sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A boa colheita

Não tenho grandes neuroses com superstições, mas o fato é que o 13° dia do mês me deixa azeda. E dura, porque é dia de pagar a fatura do cartão de crédito. E, pior, olho no calendário e a maledeta data cai numa sexta-feira.
Tudo bem, o meu Jason de plástico nem é tão mortal assim (quem não tem muito, gasta pouco. Ou, pelo menos deveria ser assim, né?). E logo o terror acaba.
A questão é muitas vezes ficamos tão voltados pras questões práticas do dia-a-dia que o tempo passa, o ano acaba e a gente nem se dá conta. E, conforme vai chegando o final do ano fico me sentindo engolida pelo olho do furacão, com trabalho e cansaço demais, pouco $$ e um leão pra matar até começar tudo de novo. Mas não tem jeito e, mesmo sem saber onde tudo isso vai dar, a vida não espera, nem a fila de pinguins por costurar aqui na bancada.
Mimimi à parte, se é duro colher os frutos da vida, os do quintal estão lindos, crescendo e se multiplicando diante dos nossos olhos extasiados (nossos e dos passarinhos, sócios na colheita).
As parreiras foram plantadas pelo marido, que também fez o caramanchão em frente ao nosso forninho de pizza. E esse ano vieram as uvas, tão lindas que parecem de cêra:


E tem as framboesas, que a gente adora. Essa é uma delas, pretinha e azeda, mas que dá sobremesas deliciosas. A outra, vermelhinha, já deu o ar da graça no quintal este ano e abasteceu nosso freezer:


E tem o pé de lichia, na frente da janela do ateliê. Se eu tivesse que descrever lichias numa redação escolar, além de suculentas, deliciosas e engraçadas, eu diria que é um frutinha misteriosa, pois aparece quando quer. E a gente nunca descobriu qual é a manha. Esse ano, os cachos estão até pesados, acho que para compensar o par de anos de ausência:


Isso tudo me faz amar a minha casa e meu quintal. Eu e a mamãe passarinha, que montou seu ninho bem em cima da parreira:



A natureza é sábia. Talvez os frutos demorem. Talvez pulem estações. E embora eu seja aquele tipo de pessoa pouco tolerante e bem ansiosa, tenho aprendido que a certeza da colheita começa com uma esperançosa sementinha.
Boa sexta-feira 13!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Cabelinhos roxos, bengala e all star!

Há uns dias, estive num evento que me surpreendeu de forma surpreendente. E a redundância é proposital, pra mostrar que a surpresa foi além da conta. Nunca vi tantas senhorinhas de bengala aparecerem todas juntas num mesmo lugar!

E, surpresas à parte, eu e minha amiga mais criançona (que, aliás, faz toys nas horas vagas), começamos a divagar sobre nossa própria velhice enquanto observávamos as meninas da melhor idade. E tomamos algumas decisões importantes.

Primeiro, seremos velhinhas modernosas e bacanas. Nada de conjuntinhos de jérsei, nem blusa de javanesa florida em composê com a calça. E não vamos abandonar os nossos all star brancos nunca (já falei que amo de paixão all star branco?), nem mesmo sabendo que as sapatilhas preferidas das nossas mães (curiosamente chamadas Moleka) é macia, confortável e perfeita para pés cansados de guerra.

Também não deixaremos as madeixas brancas. Eu, desde sempre aviso que terei os cabelinhos curtos e roxinhos de rinsagem, já que não tenho coragem de fazer nenhuma grande loucura capilar por agora. Deixarei os desatinos pra velhice.

E, claro, rimos um monte de outras bobagens, como: morar numa república de vovós no Copan, fazer raves da terceira idade, dar aula de yoga na praça da República (a Paty se encarregará disso), usar bengalinha com caveira na ponta, vender porta-dentadura handmade...

Mas, brincadeiras de lado, cheguei à conclusão de que também sou criançona e espero que isso não seja um dilema no futuro. Adoro coisas engraçadas, que agucem o lado lúdico e colorido da vida. Me diverto a valer vendo desenho animado, comprando livros infantis e brinquedos. Sim, brinquedos. Ainda que a minha mania de Blythes tenha arrefecido um pouco, vez ou outra pego minha Manon (um doll linda, um dia eu mostro) e troco a roupinha, só pra lembrar de brincar.

