Então foi assim: arrumamos nossas matulas e seguimos rumo ao Nordeste, pra encontrar um pouco de sol, praia e mar. O primeiro destino foi João Pessoa, minha capital nordestina predileta até o momento (quem quiser me convencer do contrário, pode mandar as passagens que talvez eu mude de ideia!).
Tranquila e hospitaleira tal como eu e marido nos lembrávamos, a cidade conquistou também o coração dos meus filhos, que adoraram passear na orla de bicicleta (achei o máximo que agora é possível alugar as magrelas por celular e sair pedalando), tomar sorvete e, claro, conhecer as lindas praias.
Nossas eleitas foram a Praia do Coqueirinho, no litoral sul e a Ilha da Areia Vermelha, em Cabedelo, litoral norte. Essa última "aparece" na maré baixa a cerca de 1km avançando no mar; a parte chata é ter que ir de barquinho, coisa que não me agrada muito, mas vale a pena. O grande banco de areia avermelhada, cercado de corais tem um quê de paradisíaco. E o almoço é garantido pelos bares-barquinhos que atracam por ali.
Mas o passeio muito aguardado da galera aqui de casa era mesmo ir ver o pôr-do-sol na Praia Fluvial do Jacaré, também em Cabedelo.
Funciona assim: todos os dias ao pôr do sol, um músico local sai de barquinho de um dos bares, numa quase cerimônia, e toca o Bolero de Ravel. Se você só consegue pensar na música associando a imagem da
Bo Derek de trancinha saindo do mar lá no baú nos anos 80, precisa ir correndo até a Paraíba pra ver o mini-espetáculo diário (acreditem se puder, eu já vi duas vezes).

Essa foi a apresentação 3529, se não me engano.

E enquanto o sol caía lindamente "sobre" o Rio Paraíba, ainda pude me fartar de comer lagosta (embora o caldinho de polvo também seja delicioso), iguaria barata por ali, já que o estado é um grande produtor do bichinho.
Cada cidade tem suas peculiaridades, é claro. Mas acho que o combo pôr-do-sol mais bolero de ravel ao sax, tocado por um cara que é a cara do
Mestre dos Magos, está entre os Top 10 dos passeios mais pitorescos de todos os tempos, quase empatado com o nosso segundo destino, no estado vizinho, para pagar uma
antiga promessa feita há cerca de um ano atrás pros nossos adolescentes.
Então, alugamos um carro e seguimos rumo a Natal. Mais turística, cara e agitada que João Pessoa, a capital do Rio Grande do Norte até parece ser uma cidade maior, embora tenha mais ou menos o mesmo tamanho. As praias também são lindas, porém menos sossegadas. Por lá, uma novidade que espero que não desça até aqui foram os carrinhos que, de longe, parecem de sorvete, mas guardam caixas de som, todo tipo de cd pirata e a inscrição em letras coloridas: "alugo som"!
Sortudos que somos, nem precisamos desembolsar os cinco contos do aluguel. Um vizinho de guarda-sol nos fez o favor. E foram horas de praia ao som de axé music remix em elevados decibéis...
Porém, como promessa é dívida fomos conhecer o tal maior cajueiro do mundo, em Pirangi. Gente, o negócio é grande mesmo, só vendo pra crer:


Como "qualquer" família, programa inusitado é conosco mesmo. E se você, leitor dos confins do Brasil, tiver alguma sugestão insólita pro nosso Top 10, mande djá pra gente ir programando as próximas férias!