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terça-feira, 29 de outubro de 2013

O que fazer com: um monte de triângulos

No sabadão pós faxina, pedi pro meu marido montar os novos cavaletes do ateliê, que tinham chegado no começo da semana e a gente não tinha tido nem tempo de abrir as caixas (prometo que depois que tudo estiver arrumadinho de verdade, eu mostro). E, na arrumação, achei um saco plástico cheio de triângulos que sobraram desse projeto aqui.

Para não ter mais uma sacola rodando de lá pra cá, e também porque acho os tecidos de estrelinhas super fofos, resolvi que tinha que fazer alguma coisa.
Fui brincando de quebra-cabeça, pra ver o que poderia aparecer das estrelinhas:
A ideia não era formar nenhum desenho, nem seguir nenhuma regra, até porque não havia muita regra nos triângulos que sobraram. Só juntar as cores e ver o que rolava. E o resultado foi esse:
Depois de tudo junto, bainhas feitas, costurinhas em alguns pontos pra unir com o forro e tals, ficou bem bonitinho.E foi pra mesa da cozinha, momentaneamente vazia e limpinha (tem como manter tudo limpo em casa o tempo todo? se alguém tiver uma fórmula mágica, por favor, me conte!):

De vez em quando, a mágica está em juntar os pedacinho da melhor forma possível, de um jeito que, mesmo não seguindo as regras da simetria, haja harmonia e beleza. Coisas que a gente aprende com a nossa vida imperfeita.
Em tempo, quero muito agradecer os depoimentos e as palavras de carinho na postagem anterior. Juro que li e me emocionei, inclusive com alguns e-mails de leitoras antigas e queridas. Peço desculpas pela falta de disposição de conversar sobre o assunto, mas acho que vocês entendem, né?
Só quero fazer uma única observação: as crianças estão tristes e comentam a cada ida ao quintal. Foi bem complicado recolher as coisas da Lucy, tarefa que tive que fazer sozinha. Então, não pretendemos ainda adotar nenhum outro bichinho, porque não tem essa de, simplesmente substituir uma história de mais de dez anos por outra nova. Pelo menos, não por enquanto.
=)

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Na cozinha: torta de abacaxi

Ontem foi aniversário dele, o marido mais amado, melhor e mais divertido pai, amigo querido e botafoguense (de Ribeirão Preto/SP) encardido!
Então, terminei o expediente mais cedo, coloquei as cervejinhas especiais na geladeira e fui pra cozinha fazer as comidinhas prediletas do meu amado. A mesa, super farta, tinha kibe, coalhada, babaganuch, homus, tabule, arroz marroquino... exagerei um pouquinho! Como diz uma amiga minha, devo ter sido cozinheira do exército em outra vida, porque só sei cozinhar mexendo panelão com remo! hahaha!
Era tanta coisa que não sobrou espaço para a sobremesa. E foi ótimo, porque a torta de abacaxi ficou melhor no dia seguinte, super geladinha.


A receita eu fiz meio de cabeça, inventando um pouco e pegando uma ideia emprestada do creme de abacaxi que, na verdade, é feito com gelatina. Ficou bem gostoso e o aniversariante ficou feliz, um pouco pela sobra de comida, que rendou um belo almoço, um pouco pela sobremesa geladinha, perfeita pro calor de matar que fez hoje.

Torta de Abacaxi

Massa:

4 ovos (claras e gemas separadas)
4 colheres (sopa) de açúcar branco
4 colheres (sopa) de farinha de trigo
manteiga sem sal para untar, açúcar para polvilhar

Pré-aqueça o forno a 180°. Unte um refratário (usei um redondo de 30cm de diâmetro) com manteiga sem sal e polvilhe com açúcar (cerca de meia colher).
Bata as claras em neve na batedeira. Junte as colheradas de açúcar, uma a uma, sem parar de bater. Quando o merengue estiver durinho, gente as gemas, também uma a uma e sem parar de bater.
Retire da batedeira e, com uma espátula, junte as colheres de farinha peneirada, também uma a uma, misturando delicadamente de baixo para cima.
Coloque no refratário e leve para assar até dourar (ou até que o palito saia limpo).