E as manias infantis aparecem pela casa toda. Hoje mesmo, fiz bolo de laranja no lanche e lembrei que tinha umas mini-forminhas. O pequeno amou a brincadeira e se refestelou com os bolinhos, mesmo sem ter chocolate. E fala se não fica até mais gostoso mesmo assim, pequenininho?

Ainda na cozinha, vê se não dá vontade de brincar com umas panelinhas mais fofas do mundo como essas, em cima do meu armário:

Na sala, além dos bonequinhos do Paul e John e das miniaturas na gaveta de tipos, que já mostrei, tem também amigurumis (presente da minha amiga do link aí em cima), como esse cactus fofo e minha boneca de pano, lá da madametrapo:

Claro que também tem brinquedos de quem ainda está em idade (cronológica) de brincar. E, como logo chega o Natal, fizemos uma limpa no quarto dos meninos. Muita coisa foi doada, outras fiquei com um pouco de peninha. Esse carrinho de madeira ficou por aqui, com outra função tão feliz e bem humorada quanto uma brincadeira. E acho que ficou perfeito com as plantinhas, fazendo às vezes de cachepô, em cima da carteira escolar na varanda:

Hoje ainda tenho a desculpa de ter filho pequeno e posso me divertir à vontade, sem dar bola para o julgamentos dos adultos chatos. Mas como será na hora em que eu me tornar uma old kidult? Será que isso passa?
Será que trocarei as coisas cute e coloridas por lenços de seda estampados?
Sei lá. Mas me agarro firmemente na possibilidade de ser uma vovó descolada, com netos idem que me acompanhem em todos os lançamentos da Pixar.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Home, sweet home



Cheguei ontem, quase hoje, do findi na casa da sogra, depois de encarar a estrada lotada após o feriado mais quente que já vivi. E nem estou sendo tão dramática quando dizem que sou (meus filhos andam tirando um sarro além da conta da minha cara, porque dizem que exagero, sobretudo nos riscos do trânsito. Mas eles nem percebem o que se passa quando xingo alguém e, logo em seguida, solto o meu "a gente podia ter capotado e morrido por causa desse @#$%¨&*¨&%#", pois estão sempre com fone de ouvido, joguinho na mão ou, simplesmente viajando pra outra galáxia).
Ressalvas feitas, chegar em casa é muito bom. Mesmo com enxaqueca. Mesmo com uma dor no braço que tá de matar. Mesmo com dor de estômago, por causa do remédio da enxaqueca e da dor no braço.
Mas o fato é que cheguei numa casa que acho que não é a minha. Juro, acho que estava com sono e entrei na casa errada. E só me dei conta hoje cedo. Minha casa não tem roupas e sapatos diversos espalhados pela sala, nem sacos de roupa molhada de piscina em cima da mesa. Minha casa não tem um monte de copos, xícaras e pratos sujos amontoados na pia. Nem camas reviradas. Nem agendas e capas e gadgets de computador perdidos às 6h da manhã. Nem flores murchas de tanto calor.
Não, minha casa é super organizada, impecável e cheirosa, mesmo com três filhos, marido e uma cachorra carente e bagunceira.
Definitivamente, entrei na casa errada, ou caí na dimensão errada, como acontecia nos episódios de "Além da Imaginação".
Se identificaram comigo agora?
Não, claro que não. Porque a casa da gente nunca está perfeita, nem milimetricamente arrumada. Senão não seria casa, não teria vida. Não que precisasse ter tanta vida como a minha, nesse momento, mas tudo bem!
Casa boa é aquela em que a gente tem espaço para inventar, para arrumar e receber do nosso jeito. Ainda estou aprendendo isso e fico repetindo como um mantra que um pouco de bagunça é bom e permitido, apesar dos meus chiliques com os quartos tão fora de ordem.
Afinal, não sou, nem pretendo ser uma Cambridge lady, nem tenho a cinturinha muito fina da herdeira Versace.
E desconfio de gente tão impecável assim, com tudo sempre tão arrumado apesar dos filhos e cachorro.
Tô longe disso. Mas, ainda assim, adoro a luz filtrada pela cortina colorida da cozinha, logo acima da pia (provisoriamente) bagunçada, enquanto tomo minha canequinha de café.

