior sem eles. A saudade é enorme e hoje acho que Deus sabe o que faz mesmo porque se ela tivesse me deixado ir talvez eu não tivesse a vida que tenho hoje ao lado da pessoa que me ama e que amo.

Me comovi com seu relato e vim deixar meu beijo

Cristine disse...

oi, Ana!

depois de ler seu post foi inevitável não pensar em como minha mãe realmente agiu quando saí de casa para estudar em SP – e olha que nem é tão longe assim e ainda tinha mais duas irmãs para dar trabalho pra ela.

essa fase de adaptação acho que passa logo, tanto pra um lado quanto pro outro, né? desejo que tudo corra bem :)

agora, morri de rir qdo vi o comentário de que ele voltou pra casa... espero que não seja em definitivo, rs

beijos,
Cris

Cida Alves disse...

Olá Ana...
Voltei rsrs...pra agradecer seu carinho!!!
Fiquei muito feliz!!
E aí o coração??? tá mais calmo??
Bjus meu bem e feliz dia!!

ana maria bataglia disse...

Oi Ana! Passosempre por aqui e hoje lendo esse post voltei alguns anos no tempo, 4 ou 5 anos atrás, quando minha filha mais nova saiu de Campinas e foi morar e estudar em Piracicaba (aqui do lado) , mas na época, prá mim, era outro planeta! Rsrsrs... Me senti a última das criaturas...no começo usava a web cam , depois desisti. Ver era pior do q ouvir! Reparava em tudo! Se estava de agasalho. Se o quarto estava arrumado (ela estava morando em um pensionato). Se estava pálida, se estava com cara de triste! E o tempo passou... No outro ano foi morar sózinha num apartamento, depois ganhou um carro e vinha p casa todos os finais de semana... E aquela saudade toda deu lugar a um orgulho sem tamanho. Orgulho dela e de mim também, por ver q tinha feito meu papel direitinho: eu tinha criado uma pessoa correta, ajuízada, segura e decidida a enfrentar tudo o q viesse pela frente!
Acredite esse vazio de hoje logo logo vais se tornar orgulho, admiração e certeza de dever cumprido! Bjs e tudo de bom!

ana maria bataglia disse...

Oi Ana! Passosempre por aqui e hoje lendo esse post voltei alguns anos no tempo, 4 ou 5 anos atrás, quando minha filha mais nova saiu de Campinas e foi morar e estudar em Piracicaba (aqui do lado) , mas na época, prá mim, era outro planeta! Rsrsrs... Me senti a última das criaturas...no começo usava a web cam , depois desisti. Ver era pior do q ouvir! Reparava em tudo! Se estava de agasalho. Se o quarto estava arrumado (ela estava morando em um pensionato). Se estava pálida, se estava com cara de triste! E o tempo passou... No outro ano foi morar sózinha num apartamento, depois ganhou um carro e vinha p casa todos os finais de semana... E aquela saudade toda deu lugar a um orgulho sem tamanho. Orgulho dela e de mim também, por ver q tinha feito meu papel direitinho: eu tinha criado uma pessoa correta, ajuízada, segura e decidida a enfrentar tudo o q viesse pela frente!
Acredite esse vazio de hoje logo logo vais se tornar orgulho, admiração e certeza de dever cumprido! Bjs e tudo de bom!

Carol disse...

Pra falar a verdade, fico feliz que minha cidade seja universitária, não é preciso morar fora para estudar, temos desde faculdade federal até as particulares. Nem imagino vendo minha filha morar longe (apesar de saber que isso um dia será inevitável), então imagino essa sua aflição, mas pode ter certeza que seu filho vai se sair muito bem porque tem uma boa base familiar que ajuda demais.
Beijos

laura streibel disse...

Que lindo post! Tb sai de casa com a tua idade, para estudar. Hoje tenho 32 anos e sou mãe de uma doce Nina, de 14 meses. A foto que postastes, com teu bebê, é linda demais! E diz tudo pelo teu olhar, um amor de mãe que não se explica. Se sente. Beijos, Laura.

costurinhas disse...

Ana querida, esse post me marcou! Chorei quando li. Lembro de vc na faculdade (até desse sapatinho!) ou melhor dizer vocês, pq tu e marido eram uma coisa só (rs). Deu saudade de tudo, das vivências, experiências, nem tem como listar. Também me emocionei pelo seu "bebê" traçando seus próprios caminhos. Coração de mãe bate fora do corpo mesmo! Felicidades para vocês, obrigada por abrir o coração, um dia vou passar por isso. Beijo enorme da Rafa

costurinhas disse...

Ana querida, esse post me marcou! Chorei quando li. Lembro de vc na faculdade (até desse sapatinho!) ou melhor dizer vocês, pq tu e marido eram uma coisa só (rs). Deu saudade de tudo, das vivências, experiências, nem tem como listar. Também me emocionei pelo seu "bebê" traçando seus próprios caminhos. Coração de mãe bate fora do corpo mesmo! Felicidades para vocês, obrigada por abrir o coração, um dia vou passar por isso. Beijo enorme da Rafa

Unknown disse...

Vc veio morar em Araraquara?!!! Minha cidade.
Engraçado como o cheiro te fez tão mal, mas acho que era a situação.
Te confesso, que este cheiro, para mim significa que cheguei em casa, já que eu sai daqui para estudar.