Creme:

1/2 abacaxi picadinho
1 lata de creme de leite
1 lata de leite condensado
1/2 xícara de leite frio
1 colher (sopa) de amido de milho
baunilha a gosto.

Leve o abacaxi para ferver junto com um pouco de água (cerca de meia xícara). Deixe cerca de 5 minutos depois de levantar fervura, então separe o líquido, que servirá para regar a massa depois de assada e fria.
Na mesma panela, junte aos pedacinhos de abacaxi o creme de leite, leite condensado, o amido diluído no leite e a baunilha. Leve ao fogo médio, mexendo sempre.
Quando engrossar, tire do fogo e coloque sobre o bolo regado com a caldinha do abacaxi. Deixe esfriar e leve para a geladeira por, no mínimo, umas 4 horas (de um dia pro outro fica ainda mais gostoso).
Sirva para quem você ama!
p.s.: os jogos americanos lindos que acompanham a torta estão lá na lojinha!


sábado, 19 de outubro de 2013

With tangerine trees and marmalade skies...

A Lucy chegou aqui em casa depois de uma experiência traumática, de ambos os lados. Eu estava grávida do caçula e tínhamos o Pongo, um dálmata absurdamente agressivo e traiçoeiro. Meu marido, que sempre teve dálmatas e todos muito bonzinhos, levou o Pongo pra uma fazenda sem crianças por perto, depois que ele mordeu o rosto da minha filha e me fez pular a janela grávida de sete meses para salvá-la.
Nesse momento, decidimos que as crianças só poderiam ter um cachorro que fosse uma manteiga derretida, uma banana madura, uma bobona.
Daí, apareceu a Lucy, que tinha sido abandonada sem coleira numa avenida movimentada, assustada, pequenininha e doente (quando levamos na veterinária, descobrimos que ela estava com o baço comprometido por picada de carrapato; ela foi operada e ficou em coma, com hemorragia, mas foi salva e veio pra casa com o abajur no pescoço).
Eu sempre fui durona com ela, que morria de medo da Tarta, a tartaruga das crianças, latia pros mosquitos, revirava o lixo (só o reciclável, porque ela era fina), roubava meus tecidos e havaianas (só as minhas, humpf!). Sempre falei que não gostava dela e que só dava a comida, levava pro banho e para a veterinária porque não sou tão ruim assim e me comprometi com os cuidados.
Mas não era verdade e eu só descobri isso há pouco tempo, quando percebi que ela não ia ficar mais na porta do ateliê, nem ia fazer festinha na hora em que eu trocava a água do pote por água fresca e colocava comida. Ela ficou ceguinha, surda, passou a dormir o dia todo e, de um momento pro outro, parou de comer.
Acho que isso é a coisa que mais me desespera no mundo: alguém que não come.
Levamos na veterinária mais bacana da cidade, a pessoa mais doce e iluminada que conheci nos últimos dias, que se encantou com a doçura da Lucy e cuidou dela com muito carinho (na clínica, ela ficou conhecida como Lady Lucy, porque era muito educada e boazinha). Obrigada pelos cuidados com a Lucy e com a gente, Tania!