Como se dizia nos antigos desenhos do sábio Pica-pau, não há nada melhor que o lar.

sábado, 31 de outubro de 2009

Lembranças na parede

Não consigo planejar muito longamente as minhas invenções aqui em casa. Quando dá tudo certo acho que é pura sorte, porque por mais que o marido fique me pedindo calma antes de sair furando, pendurando ou martelando, realmente não dou conta.
Quando a idéia chega, fico com um comichão danado de ver tudo pronto. Nunca espero a tinta secar 24h antes da segunda demão; nunca deixo a massa descansar por 3h, nunca meço o lugar onde pretendo colocar algum móvel e, sobretudo, faço uma breve leitura dinâmica das instruções das embalagens.
Isso tudo rende alguma frustração, furos desnecessários pelas paredes e algumas receitas perdidas. Mas eu não aprendo. A não ser nos casos em que realmente não tenho a mínima idéia de como fazer, como foi o caso do papel de parede que coloquei atrás da chapeleira aqui na sala de casa.
E olhando minha parede de memórias ainda em construção, vejo que poderia ter planejado melhor:

E até tive chance de fazer isso, pois mudei tudo de lugar quando pintamos a sala, recentemente. Mas recomecei a colocar as fotos de família em torno da gaveta de tipos, presente super bacana que ganhei de uma amiga amada e que acomoda todas as miudezas que encontramos pelo caminho. E distribui os retratos em torno dela, sem pensar muito.
Tem o meu retrato feito pelo meu artista preferido no momento, que enfeita muitos cantos da minha casa e foi pintado especialmente para o dia das mães (reparem como estou linda, com as pontas dos meus cabelos assimétricas bem do jeito que são mesmo!):

E tem a receita de queijadinha da avó do marido, escrita à mão, que guardo no meu livro de receitas. Minha grafic designer predileta fez a arte e eu pendurei junto da foto da minha avozinha, logo abaixo da foto da sogra na praia nos bons tempos (fiufiu):

Esses dias li lá no blog da La que ela sofre com as tentativas e erros de pendurar quadrinhos na sua sala. Entendi perfeitamente a angústia dela na montagem desses quebra-cabeças.
Mas por mais que eu também me angustie com a minha própria falta de planejamento, acho que a casa da gente não se faz do dia pra noite, por mais que planejemos. A casa é mais que as paredes, mais que as geringonças e móveis acumulados.
E as lembranças e presentes queridos que fazem parte da história de uma casa não chegam todas juntas, de um jeito planejadinho.
Parafraseando o RC, os "detalhes tão pequenos de nós dois...", ou de nós três, quatro ou cinco, chegam aos pouquinhos. E vão enchendo paredes, estantes, porta-retratos.
Como os postais japas que ganhei de aniversário de uma amiga mui querida. Um deles veio lindo e emoldurado em vermelho e está na mesinha, junto com uma das minhas fotos preferidas e com o John e o Paul (bonecos dos Beatles que dei de presente pro marido há uns anos), na espera de um lugar especial pra ser pendurado. Os outros, vou mostrar depois:

Então, olhando de novo para a parede da mesa da minha pequena sala, fico pensando que sempre há de caber mais uma lembrança, sempre há de ter um cantinho pra uma memória querida, assim como sempre arrumamos lugar na mesa pra uma visita inesperada. Pois pra que ter uma casa, senão para acolher, receber e guardar aqueles que amamos e as alegrias que vivemos?

Bom feriado!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Meu maior pesadelo...

Eu sou um bicho caseiro, ponto. Adoro viajar (e reclamo quando a gente aqui passa muito tempo sem ir pra lugar nenhum), mas adoro mais ainda voltar pra casa.
Não que eu tenha ido longe, nem por longo tempo. Foram só dois dias fora. Porém, pra esses dois dias funcionarem bem, são muito outros dias de horário estendido trabalhando. E quem faz bazares sabe bem como é essa vida de sacoleira moderna.
Enfim, cheguei em casa domingo, quase segunda, louca pra tomar um banho e cair na cama. Dormi feito pedra? Que nada, tive um baita pesadelo, que vou compartilhar com vocês, pedindo as seguintes ressalvas: considerem que eu estava cansada além da conta, dividida entre a agitação de um monte de gente falando comigo e a calmaria do lar e entre as amigas que adoro e minha família amada me esperando em casa.
Então, vamos lá.
Sonhei que eu e marido tínhamos saído pra uma viagem romântica, pra comemorar o aniversário de casório. Lindo, né? Isso se ele não tivesse levado um amigo junto porque precisava terminar algum raio de relatório de trabalho. Humpf!
Chegando lá, ele me fala pra esperar na recepção do hotel, porque o amigo havia preparado um presente pra ele. E, pasmem, era a Helena da novela das nove da Globo esperando peladona no quarto! Pqp!
(aqui, abro o parêntesis pra explicar que não assisto a novela, mas acompanho os comentários das noveleiras no twitter e adquiri ódio mortal da chata da Helena e do marido pelancudo, babão e mulherengo dela)
Claro, entrei em desespero enquanto meu marido se divertia no quarto com a piriguete. Outro detalhe: se fosse na vida real, a essas alturas, o sonho já estaria tingido de vermelho, porque rolaria é sangue, minha gente! Só em sonho que eu fico de mosca morta chorando em recepção de hotel.
Então, veio o amigo me consolar, falando que era pra eu relevar, que era coisa de homem. Mereço, amigo mala, amigo da onça, amigo urso. Nem vou publicar aqui o nome dele, temendo represálias da mulherada.
Então, resolvi tomar uma atitude: peguei minha malinha e fui pro carro, decidida a vir chorar em casa. E qual não foi meu desespero ao ver a talzinha Helena saindo em disparada no meu possante?
Aaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhh!!!

