Sempre ouvi falar que as virginianas (meu caso) são extremamente organizadas (não é o meu caso). Eu bem que tento, mas tenho a teoria persecutória de que o mundo conspira contra as minhas estratégias de organização.
Então, não concordo com os astros (acho que depois de casar e ter filhos, o horóscopo deveria ser coletivo, uma variável só não dá conta de tantos imprevistos). Mas sou adepta das listinhas: de supermercado, de tarefas do ateliê, do que vendi, do que comprei, de coisas mais-que-urgentes.
Na real, não consigo cumprir metade delas e, cada vez mais, minhas listas ficam relaxadas. Isso me lembra do meu primeiro ano de mestrado, quando a aula da tarde começava às 14h. A maioria dos alunos chegava 14h15 (eu não, porque a aula era com meu orientador e, na minha inocência recém-formada, eu morria de medo dele!), e o professor ficava esperando. Até que, muito democrático, ele resolveu conversar com a classe e propôs que mudássemos o horário para 14h15, já que sempre ficava esperando. Resultado: a aula passou a começar 14h30.
Hoje já faço listas pensando nas prioridades, no que realmente tenho que fazer e que fica lá no topo.
No final de semestre sempre tenho uns momentos meio recolhidos (alguém notou a minha ausência?), em que a lista básica inclui repensar. Não gosto muito, porque sou do tipo que remói demais, mas adquiri a mania depois do meu último emprego. Se estivesse nas páginas de um livro de auto-ajuda, seria algo como: estratégias pra entender tudo o que deu errado e não repetir mais; ou, como tirar o máximo de proveito das m&*#$das do último semestre e ficar esperta.
Por outro lado, meu pragmatismo não me permite ficar com as mãos desocupadas enquanto a cabeça caraminhola e uma das listas atuais inclui as festas de aniversário dos meus filhos (uma em junho, outra em julho), o que começa com a lista de preparação da casa pra receber gente querida:
1) doar roupas, brinquedos e achar alguém que precise de um fogão velho, porém honesto. Treinar o desapego dos filhos, especialmente do caçula, é algo extremamente difícil, mas dizer que não caberão presentes novos no quarto deve resolver. Senão, apelo pra uma crise de nervos;
2) arrumar outras opções pra guardar livros e brinquedos: depois mostro o cesto de tecido novo e a estante, se eu conseguir terminar a tempo;
3) terminar a arrumação da minha cozinha: aqui, dependo da ajuda do ombudsman do blog, o moço da manutenção da casa e dos computadores. Vai rolar a mudança da despensa ou não?
Da minha parte, ainda falta fazer uma cortina pras janelas, que espera há meses (casa de ferreiro, espeto de pau);
4) terminar de organizar a parede de fotos e queridices da sala recém-pintada; arrumar um abajur/luminária nova pra sala (tenho algo em mente, mas também não consegui tempo pra colocar em ação). A parede tá ficando linda, também fico devendo a foto;
5)(música de clímax, a la Sharks). Organizar o quartinho de bagunça, a bagunça do fundo da casa. Sem fotos, porque corro o risco de perder a câmera no meio desses dois buracos negros. Tem tanta tranqueira, cadeira quebrada, ferramenta enferrujada, lata de tinta que dá até medo. Acho que precisava da ajuda de algum desses programas extreme makeover, pra expôr minha intimidade bagunceira a um ponto de humilhação pra nunca mais voltar a reunir tanta tranqueira. A única coisa boa é que resgatei uma idéia antiga de apoio pra servir nas festas olhando a bagunça do quintal. Envolve um suporte de plantas e tinta. Será que dou conta?
A lista deveria ter 10 itens, mas o melhor é parar no quinto mesmo, pra ser realista... depois volto com outras listas. E as contas? Bem, no momento, continuo contando calorias e pedaladas bem ao estilo perder para ganhar. E sem fotos de antes e depois.