Mas veio o diagnóstico: insuficiência renal. Fizemos o tratamento com soro e passamos a fazer a papinha caseira indicada pelos nutricionistas, porque a ração era cara e não conseguiríamos bancar. Ela voltou a comer e eu, no meu otimismo, achei que a gente tinha ganho pelo menos mais um ano de Lucy no quintal.
Enfim, quando o rim parou de vez e ela deixou de andar, de tão fraquinha, vimos que era hora. Mas entre entender, racionalmente, que é hora, e deixar o bichinho partir tem tanta dor, tanta tristeza... e eu nunca imaginei isso, nunca sequer pensei que seria tão difícil ver os olhinhos dela fechando pra dormir e não voltar mais.
Um dia antes, meu caçula reclamou que não tinha nenhuma foto junto com a Lucy. E eu entendi que o amor canino é uma coisa muito misteriosa, porque foi a última vez em que ela ficou de pé, como se soubesse e estivesse atendendo o desejo de um irmão mais novo, mesmo que fosse um esforço além da conta. Recebeu o carinho, tirei as fotos e ela voltou a dormir.
Hoje, logo cedinho, o quintal estava silencioso. Parece até que as maritacas deram um tempo, em respeito à passagem da Lucy pro céu canino.
Sei que meus filhos tem grandes amigos e a Lucy foi um deles. Era ela que escapava para acompanhá-los nos passeios de bicicleta; era ela quem pulava de sopetão na piscininha de plástico junto com eles em dias de muito calor; e era ela quem pedia carinho e, quando eles paravam de dar, levantava a patinha pedindo mais. Isso tudo em troca de um quintal, ração e água.
 E eu fico me perguntando:  como pode existir amor assim, em troca de tão pouco? como um ser pode ser tão doce (embora tão fedidinha...), tão cheio de bondade?
Acho que sempre vou lembrar da Lucy assim, como a mocinha danada que fugia pra ver o Chico, o namorado vira-lata da casa da frente. E que dormia na porta do meu quarto, fazendo os barulhos mais esquisitos. E que era companheira das brincadeiras e de todos os momentos dos meus filhos. Mesmo quando eles cresceram e pararam de brincar, ela continuou lá no quintal, esperando e se alegrando com pequenas doses de carinho.
Hoje, eu sinto saudades e entendo que vida desses pequenos seres é muito curta, muito pequena. E que a Lucy veio para amolecer meu coração de pedra e me fazer perceber o quanto o amor é importante, mesmo concentrado nesses poucos anos. E que a gente tem que viver e cuidar desses bichinhos, sabendo que eles se doam e amam e se entregam como mais ninguém. Sou muito grata por esse amor que vai ficar na nossa lembrança para sempre.
Fique em paz, Lucy in the Sky with Diamonds. Você cumpriu sua missão.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Novidadezinha...