(...)

Voltando à vida real, acordei num baita mau humor, com vontade de chutar as partes íntimas do ser humano que dormia tranquilamente ao meu lado, com aquela cara de inocente que desfruta do sono dos justos. Ai, que raiva!
Mas, calma, maluca, era sonho, se controla.
Quando levantei, olhando meio de esgueio pro marido, ele me pergunta se tinha dormido bem e eu solto os cachorros, contando o pesadelo. E ele, contendo o riso, me pergunta se a moça era bonita. E chinelo voa pelo quarto...
E aqui, abro um espaço para as gargalhadas. Isso, se divirtam às custas da minha insanidade, como fez a minha mãe na segunda à tarde, rindo de se dobrar do pesadelo dessa pobre filha.
Enfim, melhor dormir de olho aberto. E, já que o inconsciente revela o medo tamanho de perder a minha majestade doméstica, melhor ainda agradar a freguesia. Então, ontem fui pra cozinha, atendendo ao desejo de bolo dos pequenos. Claro, de chocolate (eta molecada que não varia!). Mas fiz uma mudancinha na receita por minha conta e risco e coloquei 1/3 de xícara de avelã moída na massa de chocolate. Ficou com aquele gostinho de Nutella, que foi pra cobertura também, arrematada com uma avelãzinha.
Galera se esbaldou por aqui:

E, por falar em cupcakes, semana passada, no meio daquela correria pré-bazar, teve aniversário duplo, da minha irmã e do marido. Minha irmã é uma mulher e tanto. Linda, inteligente e, segundo meu filho caçula, uma tia das mais divertidas. Sofro pensando em como agradá-la, porque ela nunca esquece da gente. Olha um dos presentes fofos que ganhei dela no meu aniversário:

Minha vontade era fazer uma das receitas do livro e levar pessoalmente, mas não pude. Então, encomendei dessa moça, que tem uma fábrica de delícias, muito mais elaboradas do que a dona-de-casa aqui conseguiria fazer. E ela ainda foi levar lá na casa da minha irmã. Impecável, delicada, profissional e talentosa!
E, pro marido, fiz a torta preferida dele, meio tarde da noite, mas fiz: pêra com massa de nozes.

Duvido que a talzinha da Helena consiga fazer torta igual. Duvido...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Onde está Ana?


Uma foto do bazar, pra mostrar um tiquinho de como foi. E eu perdida no meio do colorido da minha "banquinha".
Hoje serei assim, telegráfica, porque os computadores por aqui andam requisitados. Então, aproveito pra me retirar mais cedo.
Até amanhã!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Pinguinzada

Tem pinguim novo lá na barraquinha da quitanda:

Passarinhos em laranja, lindos e coloridos!

Bolotas e xadrezinho vermelho!

Morango com chocolate!

Bacana, de chita com bolinhas!
E mais alguns outros.

Em tempo, sei que ando sumida, mas a correria foi grande e estou por aqui, no meu canto, reorganizando as coisas do ateliê e me preparando para o próximo evento. Logo mais volto com tempo pra conversar com calma.
E aproveito para agradecer aos clientes e amigos que apareceram lá no Bazar Mãos e Obras. Foi um final de semana ensolarado, cheio de boas risadas, música e boa companhia, apesar de toda a correria.
Em especial, agradeço a essa minha amiga do coração, que virou parceira e sempre me acolhe no apê mais charmoso do Braz!