Eu sei, eu sei... estou ausente das postagem e sem mostrar nada do lado de cá há dias. Mas quando a vida real fica muito animada, é complicado conseguir tempo pra contar tudo. E quando eu digo animada, não pense em festas e glamour e sim numa quantidade enorme de tarefas no trabalho, na casa e na vida.
Porém, tem uma novidadezinha que eu queria muito compartilhar: a lojinha, apesar de continuar sob a mesma direção, está em endereço novo!
Ainda estou me acostumando, enchendo as prateleiras, ajeitando aqui e ali. Mas feliz, porque mudanças, arrumações e melhoria me fazem bem, na vida real e na virtual.


Então, vai lá no www.anasinhana.com.br e me faz uma visita!
Ou, se tiver alguma dúvida, me escreve: ana@anasinhana.com
=)

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Branco e colorido!

 É engraçado como a mudança não precisa ser enorme pra surtir um grande efeito. Desde que o marido resolveu pintar o escritório dele de branco, resolvi que era hora de me render e pintar meu ateliê também. Resisti por muito tempo por gostar muito dos tijolinhos que, embora lindos, escureciam muito o cômodo e me faziam usar verdadeiros holofotes pra costurar no fim do dia.
No último final de semana, foi aquela bagunça: comprei dois galões de tinta acrílica branca (usei a Coralar), tirei tudo do lugar, limpei e comecei a pintura.
Foi uma trabalheira lascada, porque as paredes do ateliê são altas (a maior tem 4,5m) e o tijolinho, depois de pintado, ainda precisa receber uma camada de resina pra ficar bem impermeabilizado.
E foi tudo feito no corre, pra poder voltar ao trabalho na segunda.Ufa!
Mas valeu o esforço: o ateliê ficou iluminado, branquinho e pronto pra receber muitas cores nos detalhes e nos projetos que passam por aqui!
Marido também trocou as luminárias e ajudou na parte alta (eu não tive coragem de subir tão alto). Ainda faltam cavaletes novos e mais firmes pra uma das bancadas e prateleiras para os livros. Mas, de pouco em pouco, meu pequeno estúdio está ficando cada vez mais legal pra trabalhar (se eu já gostava antes, imagina agora...).
Mais uma vez, eu afirmo que vale a pena investir tempo e um pouquinho de dinheiro na sua estrutura de trabalho. Além do prazer que as mudanças estéticas trazem, há muitos detalhes que facilitam a vida e tornam a rotina mais tranquila.
Jeito bom de começar a semana, né?
=)

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Bolo de cenoura coberto de culpa...

Mãe é assim: viaja a trabalho e volta com o sobrepeso da culpa na bagagem. Não tem jeito!
Eu fui pra SP no sábado, para o bazar, e voltei só na segunda, tarde da noite, morrendo de cansaço e saudade dos meus amados.
Antes de dormir, um caçula carente que sabe usar o charme em favor próprio como ninguém, me perguntou o que eu faria de gostoso no dia seguinte (de imediato, pensei que seria uma longa soneca mas, obviamente, o gostoso dele tratava de alguma coisa um pouco mais doce).
Perguntei, sem rodeios,  o que ele gostaria e, também sem rodeios, veio a resposta: "bolo de cenoura com cobertura de chocolate"!
E foi o que eu fiz.

Procurei a melhor receita que conheço, o Bolo de Cenoura do Padrinho (do caçula) e fiz esse bolo fofinho, com cara de a mamãe tá em casa, tá feliz, tá radiante!
A receita pedia açúcar comum, mas só tinha um fundinho no pote, então, usei mascavo; também achei a massa meio seca e acrescentei 1/4 de xícara de leite por minha conta e risco. Mas mantive um detalhe que meu compadre faz e dá toda diferença pro bolo: ralei a cenoura bem fininho e não bati no liquidificador, deixei os fiozinhos na massa.
Fica delícia. O compadre, o afilhado e eu garantimos!


Bolo de Cenoura do Padrinho

medida: xícara de 240ml
rendimento: 1 bolo grande

2 cenouras médias raladas na parte mais fina do ralador;
1/2 xícara de óleo
4 ovos
2 xícaras de açúcar (usei 1 1/2 de açúcar mascavo)
2 xícaras de farinha de trigo peneirada
1/4 xícara de leite
1 colher (sopa) de fermento em pó
manteiga para untar a forma de buraco no meio

Pré-aqueça o forno a 180°. Unte e enfarinhe uma forma de buraco no meio (a minha é alta; não use uma forma muito pequena, pois a receita é relativamente grande). Bata no liquidificador os ovos, o óleo e o açúcar. 
Junte a mistura com a cenoura raladinha numa tigela e misture com colher de pau. Acrescente a farinha aos poucos, alternando com o leite. Por último, misture o fermento.
Coloque na forma e leve para assar por cerca de 40 minutos ou até que o palito saia limpo da massa e o bolo esteja coradinho.
Fica bem gostoso sem cobertura mas, atendendo ao pedido do caçula, fiz uma caldinha de chocolate. Numa panelinha, coloquei 2 colheres (sopa) de manteiga sem sal; 2 colheres (sopa) de cacau em pó diluído em 1/4 xícara de leite e 3 colheres (sopa) de açúcar. Deixei levantar fervura em fogo baixo, mexendo sempre e despejei sobre o bolo ainda quente.
A toalha lindona da foto é uma manta de piquenique toda de retalhos vermelhos, forradinha e pronta para ir ao parque dentro da cestinha. Para encomendar a sua, já sabe: ana@anasinhana.com
=)